Produção em janeiro superou apenas em 5% a do primeiro mês de 2022, já afetada pela falta de componentes
São Paulo – O tímido crescimento de 5% na produção nacional de veículos, que somou 152,7 mil unidades em janeiro, mesmo com um dia útil a mais do que no primeiro mês de 2022, que já vinha sendo afetado pela falta de semicondutores, pode ser justificado por dois fatores, de acordo com Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea: a adoção de férias coletivas por diversas fábricas no mês passado e a calibração das linhas para o atual estágio da demanda do mercado atual.
Com relação a dezembro as linhas produziram 20,3% menos veículos.
Em 2022, segundo o presidente, diversas empresas mantiveram os trabalhadores nas fábricas mesmo diante da escassez de semicondutores e da crise de abastecimento de componentes. A ideia era que, com a chegada de lotes de peças, a produção fosse retomada, ainda que em ritmo mais lento – e foi, pois saíram das fábricas apenas 145,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus em janeiro do ano passado. Um ano antes a produção somara 200,4 mil unidades no primeiro mês.
Neste ano, porém, muitas fabricantes, em especial as de caminhões e ônibus que estão ajustando suas linhas para a produção de veículos com a tecnologia de emissões Euro 6, acabaram adotando as férias em janeiro. Mas não foi só isso:
“Existem as incertezas a respeito do mercado. As vendas ficaram abaixo das expectativas e já há um ajuste das fábricas em função da baixa demanda”.
Como o recorte é pequeno Lima Leite manteve a cautela. Enfatizou que existe a sazonalidade natural de janeiro e que a Anfavea espera que, em 2023, o ano do brasileiro volte a começar após o carnaval: “Acreditamos que de março a abril comecemos uma arrancada, como ocorre todos os anos”.
O presidente da Anfavea voltou a defender a reindustrialização do País e, agora, passou a pleitear o retorno do imposto de importação para veículos elétricos, que está zerado. Segundo ele, da forma que está posta, com alíquota zero, o investimento em produção de elétricos no Brasil pode ser inibido: “Não defendemos o retorno deste imposto hoje, amanhã ou em julho. Mas precisamos pensar nisso. São milhares de empregos em jogo”.
A indústria fechou janeiro com 102,1 mil trabalhadores com carteira assinada, cerca de duzentos a mais do que em dezembro. Em um ano foram gerados 1,3 mil empregos pelas empresas produtoras de veículos.