São Paulo – Dez veículos elétricos foram incendiados pela ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, e pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, nos testes para saber qual a real intensidade do incêndio dos veículos e suas baterias. A conclusão, segundo Clemente Gauer, coordenador do grupo de trabalho sobre segurança da ABVE, é que o fogo gerado em um incêndio de carro elétrico é similar ao de um modelo a combustão.
As análises foram feitas por bombeiros de Franco da Rocha, SP, e divulgadas em painel do C-Move, Congresso da Mobilidade Verde e Veículos Elétricos, realizado em São Paulo. Foram testados também todos os tipos de bateria usadas nos veículos elétricos, uma vez que suas composições minerais são diferentes, e nenhuma apresentou incêndio mais intenso ou perigoso do que o de um carro a combustão.
No caso da bateria de LFP, fosfato de ferro-lítio, mesmo fazendo perfurações, apenas um grande volume de fumaça saiu, mas não chegou a pegar fogo.
De acordo com Gauer a questão da segurança nas garagens dos edifícios foi um tema adiado por muito tempo, mas que ganhou força com o crescimento das vendas de veículos elétricos no País: “É o momento de atualizar, de garantir que as garagens tenham mais segurança. Mas não por causa do veículo elétrico, pois comprovamos que o incêndio dele é igual ao de um modelo a combustão”.
Tadeu Azevedo, CEO da Power2Go, fabricante de eletropostos, disse que o risco de um veículo elétrico pegar fogo é 60% menor do que um modelo similar a combustão. Mas quando ocorre o incêndio a liberação de calor é a mesma, e o volume de água demandado é de 3 a 5 mil litros, quantidade que é abastecida em um caminhão.
“O momento é de tranquilidade, pois as notícias dos testes são boas. Os bombeiros coletaram e documentaram muitas informações, entendendo que as estratégias para combater o incêndio de um veículo elétrico são parecidas com as que eles já usam em carros a combustão.”
Azevedo afirmou que as recargas nas garagens devem ser feitas sempre por meio de um wallbox conectado à rede elétrica do edíficio. Desta forma é possível garantir a segurança da operação. No caso de carregadores portáteis, que se conectam a tomadas comuns de 220V, a recarga não é recomendada e não deve ser autorizada.
Com relação a possíveis danos na estrutura dos edifícios após o incêndio de um veículo elétrico o risco é o mesmo de qualquer outro carro, de acordo com dados coletados em outros países. Na Coréia do Sul houve um incêndio em uma garagem que atingiu quarenta carros elétricos e a estrutura do prédio não foi danificada, mesmo com oito horas de fogo. Em outros casos houve danos estruturais, então tudo depende da construção de cada prédio.
Após todas as informações coletadas a expectativa de Gauer e de Azevedo é de que o Estado de São Paulo seja o primeiro a publicar a regulamentação da infraestrutura necessária para a instalação de eletropostos nas garagens. O processo, porém, ainda deverá demorar alguns meses: o debate retornará a audiência pública e possíveis adequações podem ser solicitadas.