Caravana surpresa pede ao STF o fim do isolamento

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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07/05/2020

São Paulo – Após reunião de rotina de empresários e executivos graduados de diversos setores da indústria com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, decidiu rumar, seguido pela caravana, para a sede do STF, Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, DF. Foram a pé, em cena documentada por emissoras de televisão e fotógrafos – alguns sem máscara, em meio a uma pandemia que vitimou, por enquanto, ao menos 8 mil brasileiros.

 

Os empresários presentes à reunião seguiram o presidente, Guedes e outros ministros e parlamentares – dentre eles o filho de Bolsonaro, Flávio, o senador enrolado em algumas investigações por causa de laranjas, rachadinhas e Queiroz. Representavam diversas indústrias, como siderúrgica, têxtil, química e automotiva. Em nome da Anfavea estava o vice-presidente Antonio Sérgio Martins Mello, da FCA.

 

A Dias Toffoli, presidente da suprema corte brasileira, Bolsonaro falou das dificuldades da economia brasileira e dos industriais. A indústria automotiva foi usada como exemplo, com mais de sessenta fábrica fechadas – todas por decisão própria, lembremos – e com redução drástica no volume de produção. Os dados do mês e quadrimestre serão divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 8.

 

O que pediu o presidente? Diante do agravamento da pandemia, com relatos subnotificados de seiscentas mortes por dia, com mais de 8 mil vítimas fatais da covid-19 desde o fim de fevereiro, com estados e municípios fazendo malabarismos para evitar que seus sistemas de saúde entrem em colapso, com leitos de UTI quase todos preenchidos, Jair Messias Bolsonaro pediu o fim do isolamento -- a única medida cientificamente aceita no combate à proliferação do vírus.

 

Foi o STF quem deu autonomia a estados e municípios decidirem por medidas de isolamento, demais restrições de movimentação e lockdown.

 

A reportagem apurou que nem todos os representantes do universo dos negócios que seguiram Bolsonaro ao STF sabiam o que aconteceria. Também nem todos os que lá estiveram concordam com a demanda do presidente e sentiram-se constrangidos. Mas alguns concordaram e concederam entrevistas ecoando o pedido do presidente e fazendo tristes relatos: “Haverá mortes de CNPJ”, disse um, do setor de brinquedos – e infelizmente não era um gracejo.

 

O que diz a Anfavea?

 

 

"A Anfavea não tem condições de opinar a respeito de questões de saúde pública, por isso segue integralmente as recomendações das autoridades no assunto. Isso não impede debates para a retomada da economia no tempo devido, bem como de ações para mitigar os efeitos econômicos da pandemia em nosso país."

 

Foto: Marcos Corrêa/PR