Fundep prepara chamada pública para projetos de IA veicular

São Paulo — O uso de inteligência artificial no contexto veicular sem abrir mão da privacidade de dados é um desafio para a indústria. A conectividade é uma das fortes tendências para os próximos anos e precisará ser amplamente estudada, disse Frederico Gadelha Guimarães, coordenador técnico da linha 6 do Programa Mover pela Fundep, durante sua apresentação no Congresso AutoData Megatendências 2026, realizado em São Paulo.

A Fundep, instituição que coordena três das sete linhas prioritárias do Programa Mover, está oferecendo às empresas do setor automotivo a possibilidade de prototipar e validar soluções de inteligência artificial em veículos conectados sem movimentar dados sensíveis, por meio de uma chamada pública vinculada ao Mover e de uma plataforma de aprendizado federado desenvolvida pela UFMG.

A linha 6, dedicada à conectividade veicular, é uma das três frentes coordenadas pela Fundep dentro dos sete programas prioritários do Mover – ao lado da linha 4, de ferramentarias brasileiras, e da linha 5, de biocombustíveis. Gadelha contou que o foco da linha não é a infraestrutura de conectividade em si mas as implicações e possibilidades que ela abre, especialmente no que diz respeito à inteligência gerada a partir dos dados coletados nos veículos.

O pano de fundo regulatório é central na sua proposta. A GDPR europeia, em vigor desde 2018, obrigou países com relações comerciais com a União Europeia a criarem legislações próprias de proteção de dados. No Brasil isso motivou a aprovação da LGPD, com vigência a partir de 2020.

“O acordo Mercosul-União Europeia amplia a pressão por transparência e conformidade de dados no Brasil.”

Desafios com privacidade

O problema é que o modelo tradicional de treinamento de inteligência artificial em que os dados dos veículos são transmitidos para a nuvem e usados para treinamento envolve o envio de grandes volumes de informações sensíveis, como padrões de comportamento do motorista e dados de localização. Isso gera conflitos com o novo marco regulatório, além de custos elevados de comunicação e problemas de escala.

A solução proposta pela Fundep é o aprendizado federado: o modelo de IA é treinado localmente, dentro do próprio veículo, e apenas os parâmetros do modelo são enviados à nuvem para serem agregados em um modelo global: “O valor não está necessariamente nos dados, mas no que a gente aprende com eles”.

Frederico Gadelha Guimarães, coordenador técnico da linha 6 do Programa Mover pela Fundep. Fotos: Bruna Nishihata.

A ideia surgiu em 2017, um ano após a GDPR, desenvolvida originalmente no contexto do Google para smartphones, e já acumula quase uma década de desenvolvimento científico. Para tornar viável a adoção desta tecnologia no setor automotivo brasileiro a Fundep desenvolveu, desde 2023 sob liderança técnica da UFMG, plataforma dedicada à prototipagem e experimentação com soluções de aprendizado federado voltadas aos veículos. A plataforma conta com infraestrutura de hardware e GPUs e permite testar e simular soluções antes de sua adoção real.

Sobre a segurança dentro da plataforma, Gadelha garantiu que nem mesmo os superusuários ou administradores da plataforma têm acesso aos dados de uma empresa dentro do projeto.

A chamada pública que será anunciada nos próximos dia pela Fundep selecionará até três propostas de empresas do setor, montadoras, sistemistas e seguradoras, para projetos curtos, de seis a oito meses, usando dados reais de veículos conectados.

As áreas temáticas abrangem descarbonização, conectividade do veículo com o ambiente externo, privacidade e segurança de dados, e manutenção preditiva: “Este é um papel do Mover: trazer provocações para o setor, trazer novas tecnologias, novos desafios para que o setor, como um todo, crie a experiência e aumente a sua competitividade”.

BYD lança Dolphin SE e atualiza Yuan Plus

São Paulo — A linha BYD Dolphin ganhou a versão SE, intermediária, com mudanças visuais e pacote técnico inédito no País. O modelo traz motor de 177 cv e autonomia de até 405 quilômetros, ciclo Nedc e recarga rápida que permite ir de 30% a 80% em cerca de 20 minutos. O hatch também incorpora novos itens de tecnologia e assistência à condução, incluindo pacote Adas.

Com preço sugerido de R$ 159 mil 990 passa a ocupar faixa intermediária de preço da marca, ampliando a oferta no segmento de compactos elétricos.

O Yuan Plus também foi atualizado e passou a contar com dois motores elétricos, tração integral e potência combinada de 449 cv. O conjunto reduz o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h para 3,9 segundos, ante 7,3 segundos da versão anterior. A bateria também foi ampliada, elevando a autonomia para até 530 quilômetros Nedc.

