São Paulo – As fabricantes de chassis de ônibus projetam dois cenários distintos no segundo semestre, para os segmentos urbano e rodoviário. No caso do primeiro deverão dar sustentação aos negócios as demandas do programa federal Caminho da Escola e, no do segundo, haverá dificuldades mais acentuadas.
De acordo com Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing da Mercedes-Benz, as vendas para o programa deverão representar, no fim do ano, cerca de 30% do mercado, uma parcela considerada importante dado o cenário de crise: ele disse, na segunda-feira, 27, durante o Workshop AutoData Perspectivas Ônibus, que "as vendas governamentais não pararam no período".
Nos útimos anos a Mercedes-Benz tem sido um dos principais fornecedores de ônibus para a iniciativa federal junto com Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco e Agrale.
Segundo Jorge Carrer, gerente de vendas de ônibus da VWCO, a paralisação da produção provocada pela pandemia, a partir de março, deverá gerar atraso no cronograma de entregas dos ônibus para o programa federal: "Houve um represamento. Sem o Caminho da Escola o volumes poderiam ser bem menores no segundo semestre".
As vendas para as operadoras de transporte urbano, no entanto, podem ter uma retomada mais lenta, umas vez que, segundo o executivo, caíram as receitas das empresas, pois o transporte, hoje, leva menos passageiros. Carrer disse, ainda, que é preciso rever contratos estabelecidos antes da pandemia:
"Precisamos rediscutir os modelos de contrato porque a receita das empresas caiu e haverá dificuldade no cumprimento do que foi estabelecido. Assim podemos manter a prestação do serviço de transporte público sem que haja um colapso do sistema".
No mercado de rodoviários há grave entrave a respeito do volume de passageiros transportado. Da mesma forma como acontece no setor aéreo, a baixa ocupação também afetou as operadoras de transportes em médias e longas distâncias.
Para Silvio Munhoz, diretor de operações comerciais da Scania, o cenário de crise poderá reconfigurar os ônibus deste nicho, considerando que os operadores, no momento, executam planejamento de redução de custos para manterem as operações:
"É possível que entrem em circulação ônibus menores e equipados com menos recursos, para que a conta da operação feche no final do mês", ele contou. "O fretamento é uma área mais resiliente, mas no turismo, por exemplo, ainda há incertezas. A renovação de frota é mais lenta porque caiu o tráfego".
Paulo Arabian, diretor de vendas de ônibus da Volvo, também sinaliza para alterações na configuração dos ônibus: "Há potencial de retrocesso em algumas plataformas, como motor dianteiro e volta da caixa de câmbio manual nos próximos negócios. A retomada dos hotéis é positiva, mas não é continuada, pois a ocupação não está alinhada pela demanda".
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