Curitiba, PR – A Volvo poderia ter produzido até 15% mais caminhões e ônibus em 2022 não fosse a crise de componentes que afetou toda a indústria, estimou o presidente para a América Latina, Wílson Lirmann. A região tem, de acordo com ele, o maior volume de vendas dentro da Volvo no mundo até o fim do terceiro trimestre – mas, ainda assim, ficou a sensação de que o desempenho poderia ser melhor.
No Brasil as vendas da Volvo avançaram 14%, enquanto o mercado de caminhões acima de 17 toneladas recuou 2%. O diretor executivo da Volvo Caminhões, Alcides Cavalcanti, disse que o segmento de pesados, no qual a Volvo compete com a linha FH, recuou 5% mas as vendas da companhia cresceram 8,3%.
“O FH 540 é mais uma vez o caminhão mais vendido do Brasil. Desde 2019 ocupa o posto. E, agora, também é o mais procurado no segmento de seminovos.”
O que surpreende é o desempenho dos semipesados VM: as vendas cresceram 53% até o fim de setembro, de acordo com o executivo: “O VM 270 é, pela primeira vez, o semipesado mais vendido do mercado brasileiro”.
O presidente Lirmann disse que ainda há dificuldades na cadeia produtiva, e não só em semicondutores: “Cada hora é um componente diferente. Pneus seguem sendo problema, semicondutores também, mas há outros casos. Nossa equipe trabalha para minimizar os impactos, produzimos caminhões com uma ou outra peça faltando e adicionamos depois, quando possível. Mas todo cliente recebe o caminhão completo”.
A Volvo reduziu o prazo de sua carteira de pedidos, para evitar contratempos: “Por causa da inflação precisamos fazer isto. Em alguns casos entregamos o caminhão com preço defasado pois não havia espaço para renegociar”.
Lirmann não vê perspectiva de melhora até o fim do ano, o que deve reduzir uma possível corrida por modelos Euro 5 antes da troca das normas de emissão, programada para 1º de janeiro. O presidente acredita que na Fenatran, que ocorrerá no começo de novembro, as vendas sejam, já, concentradas na linha Euro 6, que a Volvo apresentou na segunda-feira, 3.