O SUV recebeu ainda mudanças no design, atualizações no interior e ampliação da capacidade do porta-malas, que passa para 490 litros, além de um compartimento adicional dianteiro. O modelo também ganhou reforços em segurança, com novos recursos de assistência e mais airbags.

Disponível na rede da BYD o Yuan Plus tem preço sugerido de R$ 269 mil 990.

Citroën C3 entra no programa Carro Sustentável

São Paulo – A Citroën atualizou a linha 2026 do C3 com mudanças na gama e ajustes técnicos visando à eficiência. O modelo passa a ser oferecido nas versões Live Go, Live Plus e Feel Plus, além das já conhecidas XTR e Turbo 200 AT, e foi incluído no programa Carro Sustentável.

A principal alteração está nas versões de entrada, que adotam novos pneus de baixa resistência ao rolamento, de acordo com a empresa: “a mudança reduz o consumo de combustível, emissões e ruído, e levou à recalibração dos sistemas de motor e freios. Essas configurações atenderam os critérios do programa Carro Sustentável, garantindo isenção de IPI”.

Com a reestruturação da linha a empresa adotou novos preços. A versão de entrada Live Go chega a R$ 76 mil 990 e a Live Plus parte de R$ 86 mil 990.

Dentre os conteúdos a versão Feel Plus passa a contar com painel digital de 7 polegadas e opção de acabamento interno mais sofisticado. A Live Plus inclui barras de teto, reforçando o apelo visual. O modelo mantém porta-malas de 367 litros, um dos maiores da categoria.

Todas as versões seguem equipadas com motor 1.0 Firefly de até 75 cv, já utilizado em outros modelos da Stellantis.

Stellantis desenvolve tecnologia REEV flex

São Paulo – A Stellantis está desenvolvendo a tecnologia REEV flex, que considera pioneira no mundo. O anúncio foi feito pelo presidente para a América do Sul, Herlander Zola, que confirmou a montagem do B10 e C10 em Goiana, PE – são os dois modelos do atual portfólio Leapmotor no Brasil.

Sem entrar em pormenores Zola contou que o Stellantis Tech Center está debruçado sobre o desenvolvimento do REEV flex. A tecnologia REEV é uma variação da híbrida, com a diferença de que a tração é 100% feita pelos motores elétricos: os propulsores à combustão funcionam como gerador para a bateria, estendendo a autonomia. 

A tecnologia é da Leapmotor, fabricante chinesa com a qual a Stellantis mantém joint-venture.

Zola disse ainda que a fábrica de Goiana, PE, passa por expansão para a criação de área para montar veículos Leapmotor. A intenção é que o sistema REEV flex equipe os modelos produzidos em Pernambuco.

Mercedes-Benz premia fornecedores por desempenho e sustentabilidade

São Paulo — A Mercedes-Benz premiou seus fornecedores durante evento realizado em 31 de março, na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. As iniciativas reconhecem desempenho operacional e avanços em sustentabilidade dentro da cadeia de suprimentos da empresa.

O Prêmio Interação 2026 destacou parceiros com melhor desempenho em custos, qualidade, logística, inovação e eficiência operacional. Já o Prêmio de Responsabilidade Socioambiental 2026 premiou fornecedores com projetos dedicados à redução de impactos ambientais e à geração de valor social.

Na agenda de sustentabilidade a empresa reforçou iniciativas já em curso, como o uso de energia solar, que zerou as emissões de escopo 2, a introdução de caminhões elétricos na logística interna e projetos de redução de consumo de água e reaproveitamento de materiais.

Vencedores do Prêmio Interação 2026

CATEGORIA PRODUTIVO

  • Categoria Custos: Tuptech
  • Categoria Qualidade: Toro
  • Categoria Logística: Schaeffler
  • Categoria Inovação: Castertech
  • Categoria Especial: Schulz

CATEGORIA SERVIÇOS

  • Categoria Excelência Operacional: Sesé Logística
  • Categoria Melhoria Contínua: Marimex
  • Categoria Especial: NTT Brasil

Vencedores do Prêmio de Responsabilidade Socioambiental 2026

  • Magius Metalúrgica
  • Iochpe-Maxion
  • Brose

Especial Yaris Cross: compacto tamanho família.

Embora esteja oficialmente classificado na confusa e excessivamente ampla categoria dos B-SUVs, o porte, visual, conteúdo tecnológico e preços do Yaris Cross colocam o mais novo modelo de entrada da Toyota no topo de seu segmento no mercado brasileiro. Na definição dos executivos de engenharia e marketing da fabricante no País o carro é um SUV urbano compacto de verdade – ao contrário dos muitos hatches que vêm sendo lançados como B-SUVs –, com espaço interno generoso para abrigar uma família com conforto e segurança, na cidade ou em viagens.

