Projeto se estenderá por dois anos e deverá consumir R$ 2 milhões
São Paulo – A startup fabricante de tratores elétricos Yak e a multinacional do setor químico Dow embarcaram em projeto para desenvolver módulos de bateria para veículos pesados. A ideia é, em um primeiro momento, empregar as baterias nos próprios tratores da Yak e, posteriormente, expandir sua aplicação a empilhadeiras, carrinhos de golf e até caminhões e ônibus.
A iniciativa deverá se estender por dois anos e a expectativa é a de que sejam investidos em torno de R$ 2 milhões ao longo desse período. A Yak deverá entrar com a parte do design dos módulos e a Dow com os silicones e com os testes em laboratório, a fim de assegurar que se trata de um produto seguro, eliminando o risco de explosão, por exemplo.
A parceria da startup com a multinacional atendeu às necessidades de ambos os lados, pois a Yak ansiava por desenvolver solução mais acessível e versátil do que os packs de baterias usados nos tratores, importados da China. E a Dow procurava startups para agregar mais valor às tecnologias da companhia e levar inovação aos mercados em que opera, além de incrementar suas metas de ESG na redução de emissões.
Segundo o fundador e CEO da Yak, João Osório, a Dow será fundamental para ajudá-los com relação à transferência de calor das células pois dispõe de soluções para esse tipo de aplicação. Outro ponto, também relacionado à temperatura, é a tecnologia da indústria química capaz de prevenir incêndios, uma vez que ao evitar a dissipação de calor das células é possível evitar ou, na pior das hipóteses, atrasar bastante o processo.
Thays dos Santos, gerente de desenvolvimento de mercados da Dow, contou que será feita análise computacional para entender como funciona a dissipação de calor desse produto, em parceria com equipe dos Estados Unidos, onde existem projetos envolvendo baterias mas não para esse segmento. Os testes serão realizados no laboratório da indústria em Jundiaí, SP.
“É muito vanguardista e ambicioso pensar em fazer um desenvolvimento deste tamanho, para esse tipo de mercado, com os incentivos que temos hoje. Ao final tenho certeza de que entregaremos algo muito disruptivo ao mercado de mobilidade.”
Maior possibilidade de uso –A Yak hoje utiliza packs de bateria importados, adquiridos principalmente da chinesa Calb. E, além de comprar esses conjuntos para movimentar os tratores, a startup também os fornece para outros veículos.
“O pack de bateria é dimensionado para um veículo específico. Mas quando se fala em módulos, além de os volumes serem menores, eles podem ser agrupados de diferentes maneiras para servir a aplicações distintas. Eu posso tirar um conjunto de módulos de um trator X e montá-lo em um arranjo diferente para que ele seja aplicado também em um trator Y. Eles podem ser ligados em arranjos diferentes para atender os nossos veículos e outros também.”
Trator elétrico da Yak hoje é movido a pack de bateria importado
Isso dará autonomia à Yak, que poderá comercializar esses módulos para outras empresas no Brasil: “Hoje já vendemos packs de baterias e enfrentamos esse problema. Temos de desenvolver projeto para veículos determinados. Quando o sistema de módulos estiver pronto selecionaremos quantos são necessários sem estabelecer nada adicional.”
Santos disse que um dos principais objetivos da parceria é fortalecer a cadeia de valor local, o que traz benefícios como a industrialização e a autonomia da América Latina e, no caso, do Brasil.
“Dentro do mercado de tratores, hoje, são poucas as empresas que estão pensando em eletrificação. Entendemos que se trata de um mercado muito potencial. Não é uma aposta vazia. É uma tendência. A América Latina sairá na frente e poderemos levar essa tecnologia para outras regiões também.”
A Dow possui a meta de zerar suas emissões até 2050. E a neutralização de emissões, pontuou Santos, é algo que não se faz sozinho pois trata-se de pacto global. Então selar parceria na área de mobilidade vai ao encontro das metas de ESG da companhia.
“E sempre batemos, também, na questão do incentivo governamental. Pois só conseguiremos ter tecnologias de mobilidade que sejam acessíveis quando houver esse incentivo. Assim como mais infraestrutura.”