São Paulo – Muitos desafios terão que ser superados para que a eletrificação se torne uma realidade no setor automotivo do Brasil. Essa foi a conclusão de David Johnson, diretor comercial P&A da América Latina e Caribe da Volvo Cars, e Rubens Campos, vice-presidente sênior aftermarket automotivo da Schaeffler América do Sul, que participaram de um debate mediado por Mauricio Almeida, líder de operações da DHL Supply Chain Brasil, na quinta-feira, 5.
Para Campos, da Schaeffler, grandes mudanças acontecerão no fornecimento de componentes para OEMs e reposição. Ele acredita, também, que a parceria dos fornecedores com as montadoras no desenvolvimento de novos veículos elétricos trará um conhecimento importante para o futuro de sua operação na reposição: "Nós estamos trabalhando juntos. Então saberemos lá na frente quais componentes terão mais manutenção e qual o tipo de serviço precisará ser realizado".
O executivo reconheceu impactos, também, no aftermarket, mas parte da demanda continuará existindo, como as peças usadas na parte de baixo do veículo, como suspensão e outros componentes: estes seguirão sendo necessários, enquanto outros como a embreagem e o filtro de óleo deverão perder espaço.
Treinar os funcionários para realizar a manutenção dos veículos elétricos também será importante, porque a curto prazo a demanda por esse tipo de serviço crescerá, considerando que diversas empresas estão investindo em comerciais elétricos para realizar entregas dentro dos centros urbanos.
Johnson, da Volvo Cars, disse que a maioria das questões sobre o futuro elétrico gira em torno dos custos e do preço final do veículo, que no Brasil ainda é muito alto e que, sem incentivos para esse segmento, o avanço é mais lento. Ele, contudo, compreende que o governo possui, no momento, outras prioridades:
"Também existe a questão das baterias, que têm produção limitada atualmente, o que também limita a produção dos veículos. Esse é um ponto que precisa avançar globalmente. Junto com isso há a questão dos custos logísticos, porque esse item só pode ser transportado por navios, em contêineres refrigerados, e a empresa ainda paga uma taxa extra por ser um item de risco".
Infraestrutura também precisa ser desenvolvida e, nesse ponto, os híbridos possuem uma vantagem por não dependerem apenas dos postos de recarga e, se abastecidos com etanol, matriz energética limpa, representam um grande avanço para o meio ambiente.
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