Também trata-se do primeiro SUV compacto do País que tem versões equipadas com sistema híbrido flex pleno fechado, em que o motor elétrico impulsiona o veículo nas partidas em baixa velocidade e a todo tempo ajuda a tracionar as rodas em combinação com o motor a combustão bicombustível, que também recarrega a bateria de íons de lítio de 177 V e 0,7 kWh.

“É a porta de entrada para os clientes que procuram um Toyota híbrido”, resume Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil. Outro atrativo, ele aponta, é a combinação da eletrificação com o motor flex bicombustível gasolina-etanol, uma solução que a fabricante de origem japonesa foi pioneira em desenvolver: “Esta tecnologia foi desenvolvida no Brasil e vem evoluindo, já vendemos mais de 100 mil unidades do Corolla sedã e do SUV Corolla Cross com este sistema”.

O Yaris Cross foi lançado em cinco versões: três delas – XR, XRE e XRX – são equipadas com motor flex a combustão 1.5 aspirado com injeção direta, que abastecido com etanol gera 122 cv a 6 000 rpm e 15,3 kgfm de torque máximo a 4 800 rpm, acoplado a câmbio automático tipo CVT que simula sete marchas, que nas versões XRE e XRX podem ser trocadas manualmente nas borboletas atrás do volante. 

As outras duas opções são híbridas, XRE Hybrid e XRX Hybrid. Ambas combinam motor flex 1.5 ciclo Atkinson de injeção direta, de 91 cv e torque de 12,3 kgfm a 5 500 rpm, com dois motores elétricos de 80 cv e 14,4 kgfm a 5 000 rpm. O conjunto gera potência combinada de 111 cv. A transmissão é a automática Hybrid Transaxle, acoplada diretamente ao eixo de tração. Não há borboletas para trocas manuais, mas no botão seletor o motorista pode escolher o modo de condução Normal, Eco, Power ou EV, de electric vehicle, para tração elétrica por curtas distâncias.

Esta reportagem foi publicada na edição 430 da revista AutoData, de Março de 2026. Para lê-la completa clique aqui.

Vendas de pneus recuam 11% e têm pior resultado desde 2019

São Paulo – A indústria brasileira de pneus comercializou, no primeiro bimestre, 5,5 milhões de unidades, 10,6% abaixo dos 6,1 milhões registrados nos dois meses iniciais de 2025. Trata-se do mais baixo resultado para o período desde 2019, quando foram comercializadas 7,5 milhões de unidades. Os dados foram divulgados pela Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.

Para a entidade o resultado reflete a concorrência desleal frente à importação de pneus, principalmente os de origem asiática. As vendas para o mercado de reposição recuaram 10,1% no período e, para as montadoras, 11,5%.

A participação dos pneus nacionais no mercado de reposição acumula 31% – em janeiro o índice despencou para 28%. Para efeito de comparação no primeiro bimestre do ano passado o porcentual era 41% e, em 2020, 73%.

Rodrigo Navarro, presidente da Anip, afirmou que os resultados seguem extremamente preocupantes para a indústria nacional, “colocando em risco a operação das fabricantes, os empregos e a própria soberania nacional para este insumo estratégico para o País que é o pneu e a borracha”.

A maior retração foi observada no segmento de pneus de carga, com recuo de 14,9%, enquanto no de passeio a queda foi de 9,8%. No segmento de pneus para motocicletas houve estabilidade.

Manifesto reúne quarenta entidades

Navarro informou que a entidade segue conversando com o governo por meio da participação do GT Pneumáticos. Segundo ele este está sendo um canal importante para levar as questões detalhadas no manifesto redigido com os principais pleitos do setor. O grupo de trabalho propõe reuniões quinzenais a fim de identificar o que tem desequilibrado este mercado e estimulado presença cada vez maior de marcas que não produzem localmente.

No manifesto enviado ao MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no início de março – à época assinado por quinze entidades e, hoje, por quarenta –, foi endossada a necessidade de se tomar medidas contra a concorrência desleal: revisão de medidas tarifárias, maior celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso e estímulo para compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo.

Marcopolo desenvolve inédito ônibus de dois andares com quatro eixos

São Paulo — A Marcopolo apresentou um ônibus de dois andares com quatro eixos e direção à direita dedicado ao mercado da África do Sul. O modelo, Paradiso G8 1800 Double Decker na configuração 8×2, será fornecido à operadora Intercape. O pedido inicial é para 21 unidades.

