São Paulo – O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, está de malas prontas para viajar ao Japão, junto com executivos e representantes do governo, para se encontrar com fabricantes globais de semicondutores. Ele contou, durante entrevista coletiva à imprensa na sexta-feira, 9, que o objetivo é atrair a produção de chips, que atende a outras indústrias afora a automotiva, para o Brasil.
A viagem conta com apoio do Ministério da Economia, ele disse. Segundo ele o ministro Paulo Guedes está disposto a colaborar com a atração de investimentos e, nas próximas semanas, o governo publicará regulamentações sobre semicondutores, que poderá ajudar nesse processo.
A intenção é clara: o Brasil quer ter uma indústria local de semicondutores. O presidente da Anfavea revelou que já existe uma instalação, que recebeu dinheiro do BNDES, em Minas Gerais que pode ser uma alternativa para produção local.
“É a Unitec, em Ribeirão das Neves, próxima ao aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. Ela foi construída com tecnologia de ponta na época mas nunca foi utilizada. Não operou por falta de mão de obra especializada, o que é outro problema. Ela está em recuperação judicial, já teve algumas máquinas vendidas, mas tem toda a infraestrutura, é uma possibilidade”.
Não é a única, garantiu o executivo, que disse ser mais importante ter dado o pontapé inicial nessa questão: “Sempre que falamos em semicondutores sabíamos que não seria algo imediato. É uma questão de médio prazo, mas fundamental para o processo de reindustrialização do País. Mas está mais quente agora, com esse primeiro passo concreto que é a viagem ao Japão”.
Segundo reportagens publicadas pela imprensa a Unitec foi criada em 2012 como um marco tecnológico e recebeu investimentos de R$ 1 bilhão com o objetivo de ser a maior fabricante da América Latina, mas jamais produziu um semicondutor. O BNDES detém 40% da participação acionária, mesmo porcentual do grupo argentino Corporación América. O BDMG, a IBM, a Intecs e a Matec Engenharia também possuem participação. Sua dívida hoje supera os R$ 600 milhões, boa parte referente a salários atrasados e custos trabalhistas.
De volta para o futuro – Lima Leite observou, também, os avanços do projeto que divulgou no mês passado, que visa à ampliação das exportações da cadeia fornecedora a partir de mapeamento da própria Anfavea. Segundo ele as conversas com o Sindipeças, que representa a cadeia fornecedora, estão avançando e a indústria do aço sinalizou intenção de integrar a iniciativa.
Para ele o programa é importante “na luta da Anfavea de reindustrializar o Brasil”.