São Paulo – A sinalização do governo federal para elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32% levantou preocupação na indústria automotiva. A Agência AutoData teve acesso a documento assinado por Anfavea, Abeifa e Sindipeças encaminhado ao MME, Ministério de Minas e Energia, pedindo que a iniciativa passe por mais discussões antes de ser efetivada.
Na semana passada o ministro Alexandre Silveira afirmou que o tema entraria em pauta na próxima reunião do CNPE, Conselho Nacional de Política Energética, agendada para a quinta-feira, 7. A ideia é elevar a mistura imediatamente o que, segundo o ministro, tornaria o Brasil autossuficiente em gasolina – algo relevante no contexto atual, de guerra no Oriente Médio e alta volatilidade no fornecimento e preço do petróleo.
A indústria alerta, porém, que o aumento da mistura levanta questões técnicas, especialmente porque parte da frota circulante não foi desenvolvida considerando teores elevados de biocombustível na gasolina. Diz o documento: “A frota supera 60 milhões de veículos, quando considerados autoveículos e motocicletas, sendo aproximadamente 12% dos autoveículos e 70% das motocicletas movidos a gasolina”.
Para que a participação do etanol subisse de 27% para 30%, relembram as associações, testes foram feitos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com coordenação do MME. Também foi estabelecida uma tolerância de 2 pontos porcentuais. Ou seja: na prática a mistura do etanol pode chegar a 32% – e mais de 68% das amostras monitoradas pela ANP, Agência Nacional do Petróleo, apresentam teor de etanol superior a 30% na bomba. Com o aumento para 32% a tolerância sobe para 34%.
“Elevam-se os riscos para as tecnologias dedicadas exclusivamente à gasolina, uma vez que não há evidências do seu pleno funcionamento considerando estes níveis de mistura”, diz trecho do documento. “Nenhum dos testes do programa de elevação da mistura para E30 teve como objetivo validar a mistura obrigatória de 32%.”
Segundo uma fonte afirmou à reportagem as associações não estão contra o aumento da mistura mas querem que sejam feitos testes que comprovem a viabilidade técnica. E na conclusão do documento, encaminhado na semana passada ao ministério, Anfavea, Abeifa e Sindipeças se colocam à disposição para discutir a questão.