Sucessor do Renaulution prevê 36 lançamentos até 2030, dos quais catorze nos mercados internacionais, como o Brasil
São Paulo – Cinco anos após começar a arrumar a casa com o Renaulution, plano de negócios que visava à reestruturação financeira de sua operação, o Grupo Renault apresentou o Futuready, novo planejamento olhando para 2030. Anunciado pelo CEO François Provost, que assumiu no lugar de Luca de Meo há nove meses, tem como objetivo reformular o portfólio de veículos das marcas Renault, Dacia e Alpine e foca tanto na Europa como nos que a Renault chama de mercados internacionais – nos quais está incluído o Brasil, com grande relevância.
Embora seja um plano de forte investimento – estão previstos 36 novos modelos em quatro anos, com o pé no acelerador da eletrificação – Provost deixou claro que a meta é gerar resultados financeiros resilientes: a margem operacional deverá ficar de 5% a 7% do faturamento e a divisão automotiva, principal negócio da Renault, gerar pelo menos 1,5 bilhão de euros por ano, em média.
“Este plano se baseia em quatro pilares”, afirmou o CEO. “Em primeiro lugar o crescimento e os produtos. Lançaremos 36 novos modelos até 2030 e transformar profundamente a experiência do cliente durante o ciclo de vida dos nossos veículos. Depois aceleraremos nossos roadmaps tecnológicos, em todas as tecnologias-chave. Também definiremos objetivos bastante ambiciosos de desempenho operacional, com a generalização do uso de IA.”
Até 2030 a Renault tem como meta vender 2 milhões de veículos, metade na Europa e metade fora dela. Dentro de seu continente-raiz 100% das vendas serão de modelos eletrificados. Na Dacia a meta é também acelerar, com dois terços das vendas, em 2030, de híbridos e elétricos.
Plataforma elétrica
Na França está em desenvolvimento a plataforma REGV Medium 2.0, com arquitetura elétrica de 800 volts para que a recarga ultrarrápida esteja disponível aos consumidores. Modular, poderá gerar modelos dos segmentos B até o D, com carrocerias sedã, SUV e monovolume e terá níveis diferentes de eletrificação, incluindo a ranger extender, que vem ganhando espaço no mercado global.
Novas baterias estão sendo pensadas, para diferentes públicos e autonomias – mais simples para carros menores, mais robustas para comerciais e de segmentos topo de linha.O sistema operacional será desenvolvido em parceria com o Google com base no sistema Android.
Para os veículos híbridos segue a tecnologia E-Tech, que terá novas versões abaixo de 150 cv. Ela também será adotada fora da Europa com expectativa de redução significativa de custos.
Na América do Sul
Os planos para fora da Europa têm como foco Marrocos, Turquia, América do Sul, Coreia do Sul e Índia, locais onde a Renault mantém fábricas. No ano passado as vendas fora do continente cresceram 11%, para 620 mil veículos. O foco é chegar a 1 milhão em 2030.
Catorze novos modelos se juntarão aos cinco já apresentados no International Game Plan – Kardian, Duster, Koleos, Boreal e Filante. A parceria com a Geely e o compartilhamento da plataforma GEA ajudará a acelerar a eletrificação, com produção no Brasil e na Coreia do Sul.
Recentemente a Renault apresentou, na Índia, o Bridger Concept. O SUV, com menos de 4 metros, traz o que a companhia enxerga de referência nos centros urbanos para o segmento B, vetor de crescimento para os mercados fora da Europa.
O modelo de produção em série chega em 2027, inicialmente na Índia. Concebido com base na plataforma RGMP Small, a mesma de São José dos Pinhais, PR, terá versões a combustão, híbridas e elétricas, conforme o mercado. Depois de ser montado na Índia seguirá para outros mercados internacionais.