São Paulo – Após o tombo de 11% nas vendas de caminhões superiores a 16 toneladas no mercado brasileiro no ano passado a Volvo espera mais um ano difícil, com recuo de 5% a 10% nas vendas dos segmentos semipesado e pesado. A principal razão, de acordo com o seu presidente para a América Latina, Wílson Lirmann, é o crédito com custo elevado, impulsionado pela taxa básica de juros de 15%.
“Existem outros desafios, como a baixa rentabilidade do agronegócio e o fato de que 2026 é ano eleitoral”, afirmou o presidente, que também elencou pontos positivos: “O baixo desemprego estimula a atividade econômica, a safra de grãos terá bom resultado e a inflação está controlada, o que estimula corte nos juros”.
Lirmann afirmou, também, que torce para errar sua projeção: “Sempre torcemos para as projeções mais otimistas. Se alguns dos nossos competidores acertar uma queda menor, ou até um resultado melhor, não ficaremos chateados”.
No ano passado a Volvo negociou 20,1 mil caminhões no País, recuo de 13,6% com relação a 2024. Foi o segundo maior volume de entregas da companhia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A marca ficou na liderança dos segmentos acima de 16 toneladas e teve o caminhão mais vendido do ano, o FH 540.
América Latina
Na região as vendas da Volvo recuaram 6%, para 25,7 mil caminhões. Lirmann destacou o bom desempenho no Peru, segundo maior mercado da região, e o México, para onde a fábrica brasileira passou a exportar no ano passado e registrou oitenta unidades. Este ano o volume deverá crescer, segundo o presidente, com o início das vendas da linha VM.
Move Brasil ajuda
O diretor executivo da Volvo Caminhões, Alcides Cavalcanti, afirmou que em pouco mais de um mês foram negociadas cerca de trezentas unidades por meio do Move Brasil, programa de financiamento lançado pelo governo federal com taxas mais atrativas. Ele acredita que a tendência agora é que comece a ganhar tração:
“Demorou algumas semanas para que tudo fosse efetivamente operacionalizado no BNDES e no Volvo Financial Services. Foram quase duas semanas para isto, mas agora o programa começa a ganhar tração. Acredito que após o Carnaval pegue mais velocidade”.
A tendência é a de que o valor provisionado, em torno de R$ 10 bilhões, se esgote rapidamente. Segundo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o desembolso já supera o R$ 1,9 bilhão.