São Paulo – Pieter Klinkers, novo CEO global do Grupo Iochpe-Maxion – ele assumiu a posição em abril, sucedendo a Marcos de Oliveira – disse que teve uma boa experiência em seu primeiro Investor Day à frente da companhia, realizado na terça-feira, 26, para divulgar o balanço e desempenho do primeiro semestre: “Apresentamos bons resultados, assim fica tudo bem, ninguém reclama”.
Nos primeiros seis meses do ano a receita operacional global da Iochpe-Maxion somou R$ 8 bilhões, em crescimento de 8,1% sobre a primeira metade de 2024 e margem de 10% sobre o EBTIDA, lucro antes de impostos, juros e depreciação de ativos, que atingiu R$ 805 milhões, em avanço de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado. Impactado por impostos e serviços da dívida o lucro líquido apurado foi de R$ 98 milhões, em alta de 12,6%.
Com 33 plantas industriais em catorze países, e 17 mil empregados, a companhia é a mais multinacional das empresas brasileiras, com 75% do faturamento no Exterior, mas o Brasil segue sendo o maior mercado individual, com 25% das vendas, incluindo rodas e componentes estruturais. A Europa – 27 países da União Europeia mais Reino Unido e Turquia – segue sendo a região que mais contribui, com 37% das receitas no primeiro semestre.
A Iochpe-Maxion segue reduzindo o endividamento: ao fim do segundo trimestre de 2025 a dívida líquida somava pouco mais de R$ 3,8 bilhões, o equivalente a 2,38 vezes o EBTIDA de R$ quase R$ 1,7 bilhão apurado nos últimos doze meses.
Klinkers afirmou que um de seus objetivos é reduzir o custo da dívida para melhorar os resultados da empresa: “Boa parte da dívida é contraída no Brasil [em reais] e o País não é barato, provavelmente um dos lugares mais caros do mundo, por causa dos juros altos. Queremos pagar menos juros e estamos trabalhando muito nessa desalavancagem. Mas já estamos melhores. Depois da covid nossa relação dívida/EBITDA estava muito alta. Hoje estamos em uma posição muito mais saudável, mas queremos reduzir isso um pouco mais, para poder gastar nosso dinheiro em outras coisas e não pagar só os juros”.
Oportunidades
Uma das maneiras de reduzir o endividamento é aumentando as receitas, o que segundo Klinkers virá de crescimentos orgânicos em mercados como Brasil, Índia, México, Estados Unidos e China, com a conquista de novos clientes, contratos de fornecimento e oferta de novos produtos, especialmente rodas projetadas para carros elétricos com redução de peso e ruídos.
“Vejo a eletrificação como uma oportunidade para nós”, afirma o CEO. “Independentemente do combustível, seja gasolina, diesel ou eletricidade, todos os carros continuarão precisando de rodas, que podem ser projetadas especialmente para carros elétricos para reduzir peso e ruído, e isto abre novas possibilidade de fornecimento.”
Estas novas fontes de receitas estão no centro dos objetivos dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento da empresa, que destinou R$ 208,2 milhões a novos projetos de componentes estruturais e rodas. A Iochpe-Maxion também tem acesso a uma linha de financiamento subsidiada da Finep, de R$ 357 milhões, que será destinada a adoção de soluções de automação, transformação digital e inteligência artificial em processos industriais.
Dentre os principais projetos que começam a se pagar está o desenvolvimento, pela Maxion Structural Components, de estruturas de chassi para veículos eletrificados, como suportes de alumínio para módulos de baterias.
Na Maxion Wheels as rodas de aço estilizadas – como as de alumínio mas mais baratas – estão aumentando a participação nos fornecimentos. No primeiro semestre deste ano as vendas destes modelos cresceram 27,5% em comparação com o mesmo período de 2024, enquanto o faturamento das rodas de aço convencionais, sem estilizações, avançou 8,5%.
As rodas Maxion Fusion, que combinam materiais, já têm dois programas de desenvolvimento com clientes em andamento. Já as rodas de aço com tecnologia NVH Wheel, para redução de ruído, devem ter volume adicional significante em 2025, segundo projeta a empresa.
Estrangeiro global
Klinkers é holandês mas em seus trinta anos de carreira profissional nunca trabalhou em uma empresa holandesa, somando passagens por ZF, Michelin e a fabricante estadunidense de rodas Hayes Lemmers, comprada pela Iochpe-Maxion em 2005: “Quando as pessoas me perguntam de onde eu sou, digo que sou global”. Tão global quanto é hoje a Iochpe-Maxion. Por isto Klinkers vê com naturalidade o fato de ter sido escolhido para o posto de CEO do grupo brasileiro. Ele brincou: “Acho que foi porque eu custava menos”.
“Creio que faz sentido um gerente não-brasileiro para uma empresa que tem a maior parte de seu faturamento fora de seu país de origem. Mesmo que essa posição seja nova para mim, eu estou na empresa há dezessete anos e eu estou dirigindo a Maxion Wheels [era o CEO] há dez anos, que representa 75% da [receita da] empresa. Então, ter alguém de dentro, às vezes, é a solução preferida.”
Klinkers, que faz aulas de português, afirma que está se adaptano bem à cultura corporativa do Grupo Iochpe-Maxion, que segundo ele não é tão diferente do resto do mundo: “As diferenças culturais eram mais importantes há vinte anos do que são hoje. Por causa das mídias sociais, da internacionalização, eu acho que as pessoas não são tão diferentes hoje em dia. Isto dito eu gosto da diversidade de culturas que temos na empresa [que tem funcionários de 49 nacionalidades]”.
Sobre as dificuldades para dirigir uma corporação global em meio ao cenário geopolítico instável dos dias atuais Klinkers avalia que essas condições também trazem oportunidades para a empresa. Para representar essa potencialidade ele colocou, no último slide da apresentação aos analistas no Investor Day, uma frase de um ídolo brasileiro, o piloto Ayrton Senna, que dizia: “Você não consegue ultrapassar quinze carros em um dia ensolarado, mas pode quando está chovendo”.