Vendas de veículos surpreendem em março e trimestre é o melhor desde 2015

São Paulo – Nos 22 dias úteis de março foram emplacados 269,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData, o que representa impressionantes 37,8% de crescimento sobre o mesmo mês do ano passado, 195,5 mil veículos. Ainda que a comparação seja afetada pelo carnaval, que fez com que março de 2025 tivesse vinte dias úteis, o desempenho surpreendeu: a média diária saltou de 9,8 mil unidades para 12,2 mil, avanço de 25%.

Com relação a fevereiro, 185,2 mil veículos, e que teve carnaval, as vendas cresceram 45,5%. A média diária saltou de 10,3 mil para 12,2 mil, 18,5% de alta.

O primeiro trimestre superou os volumes de pré-pandemia: somou 625,1 mil emplacamentos, alta de 13,3% sobre os primeiros três meses de 2025, 551,7 mil. E ficou acima das 607,6 mil unidades de 2019, último ano antes da pandemia de covid-19. Um volume não era alcançado desde 2015: naquele ano foram 674,4 mil emplacamentos.

As vendas de automóveis e comerciais leves somaram 257,8 mil unidades em março, de acordo com a K.Lume Consultoria, alta de 39,8% sobre o mesmo mês de 2025 e de 46,1% com relação a fevereiro. O mercado de pesados subiu 34,4% sobre fevereiro, mas ficou 13,5% abaixo de março passado.

O diretor executivo Milad Kalume Neto disse que as marcas com origem na China somaram 14,8% de participação de mercado no mês passado. Somadas já superam a Chevrolet, terceira do ranking, que fechou março com 10,4% das vendas.

As vendas diretas representaram 51,7% do mercado de leves. Em fevereiro foi 50%.

A Fenabrave comentará os resultados do mês na terça-feira, 7. E a Anfavea na quarta-feira, 8, quando divulgará também os números da produção e exportações.

Leilão do Caminho da Escola é marcado para 14 de abril

São Paulo – De acordo com publicação no Diário Oficial da União o novo edital do programa Caminho da Escola foi retomado na quarta-feira, 1º de abril, conforme antecipado pela Agência AutoData. De acordo com a comunicação oficial a abertura das propostas para o pregão eletrônico para aquisição de ônibus escolares pelo FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, pelos estados e municípios, será realizada em 14 de abril.

Aguardado desde o fim do ano passado e marcado para o início de março o leilão de 7 mil 470 ônibus foi suspenso porque não se sabia como ficariam os preços dos veículos com a decisão da União de voltar a cobrar impostos, como PIS/Cofins e IPI, o que trazia na esteira a retomada do ICMS.

Após mobilização de montadoras e encarroçadoras em seus estados para que o ICMS não tornasse a incidir na indústria, e depois de a Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, ingressar com ação no Confaz, Conselho Nacional de Política Fazendária, o órgão decidiu manter a isenção do tributo.

O ICMS era o imposto que mais preocupava o setor porque a alíquota, que varia conforme o Estado, de 7% a 23%, poderia resultar em um aumento de até 30% nos preços dos ônibus escolares.

Como ICMS só estava zerado por causa do IPI informações de bastidores apontam que a Fazenda também manterá o benefício, com a isenção do IPI, em vez de voltar a cobrar a alíquota de 1,63%. Isto, no entanto, ainda não foi oficializado. Assim como o porcentual do PIS/Cofins, de 1,16%, calcado na preocupação do governo de restabelecer recursos para seu Orçamento.

O que também ainda não foi esclarecido é a abrangência da isenção, se será estendida a outros ônibus da cadeia ou se ficará restrita aos ônibus escolares. Em decreto de lei complementar 224/2025, publicado em 26 de dezembro, foi estabelecida a redução linear de 10% de benefícios e incentivos federais de natureza tributária, financeira ou creditícia, estabelecendo o corte de subsídios ao setor de ônibus a partir de 1º de abril.

A justificativa comum aplicada aos pedidos de suspensão desta cobrança, junto ao governo, inclusive por parte da Anfavea, é de que o benefício da isenção dos referidos tributos não se encaixa como subsídio às companhias mas, sim, como medida que beneficia setores estratégicos da economia, como o de ônibus, o que pode refletir, inclusive, nos valores das tarifas públicas.

