São Paulo – Um dia após receberem a notícia da saída da Toyota de São Bernardo do Campo, SP, após seis décadas de operações na cidade, seus trabalhadores aprovaram por unanimidade, em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na quarta-feira, dia 6, a entrega de aviso de greve à empresa. Adicionalmente, como forma de protesto, os operários cruzaram os braços durante os três turnos.
Opondo-se à decisão, reagiram de forma negativa ao aviso de que a operação do ABC será redistribuída para outras três unidades no Interior do Estado do fim deste ano a novembro de 2023, em que pese a possibilidade de transferência e da manutenção dos empregos. O sindicato solicitou reunião com o presidente da Toyota no Brasil, Rafael Chang, o que ocorreu no mesmo dia à tarde.
A Toyota informou que durante a conversa a empresa reiterou sua decisão de transferir sua operação industrial para Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz, com o objetivo de obter mais sinergia com suas unidades produtivas e “com vistas a aumentar sua competitividade frente aos desafios do mercado brasileiro e da sustentabilidade de seus negócios no País”.
O presidente do sindicato, Moisés Selerges, afirmou que “essa luta pode ser uma corrida de 100 metros rasos ou uma maratona, e se for uma maratona os trabalhadores terão fôlego para enfrentá-la, caso necessário”.
Embora não tenha havido avanços nessa primeira conversa, segundo Selerges, uma vez que a empresa adotou postura inflexível com relação à mudança, o sindicalista disse insistir em alternativa para a permanência da operação, uma vez que a unidade de São Bernardo, a primeira planta fora do Japão, é plataforma exportadora e “é lucrativa, produtiva, que dá resultado, não prejuízo”.
A Toyota se mostra, com essa postura, “autoritária e dissimulada perante os trabalhadores e o sindicato, com quem sempre teve diálogo aberto”, assinalou Selerges. E informou que o assunto será levado novamente aos operários em reunião na sede da entidade às 10h00 da quinta-feira, 7, mas que por ora a posição e o aviso de greve permanecem. No primeiro turno, portanto, não haverá produção.
O sindicalista lembrou, ainda, que em 2015 a Toyota firmou compromisso de proteção dos empregos e de crescimento da empresa com os trabalhadores, o sindicato e a cidade: “Até onde nos consta a Toyota sempre foi uma empresa que cumpre seus compromissos. O sindicato honra sua parte e cobraremos para que a Toyota cumpra também”.
Em nota o presidente Rafael Chang voltou a garantir que “o movimento prevê a manutenção de 100% dos empregos dos colaboradores que hoje trabalham na operação do ABC Paulista, inclusive com suporte à mudança, além de outros benefícios”. E ratificou sua disposição para negociar o processo de transferência com o sindicato.
Trabalham em São Bernardo 550 profissionais.