Os veículos serão utilizados em rotas internacionais na África Subsaariana e em operações interestaduais. Com chassi Volvo B510R Euro 6, o ônibus foi desenvolvido para atender às exigências de peso e operação do país, com capacidade para até oitenta passageiros e tanque de combustível de 800 litros.

O projeto envolveu equipes de engenharia do Brasil e da África do Sul e inclui adaptações específicas para a configuração de quatro eixos em um veículo de dois andares e soluções específicas para rotas de longa distância. O modelo ainda adota sistema de retrovisores por câmaras em substituição aos espelhos convencionais.

A África do Sul é um dos principais mercados da Marcopolo no Exterior. Em 2025 a empresa produziu 449 unidades no país, o equivalente a 16,5% do seu volume internacional.

Stellantis Porto Real começa a produzir o Jeep Avenger

São Paulo – As linhas de produção da fábrica da Stellantis em Porto Real, RJ, já produzem o SUV de entrada Avenger, um Jeep, que chegará ao mercado nas próximas semanas. É também o primeiro Jeep produzido no Rio de Janeiro. Estas primeiras unidades ainda são de teste: a produção comercial será iniciada mais adiante.

O presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, destacou a modernização da fábrica que, em 2026, completou 25 anos. R$ 3 bilhões estão sendo aplicados lá:

“Trazer mais uma marca para o polo de Porto Real é muito importante para a Stellantis, pois reforça toda sua capacidade tecnológica em produzir um modelo que é um sucesso mundial, como o Avenger”.

A unidade foi equipada com mais de trezentos robôs e recebeu muita automatização para controle de qualidade.

O Avenger completa o portfólio da Jeep, ampliando as opções no B-SUV, um dos segmento que mais cresce no mercado nacional.

Locação ganha espaço no mercado de caminhões, aponta estudo da Mirow&Co

São Paulo – O custo elevado do crédito e a dificuldade de prever demanda estão levando transportadoras a rever a forma de montar suas frotas no Brasil. Em vez da compra direta, modelos como locação e leasing ganham espaço como alternativa para reduzir risco financeiro e dar mais flexibilidade à operação. Levantamento da Mirow & Co. indica que as vendas de caminhões novos para locadoras cresceram 50,3% entre 2019 e 2024.

Elmar Gans, sócio da consultoria, afirmou à Agência AutoData que o movimento está associado à mudança no ambiente econômico e à ampliação da oferta desses serviços no País: “A aquisição de um caminhão é uma decisão muito grande de capital. Você precisa ter bastante certeza de que vai conseguir manter este ativo ocupado por um longo período”.

Segundo Gans esse cenário favorece modelos mais flexíveis, especialmente em operações com maior volatilidade. Em contratos novos ou em atividades sazonais, como no agronegócio, a locação permite ajustar a frota sem comprometer recursos de longo prazo: “Em situações de demanda menos previsível faz mais sentido optar por um caminhão locado do que assumir o risco de compra”.

A mudança também foi viabilizada pela expansão das locadoras, que passaram a estruturar ofertas mais completas: “Esta demanda sempre existiu, o que não existia era a oferta”.

Hoje, além do aluguel, os contratos podem incluir manutenção, seguros e serviços integrados, aproximando o modelo de uma prestação contínua de serviço.

O avanço deste formato tem relação direta com o nível de juros. Com taxas ainda elevadas o financiamento de um veículo pesado, que pode superar R$ 1 milhão, se torna menos competitivo: “Com o juro nesse patamar muitas empresas preferem esperar antes de comprar e optar pela locação no curto prazo”.

De acordo com o executivo, apesar do crescimento nos últimos anos, o ambiente de incerteza também afeta as locadoras e dá sinais de desaceleração recente, que têm adotado uma postura mais cautelosa na expansão das frotas: “O mercado ficou mais travado. Janeiro e fevereiro foram os meses mais fracos de emplacamentos desde a pandemia”.

Além disto a expansão traz desafios. O executivo ressaltou que operações de locação exigem escala, acesso a capital e gestão eficiente dos ativos. Há incertezas sobre o valor de revenda dos veículos, principalmente no caso de caminhões elétricos, cujo mercado ainda está em formação: “Sem referência clara de valor residual as empresas acabam sendo mais conservadoras nas contas”.

Ainda assim a participação da locação nos emplacamentos de caminhões novos no Brasil segue em torno de 10% a 11%, patamar considerado baixo na comparação internacional. Nos Estados Unidos esta fatia varia de 20% a 30%, enquanto na Europa pode chegar a 50%.

Para Gans as características do mercado brasileiro tendem a sustentar o avanço do modelo: “É um ambiente mais volátil e menos previsível. Isto favorece soluções que dão flexibilidade e reduzem a exposição a risco”.