São Paulo – Um a cada três veículos premium vendidos no Brasil são da BMW, líder do segmento de luxo que, agora, quer acelerar rumo à eletrificação. Embora ainda não tenha planos de produzir modelos movidos à bateria em sua planta de Araquari, SC, a montadora projeta quadruplicar o volume dos chamados BEVs comercializados no País.
Dos 14,5 mil veículos BMW emplacados no mercado brasileiro em 2021, 17% eram eletrificados. A meta para 2022 é ampliar essa fatia para 25%. Dos 2,6 mil veículos de baixa emissão de CO2 vendidos no País ano passado apenas 7%, ou 183, eram 100% elétricos – no caso, o i3, modelo que aportou em território brasileiro ainda em 2014 – e, os 93% restantes, híbridos. A expectativa é triplicar essa representatividade para 21% e quadruplicar o volume até o fim do ano, chegando a 800 unidades.
A projeção é reforçada pelo anúncio do iX, apresentado à imprensa na Academia BMW Group Brasil Senai, no Senai Ipiranga, em São Paulo, que há um mês teve pré-venda na qual trinta unidades foram negociadas em apenas doze horas, de acordo com a fabricante. E, inclusive, a perspectiva é a de que o modelo represente metade da comercialização dos eletrificados em 2022, ou seja, que atinja pelo menos quatrocentas unidades.
A partir de março o iX, que terá seu lançamento oficial em abril, será exposto nas concessionárias da marca para que potenciais clientes possam conhecê-lo de perto. No entanto, só estará disponível para comercialização a partir do segundo semestre. A montadora trará ao Brasil, ainda este ano, outros dois modelos elétricos: o iX3, ainda sem data prevista, e o iX4, no segundo semestre. A ofensiva da fabricante alemã para o mercado brasileiro em 2022, portanto, contará com quatro modelos. Se colocar nessa conta o Mini BEV, serão cinco opções.
CEO do BMW Group Brasil, Aksel Krieger afirmou que até 2050 a metade das vendas no País será de elétricos. O modelo inédito produzido em Araquari, o qual, ainda não tem um nome, no entanto, não será movido à bateria: “A produção local tem que atender a maior parte das vendas no Brasil. Estamos olhando para esse tema, nossa produção é muito flexível e estamos sempre atentos às tendências de mercado, mas, por ora, não temos confirmação de elétrico aqui.”
Entre 2013 e 2021, foram comercializados mais de 1 milhão de veículos elétricos e híbridos da marca em todo o mundo, volume que deverá dobrar até 2025. “Para os próximos dez anos queremos 10 milhões de veículos BMW totalmente elétricos nas estradas.” E, de acordo com Krieger, 90% do portfólio de produtos no País terá uma versão 100% elétrica.
Atualmente, existem quatrocentos pontos de recarga de bateria da BMW espalhados pelo País. Até o fim do ano, segundo o responsável pela conectividade da BMW Brasil Henrique Miranda, parcerias com startups como a EZ Volt e a IN Charge proporcionarão ampliação dessa rede em mais cem pontos.
Cenário — Apesar das adversidades trazidas pela pandemia, como a persistente crise dos semicondutores, no ano passado a BMW elevou em 17% as vendas em solo nacional na comparação com 2020 e, frente a 2019, o crescimento foi de 10%. O diretor comercial da BMW do Brasil, Roberto Carvalho, afirmou que os contratos de longo prazo com a cadeia de fornecedores têm ajudado a manter a oferta, e por isso a marca cresceu mesmo diante do cenário.
Carvalho disse ainda que o Brasil não é mercado de curto prazo e que por essa razão são feitos investimentos locais, referindo-se aos R$ 500 milhões injetados em Araquari anunciados no ano passado. Por se tratar de segmento premium, segundo o executivo, a valorização do euro não tem atrapalhado a decisão pela compra de veículos da marca.
Foto: Divugalção.