A portaria que redesenha os carros

Quando o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publicou, em 20 de janeiro de 2026, a Portaria GM/MDIC 19, o documento não gerou o tipo de repercussão que costuma acompanhar os grandes anúncios do setor automotivo brasileiro. Não havia lançamentos correlatos, não havia cifras de investimento, não havia promessas de autonomia ou performance. Mas o complexo e juridicamente rebuscado texto de 31 páginas é mais estruturante do que qualquer campanha publicitária, pois reúne os elementos que devem redesenhar a maior parte do portfólio de veículos leves à venda no País.

A portaria é um dos complementos regulatórios que faltavam ao Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, instituído pela Lei 14.902, de 27 de junho de 2024. O documento traz um conjunto de regras e fórmulas matemáticas para fabricantes e importadores de veículos leves cumprirem uma grande meta média de 11% de melhoria de eficiência energética de seus produtos, estabelecida por outro instrumento complementar ao Mover, o Decreto 12.435, de 15 de abril de 2025. 

Também estão na Portaria 19 as metodologias de verificação de eficiência energética, os créditos disponíveis para tecnologias que reduzem o consumo e os fatores aplicáveis a diferentes categorias de veículos. É, em essência, um manual técnico-operacional do Mover para cumprir e aferir objetivos de eficiência e emissões estabelecidos pelo programa.

Desta vez toda a frota de modelos de cada empresa deverá atender a meta média de 11% de melhoria imposta até 2028. O objetivo é considerado desafiador, dado que já houve avanços significativos desde 2012, com a exigência do Inovar-Auto do mínimo de 12% de melhoria até 2017, e de mais 11% no Rota 2030, finalizado em 2023. A nova meta e as formas de se chegar a ela provocarão grande impacto sobre o portfólio de produtos à venda no País, com adoção de tecnologias e uso mais intenso de eletrificação do powertrain.

Ricardo Roa, sócio da KPMG e especialista em regulação automotiva, que já desenvolveu calculadoras para programas anteriores como o Inovar-Auto e o Rota 2030, afirma que após a publicação da portaria todos ainda estão fazendo os cálculos: “Nitidamente é o engenheiro que se destaca, é ele que cria os complicômetros das equações”. Milad Kalume Neto, consultor especializado da KLume, reforça que a portaria inaugura um nível de complexidade inédito para o setor.

Esta reportagem foi publicada na edição 430 da revista AutoData, de Março de 2026. Para lê-la completa clique aqui.

As pernas e o alcance das desinformações

Dias atrás um familiar veio me consultar: é verdade que a BYD está contratando milhares de chineses e montando uma cidade ao lado de Camaçari, BA, onde está instalada a sua fábrica brasileira? Achei estranho o questionamento: o que tinha conhecimento é que, de fato, a BYD emprega alguns trabalhadores chineses na unidade, mas não milhares. E o que é usual em multinacionais aqui instaladas, especialmente nas recém-chegadas.

Fui pesquisar e me deparei com uma enxurrada de fake news, publicadas por perfis de rede social e, o pior, amplificada por agentes políticos. Sim, um deputado estadual baiano republicou a desinformação e ainda culpou a oposição de seu partido pela invasão chinesa na Bahia.

É uma mentira que meus colegas da área de comunicação da BYD terão trabalho em explicar à população. Em recente comunicado foi informado que 97% dos 3,5 mil trabalhadores da fábrica são baianos, 56% de Camaçari. Mas na era das redes sociais a velocidade pela qual as notícias, sejam elas verdadeiras ou falsas, trafega faz com que muita mentira se torne verdade e muita verdade seja alardeada como mentira. Uma pena.

Da mesma forma lamento que a vítima de uma mentira como esta seja a protagonista de outro relato não verdadeiro que, recentemente, começou a ser difundido se não com o aval, certamente sem a devida preocupação em corrigir: em mais de um veículo de imprensa foi publicado que o Dolphin Mini tornou-se o veículo mais vendido do Brasil.

Para não falar que é mentira usarei a palavra desinformação.

O Dolphin Mini foi o veículo mais vendido no varejo em fevereiro, como informa o relatório publicado pela Fenabrave com base nos dados oficiais do Renavam, somando 4,8 mil licenciamentos. Mas, como diz o mesmo relatório, o veículo mais vendido no Brasil em fevereiro foi a Fiat Strada com 11,2 mil licenciamentos.

É notável, de certa forma, alcançar a liderança nas vendas no varejo. Ter a preferência dos frequentadores dos showrooms é bom para o marketing e para a imagem da marca. Mas, na prática, há muito carro emplacado como venda direta neste relatório da Fenabrave que foi negociado pelas concessionárias, nos showrooms.

