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Setor de autopeças projeta faturamento de R$ 248 bilhões em 2024

Cifra representa avanço nominal de 4% com relação ao valor esperado para o fechamento do ano passado, de R$ 238,2 bilhões, alta de 1,9% ante 2022

São Paulo – A expectativa de continuidade da retomada das vendas de veículos 0 KM em 2024 traz na sua esteira maior otimismo também por parte dos fabricantes de peças e componentes. Enquanto a Anfavea projeta incremento de 7% nas vendas, que poderão alcançar 2 milhões 450 mil unidades, e de 4,7% na produção, para 2 milhões 470 mil unidades, o Sindipeças espera um faturamento nominal de R$ 247,7 bilhões, 4% acima ao obtido no ano passado, cujo balanço ainda não foi fechado mas que tem expectativa de R$ 238,2 bilhões em receita, 1,9% a mais do que em 2022.

Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças, destacou que o crescimento de 2023 ocorreu nos segmentos de reposição, que ganhou força após a pandemia com a maior demanda por parte dos veículos usados, e exportação. O fornecimento para montadoras possivelmente foi menor do que em 2022.

Ele referiu-se ao fato de que, no ano passado, 60,4% da receita devem ter sido geradas pelas montadoras — em 2022 este índice foi 61,4%. As vendas para o aftermarket devem ter respondido por 22,5% do total, ante 21,7% no ano anterior. A participação das exportações, de acordo com levantamento realizado pela entidade, também avançará de 13,8% para 14%.

“Em 2024, no entanto, a previsão é de crescimento nominal maior, de 4%, para R$ 247,7 bilhões. Os investimentos, que sofreram redução em 2023, podem crescer 2,1% este ano, totalizando cerca de R$ 6 bilhões.”

A perspectiva é a de que as encomendas das montadoras voltem a crescer, respondendo por 61,1%, ao passo que a reposição deverá ter leve recuo, para 22,3%, e as exportações deverão voltar ao peso de 2022, com 13,5%.

Quanto aos investimentos mencionados por Sahad, no ano passado, devido à menor demanda por veículos – por causa do cenário de juros elevados, crédito escasso, economia em recuperação e, no caso dos pesados, mudança para o Euro 6, que elevou os preços dos veículos de 15% a 30% – foi colocado o pé no freio dos aportes, que devem recuar 13%, para R$ 5,82 bilhões – em 2022 foram investidos R$ 6,7 bilhões.

Para este ano o presidente do Sindipeças aposta na redução da Selic, que deverá fechar o ano de 8,5% a 9% pois a inflação também deverá diminuir, para 4% a 4,5%: “As condições de crédito melhorarão e a seletividade dos bancos deverá ser mais branda, pois a inadimplência deverá declinar”.

Brasil pode ser referência na exportação de carros flex e seus componentes

Sahad defende a manutenção do País como polo produtor de motores a combustão, uma vez que, diante da transição à eletrificação de regiões como Estados Unidos e Europa, o Brasil pode beneficiar-se e reposicionar a indústria automotiva brasileira mundialmente.    

“O Brasil pode ser um hub de exportação de modelos flex. Após vinte anos e 40 milhões de unidades produzidas 85% da frota circulante no País é bicombustível.”

Para ampliar as exportações pondera que é preciso que a reforma tributária, promulgada no fim do ano passado, reduza o custo Brasil e a carga de impostos que deixam o produto local mais caro:

“Temos tudo para assumir este protagonismo. Dados recentes mostram nossa liderança na América do Sul, temos importantes relações com México e alcançamos os mercados dos Estados Unidos e do Canadá”.

O levantamento da entidade aponta para receita de US$ 9,2 bilhões a partir das exportações de autopeças em 2023, avanço de 11% ante 2022, ao mesmo tempo em que as importações recuaram 5%, para US$ 18,4 bilhões. Para este ano a perspectiva é a de que as exportações cresçam 8% e gerem US$ 9,9 bilhões, e os ingressos de produtos aumentem 1%, para US$ 18,6 bilhões. Com isto o déficit da balança comercial poderá recuar 6,1% ao passar de US$ 9,2 bilhões para US$ 8,6 bilhões.

As exportações de veículos deverão encerrar 2023 com recuo de 17,1%, para 398,7 mil unidades, devido ao encolhimento de mercados como os do Chile e da Colômbia, além da escassez de divisas na Argentina. Este ano, porém, é aguardada alta de 2%, para 407 mil unidades.

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