Líder no segmento de veículos a gás na Europa, o Iveco Group já superou a marca de 100.000 motores a gás produzidos por meio de sua divisão FPT Industrial. Por entender que a solução passa por tecnologias adequadas ao potencial de biocombustíveis de cada região, a estratégia na América Latina considera o uso de gás natural e do biometano. Mas não apenas nisso: em 2024, a FPT anunciou investimento de R$ 127 milhões até 2028 para o desenvolvimento de novos motores bicombustível, explorando matrizes limpas como biodiesel e etanol.
Dentro dessa estratégia, a marca desenvolveu, em parceria com a CNH, os motores N67 Etanol e CURSOR 13 Etanol com Ciclo Otto, com conceito semelhante ao de carros flex. Entre os benefícios do uso do etanol estão o fato de ser um combustível renovável, que reduz as emissões de gases de efeito estufa em até 90% em relação aos combustíveis fósseis, além de proporcionar redução de custos operacionais com transporte e logística e ter menos oscilações de preços, em relação aos derivados do petróleo. A engenharia local já desenvolveu motor 100% etanol para colheitadeiras e tratores, com potencial de aplicação futura em veículos comerciais, tornando operações integralmente renováveis.
A marca também lançou o Repower FPT, que permite a substituição de motores a diesel por versões a gás, no padrão Euro 6, e iniciou a produção local dos motores movidos a gás N60 NG, N67 NG e CURSOR 13 NG na fábrica de Córdoba, na Argentina.
O Repower FPT é uma solução de fábrica que substitui o motor a diesel de um caminhão usado, por um motor novo, de ciclo Otto, movido a gás natural e biometano, aumentando a vida útil, proporcionando melhor desempenho e a disponibilidade, que estará sempre apto a trabalhar. Além disso, o motor novo entrega consumo eficiente e menores emissões, já que agrega as últimas tecnologias em powertrain.
Essa visão compõe o conceito de lifecycle thinking do Iveco Group, em que os recursos são utilizados integralmente pelo maior tempo, produtos e materiais são recuperados e reutilizados até o fim da vida útil. Como parte da estratégia multicombustível da FPT Industrial, o gás natural se consolida como uma tecnologia confiável, evolutiva e de alto potencial para a América Latina.
Produção nacional
Fornecedora global de soluções inovadoras para sistemas de propulsão, a Horse Powertrain investe em diferentes tecnologias para apoiar a indústria automotiva e outros setores que necessitam de geração de energia em sua transição para um futuro sustentável. A empresa desenvolve, produz e fornece sistemas de propulsão altamente eficientes, híbridos completos, híbridos plug-in e ICE (combustão interna). São 8 milhões de unidades por ano para seus clientes ao redor do mundo.
No início deste ano, a Horse iniciou a produção do motor HR13 turboflex, 1.3 litro, quatro cilindros e 163 cv, em São José dos Pinhais (PR). Desenvolvido para o mercado sul-americano pela Horse Technologies, divisão da Horse Powertrain, o HR13 atende às normas Proconve L8. O HR13 conta com um sistema de injeção direta desenvolvido especialmente para o uso de etanol. Cada cilindro é equipado com injetores de seis furos montados centralmente, operando a 200 bar de pressão, projetados para uma atomização excepcional do combustível, que proporciona potência e torque sem comprometer a eficiência do combustível.
“Esta ação reforça nosso compromisso com o mercado brasileiro e com a América do Sul. Nossa mensagem sempre foi clara: não existe uma solução única para a mobilidade global, mas sim soluções sob medida que atendam às necessidades regionais. O HR13 reflete essa filosofia, movido por combustíveis flex de baixo carbono e otimizado para as necessidades do mercado brasileiro,” argumenta Patrice Haettel, CEO da Horse Technologies.
Além de abastecer a Renault, a Horse fornece sistemas híbridos e desenvolveu, em parceria com a WEG, o Range Extender, sistema que já equipa o micro-ônibus elétrico Volare da Marcopolo que será lançado no princípio de 2026.
A produção local substitui importações da Espanha, fortalecendo a cadeia automotiva nacional e tornando a unidade referência em motopropulsores flex. O HR13 é fabricado ao lado do HR10 1.0 Turbo, também nacionalizado. Complementando o investimento, a Horse anunciou recentemente mais R$ 200 milhões para instalar linha inédita de fundição por gravidade de cabeçotes de alumínio, com capacidade de 210 mil peças por ano e 60 novos postos de trabalho. Com capacidade para até 600 mil motores por ano, a planta de São José dos Pinhais avança como centro estratégico da nova mobilidade.
Unidade brasileira faz história
Multinacional de sistemas de propulsão, a Phinia realça o protagonismo da engenharia brasileira como polo estratégico no avanço de soluções sustentáveis para a mobilidade. Baseada em Piracicaba (SP), a iniciativa de suportar o projeto global de desenvolvimento de motor a combustão movido a hidrogênio fortalece a cadeia global de inovação automotiva rumo à descarbonização.
A equipe sediada na planta do interior de SP atua no desenvolvimento de software e no gerenciamento eletrônico do motor, contribuindo diretamente para testes em veículos protótipos — três vans em circulação na Europa e uma em finalização nos EUA.
O sistema exclusivo de injeção criado pela Phinia permite queima segura do hidrogênio, mesmo com menor grau de pureza, o que reduz custos e amplia a viabilidade técnica. Essa alternativa tecnológica habilita as montadoras a reutilizarem os motores de combustão interna em uso por décadas através do uso combustível sustentável e com baixa pegada de carbono (emissões muito baixas de CO2, HC e NOx), uma alternativa robusta e confiável aos veículos elétricos e movidos a células de combustível, os quais apresentam seus desafios como tempo de recarga e custo (o custo de uma célula de combustível pode chegar a 80% do custo do veículo), por exemplo.
Tanques e componentes utilizam aço especial para evitar vazamentos do elemento altamente inflamável. A eficiência energética do hidrogênio garante desempenho equivalente ao diesel, com redução de emissões de CO₂ superior a 99% além de garantir potência.
As principais vantagens do motor a combustão interna (ICE) movido a hidrogênio são a comprovada durabilidade desse tipo de solução, a infraestrutura existente na cadeia de suprimentos, bem como a adaptação a sistemas de propulsão flexível capazes de utilizarem com eficiência uma grande variedade de combustíveis. A tecnologia exige um grau de modificações modestas para adaptar motores tradicionais ao uso do H2, o que é uma vantagem considerável ao avaliar a frota circulante. Além disso, a iniciativa é robusta considerando a qualidade do combustível H2 e, principalmente, considerando as condições ambientais. De acordo com a Phinia, o reabastecimento rápido com H2 permite o uso em vários turnos nas operações em que não se permite paradas longas, além de garantir potência e desempenho equivalentes ao motor diesel.