São Paulo – Ex-presidente da Volkswagen América Latina, atual CEO da operação da empresa na América do Norte, Pablo Di Si não só se mudou para o outro extremo do continente como passou a lidar com mercado de 14 milhões de veículos anuais, quase sete vezes maior do que o brasileiro. Em um defendia a bandeira do etanol, no outro tem como missão priorizar o elétrico.
Há dois meses nos Estados Unidos, onde 6% das vendas são de carros movidos a bateria, segmento que cresceu 70% com relação ao ano anterior, ele se disse ainda mais convicto de que cada país tem que seguir seu caminho ao pontuar a quantidade de empregos que são gerados no Brasil pelo etanol.
“Quando levei isso à matriz disse que cada local tem que aproveitar o que tem de melhor, e o melhor para o Brasil é o etanol. O importante é que a energia seja renovável, do poço à roda. E estou mais convencido, agora, de que o caminho é esse, principalmente porque não requer megainvestimentos.”
Ao traçar paralelo com os Estados Unidos, durante apresentação no primeiro dia do Congresso Perspectivas 2023, realizado pela AutoData Editora até sexta-feira, 28, de forma online, Di Si contextualizou que lá não existe a complexidade tributária nem logística típica do Brasil, que faz com que um ano de trabalho corresponda a dez em outros países.
Mas trata-se de público consumidor acostumado a ter os melhores carros do mundo, pontuou. O que demanda suntuosos investimentos, ao citar que há aportes de até US$ 15 bilhões previstos para os próximos dois ou três anos.
Produzir veículos elétricos e baterias, sem contar os minerais matéria-prima, que precisam ser importados, demanda cifra em torno de US$ 10 bilhões, estimou. Só a Volkswagen investiu em fábrica no Tennessee e na montagem de baterias, nos últimos anos, US$ 4 bilhões.
Somando isso ao estímulo à aquisição de modelo elétrico por meio de crédito federal de US$ 1,5 mil, mais US$ 5 a US$ 7 mil dependendo do Estado, se tem desconto que, de acordo com Di Si, pode chegar a US$ 15 mil. E o incentivo a este tipo de veículo tende a aumentar quando investidores se dizem dispostos a apostar em energia renovável e transformar a matriz energética estadunidense em cinco ou seis anos.
Diante dos fatos Di Si analisou que o elétrico chegará ao Brasil a uma velocidade menor ao estimar que a transição consuma em torno de duas décadas: “Se nos Estados Unidos nós temos problemas para carregar um carro elétrico imagina no Brasil”.
A principal reclamação em Washington, disse, mesmo tendo um posto a cada vinte quarteirões, é o tempo da recarga, de até 40 minutos. E constatou que o consumidor adora carro elétrico no Brasil, e não há problema nisso, mas que o que o cliente gosta de fato não é que ele seja movido a bateria mas, sim, pela presença de tecnologia embarcada, pelo torque na saída e pelo silêncio ao dirigir.
“O único ponto que é preciso melhorar no Brasil é o avanço tecnológico. Porque é possível pegar todo esse avanço digital e aplicar em um carro flex. A engenharia brasileira possui conhecimento fantástico. Cada um tem que se adaptar à sua realidade para criar seu próprio destino.”