São Paulo – A engenharia brasileira teve participação no processo de desenvolvimento do novo modelo 100% elétrico da BWM, o iX, fabricado em Dingolfing, na Alemanha. Com o objetivo de aprimorar o produto para o mercado local, desde o início do projeto, em junho de 2020, um protótipo do veículo percorreu cerca de quarenta mil quilômetros em cinco Estados, sendo a maior parte na região de Araquari, SC, onde está a fábrica brasileira da montadora.
“No projeto utilizamos um veículo que por fora parece o X5 mas que, por dentro, é o iX. Agora ele está sendo testado em São Paulo”, afirmou Herbert Negele, diretor de engenharia do BMW Group Brasil. A partir dessa experiência foram descobertas e reportadas quase 1 mil melhorias para o modelo, segundo ele.
“Nós testamos e validamos o sistema de infotainment, a interface do homem com a máquina por meio de comandos por voz, toque e gestos, a integração de aplicativos e produtos digitais. Assim como a navegação, que conta com realidade aumentada, aplicativos nativos e conectividade em redes de internet 4G.”
Negele contou que um dos objetivos também foi adequar o idioma do software do veículo para que ele respondesse em português do Brasil, e não o de Portugal.
A participação do Brasil no processo de testagem de tecnologias é possível porque o país é um dos únicos quatro, além da Alemanha, em que a montadora possui centro de pesquisa e desenvolvimento, o que foi estimulado pela participação em programas como Inovar Auto e Rota 2030.
Carro inteligente – O iX, a propósito, possui muita tecnologia embarcada. Não à toa o CEO do BMW Brasil Group, Axsel Krieger, o definiu como “um ícone para a marca”. Um de seus tantos diferenciais é que será o primeiro carro do Brasil a ter, no futuro, habilidade para conectar com o 5G:
“Ele é um carro inteligente. Tem 50% menos botões que os demais modelos. A maior parte dos comandos é acionada por voz ou toque. O carro antecipa o que você quer fazer. Se está calor ele já aciona o ar-condicionado. E ele aprende também com o proprietário, pois grava suas preferências na nuvem.”

Sua bateria, em comparação com a do i3, proporciona até o dobro de autonomia, chegando a 630 quilômetros. Para fazer uma comparação com um celular, a bateria possui o equivalente a 8 mil iPhones. O modelo será comercializado a partir do segundo semestre por valores que vão de R$ 654,9 mil a R$ 799,7 mil.
Novas tecnologias – O CEO citou ainda que a montadora está desenvolvendo um carro movido a células de hidrogênio, mas que, por enquanto, não chegará ao Brasil. “Sempre estudamos fontes alternativas que reduzam a emissão. Mas é preciso criar condições para fabricá-lo aqui. Quando trouxemos o i3, por exemplo, a infraestrutura estava começando. Como marca premium é preciso trazer a tecnologia e desenvolver a infraestrutura em conjunto. Isso é bom dessa indústria premium, pois conseguimos financiar o nosso futuro.”
Pelo fato de haver convergência e compartilhamento de tecnologias nos centros de P&D da marca, o executivo não descarta protagonismo da unidade brasileira com relação a novas tecnologias de propulsão. Krieger afirmou que pelo fato de a matriz energética do Brasil ser muito limpa, o etanol também é solução para a qual a marca tem olhado e estudado.
Dentre as possibilidades, citou o hidrogênio, poderia ser gerado a partir do etanol. “Por exemplo, ele poderia ser produzido enquanto o carro roda com o etanol.”
Por enquanto, dentro do que já é possível de se realizar, o executivo destacou que a meta para o Brasil é, até 2030, “reduzir em 80% a emissão de CO2 na produção dos carros, em 50% no uso e em 20% na rede de fornecedores.”
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