São Paulo – O bom resultado do mercado brasileiro de veículos em maio, que registrou o segundo maior volume e a melhor média diária de emplacamentos do ano, é em parte explicado por vendas represadas de meses atrás, segundo a avaliação da Fenabrave, que divulgou os números oficiais na quarta-feira, 2. Foram licenciados 188,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês passado, 7,7% acima de abril e 203,4% a mais do que maio de 2020, mês afetado pelas primeiras medidas de restrições provocadas pela pandemia.
Acontece que este represamento não acabou, segundo o presidente da Fenabrave: nos próximos meses serão computadas vendas realizadas pelas concessionárias em maio, mas que não integraram a estatística do mês. “Apesar dos esforços das montadoras as entregas de veículos ainda não atingiram o equilíbrio, em função da falta de alguns componentes, principalmente eletrônicos, mantendo o represamento de vendas, que já vinha sendo verificado”.
Ou seja, o descompasso da cadeia vem provocando também um descompasso estatístico, o que prejudica uma avaliação mais precisa do termômetro do mercado. Maio pode ter tido mais licenciamentos do que abril, mas não necessariamente mais volume de negócios efetivamente fechados nas revendas.
O acumulado do ano também impossibilita uma análise mais minuciosa, porque se compara a um período com base baixa, ocasionada pelas medidas de fechamento do comércio que afetaram, especialmente, o segundo trimestre de 2020. Assim, as 891,6 mil unidades licenciadas de janeiro a maio representam crescimento de 31,9% sobre os 675,9 mil veículos vendidos no mesmo período do ano passado, período desta base achatada.
Por estes motivos Assumpção Jr. mantém a cautela: ressaltou a projeção de crescimento de 16% para o ano, divulgada em janeiro, mas admitiu que poderá revisar as projeções no mês que vem, com os números do fechamento do primeiro semestre em mãos.
“Os índices de confiança da indústria estão altos, dentre os cinco maiores do País. Há demanda e crédito elevados no mercado automotivo e, com a evolução da vacinação e imunização da população contra a covid-19 talvez estejamos diante de um quadro mais favorável do que o estimado, quando iniciamos a segunda onda da pandemia, neste ano”.
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