São Paulo – O papel da indústria automotiva brasileira no médio a longo prazo, dentro de contexto de inevitável eletrificação por causa das exigências cada vez mais rigorosas de emissões, já havia sido colocado em xeque pelo presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si, no ano passado. A pandemia de covid-19 só agravou e tornou mais urgente uma discussão neste sentido, segundo ele relatou no Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – a Revisão das Perspectivas 2020.
“A crise afetou diretamente o caixa das empresas, que passarão a alocar com ainda mais cuidado o capital daqui em diante. O foco será tecnologia do futuro: híbridos, elétricos, autônomos.”
Para Di Si é a hora de o Brasil começar a pensar qual será sua função daqui a vinte, trinta anos: seguirá produzindo veículos ou será mero importador, descartando uma indústria sexagenária, tradicional e empregadora: “A cadeia emprega mais de 1,2 milhão de pessoas, somado todos os degraus, e o Brasil é um dos poucos países capazes de desenvolver um carro do zero”.
Sua sugestão é, passado o caos da pandemia, começar a pensar em um Rota 2050, já antevendo este cenário projetado de transformação tecnológica. Mas precisa passar: o objetivo, agora é atravessar e sobreviver. Di Si afirmou que em três meses a indústria gastará valor comparável a um ciclo de investimento de produto apenas para pagar as contas:
“Calculo que todo o sistema gastará R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões. Sem receita e com custo fixo, é preciso tirar o dinheiro de algum lugar. Projeto que teremos três, quatro anos de investimentos bem reduzidos”.
O presidente da Volkswagen foi cauteloso, porém, ao falar sobre o segundo semestre. Embora a Anfavea tenha projeção de queda por volta de 40% sobre o volume de 2019 Di Si evitou fazer qualquer prognóstico de volumes de vendas: “Dependerá de muitos fatores: o comportamento do consumidor, o nível de desemprego, as taxas de juros nos bancos”.
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