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Mercedes-Benz e Scania ajustam produção por falta de semicondutores

Mercedes-Benz concede férias a 600 trabalhadores e Scania lança mão de folgas
Mercedes-Benz São Bernardo

São Paulo — A crise dos semicondutores está longe de dar trégua. Afetou, agora, as fábricas de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz e da Scania em São Bernardo do Campo, SP. Na primeira, trabalhadores foram colocados em férias, enquanto a Scania lançou mão de folgas para parte do efetivo.

Assim que seiscentos trabalhadores retornaram de férias coletivas de doze dias, na segunda-feira, 28, a Mercedes-Benz colocou outro grupo com a mesma quantidade de profissionais e pelo mesmo tempo em férias coletivas. Eles ficarão em casa até 8 de abril.

A quantidade de operários afastados por mais doze dias representa 9,2% do efetivo da linha de produção, composta por 6,5 mil dos cerca de 8,5 mil funcionários da unidade do ABC.

A informação foi dada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e confirmada pela companhia, que afirmou que em razão da crise global de abastecimento de semicondutores está ajustando sua produção de caminhões em São Bernardo:

“A empresa reforça seu forte compromisso em atender os clientes e tem adotado alternativas junto à cadeia brasileira de suprimentos e ao Grupo Daimler Truck mundialmente para enfrentar os desafios diários de abastecimento de peças, situação sem precedente na indústria global”.

De acordo com informações do sindicato a Scania avisou seus 5,3 mil trabalhadores da unidade do ABC, sendo 3,8 mil no chão de fábrica, que ficarão em casa em três datas diferentes devido à falta de componentes. Os dias de folga serão aplicados em 1º, 4 e 11 de abril.

A empresa confirmou os dados e informou que “para ajustar a produção em virtude do atual cenário da crise global de fornecimento de peças” suspenderá a operação industrial em São Bernardo. Esses dias serão considerados no acordo do sistema de jornada flexível estabelecido com o sindicato.

“A fabricante segue tomando todas as medidas necessárias para voltar à situação normal em curto espaço de tempo, sempre alinhada com seus fornecedores e comprometida com as entregas para os clientes em primeiro lugar. A unidade comercial e a rede de concessionárias seguirão trabalhando normalmente.”

Do fim de dezembro e o início de janeiro a unidade já havia ficado parada por 45 dias, em férias coletivas, por causa da escassez de chips.

Na avaliação do diretor executivo do sindicato e presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, essas paradas devido à ausência de semicondutores refletem a ineficiência do governo para a resolução dessa crise, em um momento em que há expectativas em torno da antecipação de compras devido à mudança de motorização para o Euro 6 em 2023 e também por demanda reprimida como reflexo da pandemia, além do bom desempenho do agronegócio, que segue gerando pedidos ao setor:

“Não estamos discutindo uma queda no mercado ou a falta de caminhões. O que está acontecendo agora, em momento que a empresa deveria estar contratando, mostra a total ineficácia do atual governo em pensar políticas industriais que atendam as demandas das indústrias e do consumo que está colocado no Brasil. Isso leva ao colapso dos poucos setores que estão em pé nesse momento da economia. Um colapso por falta de peças é um absurdo ao pensarmos na economia como um todo”.

Aroaldo Oliveira da Silva
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