São Paulo — Seguindo seu plano robusto de avanço à eletrificação, que inclui investimento de 30 bilhões de euros até 2025, a Stellantis prometeu lançar dezessete modelos e/ou versões elétricos e híbridos, incluída aí uma van movida a células de hidrogênio. O aporte abrange, também, parcerias em tecnologia de baterias, materiais de baterias e desenvolvimento de software.
A empresa resultante da fusão de FCA com PSA Peugeot Citroen dirigida por Carlos Tavares, seu CEO, divulgou na quarta-feira, 23, o balanço de 2021 ao mercado em transmissão online realizada em Amsterdã, Holanda. A receita líquida, de 152,1 bilhões de euros, foi ampliada em 14% em doze meses. O lucro operacional ajustado quase dobrou no período, atingindo 18 bilhões de euros, com margem de ganhos de 11,8%. E o lucro líquido quase triplicou, para 13,4 bilhões de euros.
“Em 2021 fizemos muitos acordos para acelerar nossa transformação em uma empresa de tecnologia de mobilidade sustentável”, observou Tavares, ao demonstrar, na sequência, que a Stellantis comercializou em todo o mundo, ao longo do ano passado, 388 mil unidades de veículos de baixa emissão, os chamados LEVs, na sigla em inglês, o que representa crescimento de 160% no período.
A Stellantis oferece ao mercado 34 modelos de LEVs, sendo dezenove BEVs, ou 100% elétricos, e quinze PHEVs, ou híbridos. Até 2023 estão previstos dezessete lançamentos, sendo treze elétricos e quatro híbridos, a maioria veículos leves. O executivo não citou os países em que serão comercializados, apenas as suas marcas. Há versões programadas para a América do Sul e para o Brasil, mas pormenores não foram antecipados.

Em dezembro Tavares destacara o lançamento da primeira van média Stellantis movida a células de hidrogênio, comercializada sob a bandeira Opel e batizada de Vivaro-e Hydrogen. O modelo contou com 250 pedidos em sua pré-venda.
Na avaliação de Tavares o grande desafio para avançar ainda mais rumo à eletrificação é o custo total de produção, que fica em torno de 40% a 50% superior ao de um modelo movido a motor de combustão interna. Não há como manter o preço de venda, portanto, nem como promover a transformação de uma só vez: “Isso nos levaria a perder a classe média. E não queremos isso”.
Mas, com o tempo e a disseminação da fabricação dos modelos, a ideia, ponderou o CEO, é que essa diferença caia: “Queremos, nos próximos cinco anos, elevar em 10% nossa produtividade anual”.
Marcas premium como Alfa Romeo terão 100% do portfólio composto por veículos elétricos a partir de 2027. A Lancia terá 100% de seus modelos eletrificados em 2024 e todos os lançamentos serão elétricos a partir de 2026, mesmo prazo e meta aplicados à DS Automobiles.
Destaque também para a Fiat que, segundo Tavares, terá portfólio 100% composto por veículos elétricos na Europa em 2027.
Em 1º de março será divulgado planejamento estratégico da companhia.
América do Sul – A companhia lidera o segmento de veículos comerciais na região, com 30,9% de participação: o mesmo ocorre na União Europeia, com 33,7% do total. A Stellantis celebrou a marca de 1 milhão de picapes vendidas ao redor do mundo no ano passado.
Na América do Sul o lucro operacional ajustado atingiu no ano passado 882 milhões de euros, com margem de ganhos de 8,3%. Significa que os valores quintuplicaram nesse período, pois, um ano antes, somavam 156 milhões de euros. A receita líquida disparou 71%, para 10,7 bilhões de euros.
“Somos líderes absolutos de mercado na América do Sul, no Brasil e na Argentina com 22,9% de market share na região, 32% no Brasil e 29% na Argentina. A Fiat é a marca mais vendida no Brasil e na América do Sul com a Strada no topo das vendas.”
Em 2021 a Fiat detinha 13,9% do mercado sul-americano. Para este ano é aguardada expansão de 3% na região, afirmou Tavares: “Trata-se de expectativa de crescimento moderado, particularmente no Brasil”.
O mesmo porcentual é aguardado para União Europeia e América do Norte.
Expectativas – O CEO da Stellantis disse que não gostaria de fazer mais projeções porque no atual cenário, em que a indústria automotiva global é atingida pela falta de semicondutores, o tamanho do mercado dependerá do abastecimento de chips: “Acreditamos que a resolução para esse entrave está se movendo na direção certa e esperamos que a situação melhore, mas, ao mesmo tempo, achamos que ainda demorará algum tempo para que isso ocorra. Em 2022 ainda não poderemos dizer que voltaremos ao normal”.
O executivo ponderou ainda que, adicionalmente a esse percalço, existe a inflação crescente de matérias-primas: “Não somos totalmente pessimistas porque, afinal, trabalhamos intensivamente em plano estratégico para aliviar as adversidades do cenário”.
Para este ano Carlos Tavares disse que, com relação à margem de lucro operacional ajustada, a perspectiva é a de seguir em dois dígitos. Quanto aos fluxos de caixa livres industriais, que no ano passado atingiram 6,1 bilhões de euros, impulsionados pela lucratividade e pelas sinergias líquidas de caixa, de 3,2 bilhões de euros, a projeção é manter no positivo.
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