Isto não é possível medir, com o atual sistema do Renavam, porque é classificado como venda direta o veículo que teve a nota fiscal emitida pela montadora. É o caso, para dar um exemplo, de carros vendidos ao público PcD: foi a concessionária que fez a negociação e entregou o veículo ao comprador, recebeu sua comissão, mas na estatística entrou como venda direta, pelo faturamento ter sido feito pela fabricante.

Mesmo com tudo isto a BYD pode dizer que teve o carro mais vendido no varejo em fevereiro. Mas é mentira que o Dolphin Mini, um elétrico, foi o carro mais vendido no Brasil. Como é mentira que milhares de chineses contratados pela BYD estão formando uma cidade perto de Camaçari.

Governo volta atrás de cobrança de imposto e destrava Caminho da Escola

São Paulo – Após o imbróglio instaurado no início de março com a suspensão do edital do programa Caminho da Escola, diante da decisão do governo de retomar a cobrança de impostos sobre a indústria de ônibus, a história ganha um novo capítulo. Conforme informações do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, a medida foi revogada e na quarta-feira, 1º de abril, quando a isenção tributária chegaria ao fim, a licitação da nova etapa do programa Caminho da Escola será retomada e, o edital, amplamente aguardado pela indústria, publicado.

Aguardado desde o fim do ano passado e marcado para o início de março, o leilão de 7 mil 470 ônibus foi suspenso porque não se sabia como ficariam os preços dos veículos com a volta dos impostos. Fontes do setor disseram à Agência AutoData que, após mobilização das próprias fabricantes e encarroçadoras em seus Estados para que o ICMS não tornasse a incidir na indústria, e depois de a Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, ingressar com ação no Confaz, Conselho Nacional de Política Fazendária, o órgão decidiu manter a isenção do tributo.

Veículos escolares estão livres de ICMS há quase duas décadas, desde 16 de maio de 2007, graças ao Convênio 53 celebrado pelo Confaz, zerava o tributo nas operações de ônibus adquiridos por municípios e estados por meio de pregão do FNDE. E, caso fosse resgatado, considerando que as alíquotas variam de 7% a 23% de acordo com o estado, isto, segundo as fontes, oneraria seus preços em até 30%.

No entanto, como a cobrança do ICMS vem na esteira do IPI, e só é zerado porque o IPI também não é cobrado neste caso, a Fazenda informou, nos bastidores, que o imposto cuja alíquota é de 1,63%, não voltará a incidir e a isenção será mantida. Apenas existe dúvida com relação aos 1,16% do PIS/Cofins, por desfalcar o Orçamento.

A intenção do governo é restabelecer recursos ao rever as isenções de IPI e PIS/Cofins, conforme anunciado em decreto de lei complementar 224/2025, publicado em 26 de dezembro, que estabeleceu a redução linear de 10% de benefícios e incentivos federais de natureza tributária, financeira ou creditícia, estabelecendo o corte de subsídios ao setor de ônibus a partir de 1º de abril.

As fontes consultadas disseram não saber, por ora, se a decisão será estendida a outros tipos de ônibus, além dos escolares, e que tudo será anunciado oficialmente pelo governo nos próximos dias.

A Anfavea inclusive agendou reuniões com a Fazenda, ao longo do mês de março, a fim de interceder tanto para que os ônibus escolares não fossem vendidos sob uma regra tributária e entregues com outra, quanto para que a indústria, que já sofre com a elevada taxa de juros, não passasse a ser mais onerada.

A justificativa comum aplicada aos pleitos junto ao governo foi de que o benefício da isenção dos referidos tributos não se encaixaria como subsídio às companhias mas, sim, como medida que beneficia setores estratégicos da economia, como o de ônibus, o que pode refletir, inclusive, nos valores das tarifas públicas.

Mercedes-Benz amplia linha Axor para atender de cargas sensíveis a operações severas

São Paulo — A Mercedes-Benz ampliou a linha do Axor no Brasil ao incluir novas configurações dedicadas ao transporte rodoviário. A principal novidade é a oferta de suspensão traseira pneumática para os cavalos mecânicos 2038 4×2 e 2545 6×2, opção que passa a conviver com a tradicional suspensão metálica.

Outra mudança é a chegada de uma versão plataforma do Axor 2038 4×2, ampliando o alcance do modelo para operações como transporte de carga geral e aplicações com reboques do tipo Romeu e Julieta. As novas configurações já estão disponíveis nas concessionárias.

