São Paulo – O desenvolvimento de uma cadeia completa de produção de baterias para veículos elétricos no Brasil dependerá, muito, do apoio do governo, especialmente na área de financiamento e subsídio para pesquisas. O tema foi debatido no painel do Seminário AutoData Brasil Elétrico + ESG com representantes de três empresas que estão investindo, no primeiro momento, na montagem de packs: Moura, BorgWarner e Suspensys, da Randoncorp.
Luiz Mello, diretor de baterias e de redes de serviço da Moura, afirmou que a produção local de baterias é um sonho, mas a realidade ainda é distante: “Não vejo espaço para a produção de células de baterias no Brasil nos próximos dez anos. O governo precisaria participar, definindo políticas públicas para financiamento e subsídios para a produção. O setor cresce na Europa e nos Estados Unidos, mas quando você observa de perto percebe que existem subsídios”.
Carlos Eduardo Beraldo, chefe de eletromobilidade da Suspensys, lembrou que a indústria de baterias para elétricos começou a se desenvolver há mais de dez anos na China, hoje o local mais desenvolvido e com mais escala de produção – e, por isto, é complicado competir.
Mas para Marcelo Rezende, diretor de sistemas de baterias da BorgWarner, é fundamental que o setor se desenvolva no Brasil: “Ou sofreremos, como recentemente sofremos, no caso dos semicondutores. Precisamos pensar em algo diferente, um esforço conjunto de toda a cadeia para que possamos ter a produção local de um item que é fundamental para a eletromobilidade”.
Promissor nos comerciais
Os investimentos públicos em ônibus elétrico para mobilidade urbana direciona os negócios dos três fornecedores, que dizem estar prontos para atender a demanda que está por vir. A ideia, agora, é passar a participar com as montadoras do desenvolvimento dos produtos, segundo Beraldo:
“Precisamos passar a oferecer a solução sob medida para o projeto. O veículo nos é apresentado e desenvolvemos o produto que se encaixe nele. Não o contrário, com baterias de prateleira para se colocar nos veículos”.
Mello concorda e acrescenta que, “assim nacionalizamos, também, a engenharia”.
O diretor da Moura acredita, também, que no caso dos leves a produção das baterias não será terceirizada: as próprias montadoras ficarão responsáveis por isto, assim como vem acontecendo no Exterior.
Rezende disse que o mercado de comerciais elétricos é promissor: a BorgWarner projeta que, nos próximos cinco anos, crescerá 400%.