São Paulo — As fabricantes brasileiras de caminhões e ônibus começam a estudar as oportunidades e planejar seus primeiros passos para o livre-comério de veículos pesados do Brasil com o México, previsto para 2023. Até lá os impostos de importação e exportação serão reduzidos gradualmente, conforme acordado pelos dois governos.
Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, pós-vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus, disse que com o acordo será possível reduzir os custos de produção nos dos países, assim como aumentar os volumes das duas fábricas, que se tornarão via de mão dupla:
"A maioria dos nossos produtos vendidos lá, atualmente, são montados em SKD: mandamos peças e componentes daqui para o México porque sai mais barato diante do volume. Com o acordo poderemos enviar caminhões fabricados aqui e fazer o mesmo do México para cá, ganhando escala de produção e mais competitividade com fornecedores locais".

A VWCO possui unidades fabris nos dois países e deverá ser uma das mais beneficiadas com o acordo, pela possibilidade de complementação produtiva.
A Mercedes-Benz hoje atende ao mercado mexicano de ônibus a partir do Brasil, e o de caminhões a partir dos Estados Unidos com a Freightliner, empresa do Grupo Daimler. Segundo Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil, é por causa da proximidade dos países e das características de mercado: "Claro que isso sempre pode ser revisado e discutido internamente, mas diante do modelo de negócio atual vemos boas oportunidades para avançar no setor de ônibus".
Leoncini também lembrou a força dos fornecedores mexicanos. Com o avanço do acordo caberá à equipe de compras avaliar as possibilidades e os ganhos de eficiência que a empresa poderá obter com novos parceiros.
Avaliando o setor de ônibus no México, Leoncini vê com bons olhos os segmentos rodoviário e urbano, junto com outras opções para a operação, como exportar em CKD ou CDU, quando o veículo já vai montado.

Já o segmento de distribuição urbana no México atrai os olhares da VWCO, que pretende avançar com as vendas do Delivery a partir do acordo e de uma demanda crescente que é esperada: "No segmento do Constellation também deverão surgir bons negócios. Com o avanço do acordo até o livre-comércio vamos avaliar as demandas de cada mercado e decidir qual o melhor formato de operação, mas sem dúvida ajudará na competitividade".
A Anfavea considera o acordo positivo, ainda mais da maneira como foi desenhado, considerando aspectos principais como previsibilidade e gradualidade, segundo Gustavo Bonini, vice-presidente da entidade: "Esse formato de abertura é o ideal para o nosso setor e trará benefícios para as duas indústrias. O principal ganho está no aumento de volume de exportação livre de impostos, o que já acontece entre o México e outros países, nós estávamos atrasados".

Bonini considera o mercado mexicano bastante relevante, com boas oportunidades para caminhões e ônibus, e acredita que as empresas interessadas em avançar para o México, mesmo que ainda não operem por lá, terão suas oportunidades: "As marcas instaladas no mercado mexicano já fizeram esse investimento e, nesse caso, só precisam aumentar os volumes, mas as outras também podem investir, criar seu mercado e aproveitar as oportunidades. Por isso a gradualidade é importante".
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