Com as novas opções a empresa busca ampliar a versatilidade do modelo. A suspensão pneumática, já utilizada em linhas superiores Mercedes-Benz, serve em operações em rodovias e de transporte de cargas mais sensíveis, por reduzir vibrações e facilitar o acoplamento de implementos. Já a suspensão metálica segue como alternativa para rotas mais severas, incluindo trechos não pavimentados.

O Axor mantém motorização de 13 litros e opções de potência de até 450 cvs, além de câmbio automatizado. A linha atende a diferentes configurações de transporte rodoviário, com capacidade para composições de até mais de 50 toneladas, dependendo da versão e do tipo de implemento.

Volvo aplica melhorias aerodinâmicas no FH 2026

São Paulo – A Volvo informou que a linha FH 2026 passa a contar com novidades que diminuem o arrasto aerodinâmico em benefício do consumo de combustível. Alguns dos destaques que agora são de série são extensores nos defletores de ar, aletas na coluna frontal e aprimoramento nas frestas e junções da cabine. Em conjunto com a tecnologia I-Torque, que utiliza inteligência artificial para entregar torque sob medida, permite a algumas operações reduzir o consumo de combustível em 3%.

As melhorias derivam do caminhão-conceito de eficiência, validado em 2021. Com cavalo-mecânico desenvolvido pela Volvo e implemento graneleiro da Randon o veículo contava também com sistema hidráulico de basculamento Hyva e pneus com baixa resistência ao rolamento da Continental.

A incorporação de aletas aerodinâmicas na coluna A, localizada na parte frontal do cavalo mecânico, ao lado do motorista, por exemplo, contribui para melhorar o fluxo de ar ao redor da cabine, reduzindo a turbulência e favorecendo a dinâmica do veículo em velocidades de cruzeiro. As novas extensões dos defletores de ar da cabine, agora maiores e mais alongados, ajudam a direcionar o ar de forma mais eficiente ao longo do conjunto cavalo mecânico-implemento, reduzindo o arrasto aerodinâmico.

E com o aprimoramento do acabamento das frestas e das junções da cabine, as interfaces dos faróis com a grade frontal passam a apresentar aberturas menores, solução que contribui para otimizar o fluxo de ar e reduzir perdas aerodinâmicas.

Dahruj Rent a Car adquire 2 mil carros da BYD

São Paulo – Após o anúncio da venda de 10 mil veículos para a Localiza a BYD assinou acordo com a Dahruj Rent a Car para a venda de 2 mil veículos eletrificados. Com abrangência no Estado de São Paulo a locadora oferecerá os carros no formato de assinatura.

Segundo a BYD o movimento ocorre em linha com sua nova política comercial, que passou a ampliar seu foco em vendas diretas para grandes frotistas, táxis e público PCD, mercado que, até então, não fazia parte do seu projeto no País.

Daimler Truck, Volvo e Toyota formam parceria para avanço do hidrogênio

São Paulo — A Daimler Truck, o Grupo Volvo e a Toyota avançaram nas negociações para ampliar sua parceria na área de hidrogênio, com foco no desenvolvimento de sistemas de célula de combustível para veículos pesados. As empresas assinaram acordo preliminar para a entrada da Toyota como sócia da cellcentric, joint venture criada por Daimler Truck e Volvo.

A proposta prevê participação igualitária dos três grupos, reforçando plano de compartilhamento de investimentos e aceleração da industrialização de tecnologia. A cellcentric deve seguir operando de forma independente, concentrando as atividades de desenvolvimento, produção e comercialização de sistemas de célula de combustível dedicados a caminhões, aplicações fora de estrada e outros usos de alta demanda energética.

A aproximação combina competências distintas: de um lado a experiência de Daimler Truck e Volvo na produção de veículos comerciais. De outro o histórico da Toyota no desenvolvimento de tecnologias de célula de combustível, especialmente no segmento de veículos leves. A intenção é ampliar a escala e reduzir custos, um dos principais desafios para tornar viável a presença do hidrogênio no transporte.

Além dos sistemas completos Toyota e cellcentric também planejam operar em conjunto no desenvolvimento das chamadas células unitárias, componentes centrais da tecnologia, bem como em sua arquitetura e controle eletrônico. O objetivo é tornar os produtos mais competitivos e acelerar sua chegada ao mercado.

Fiat Mobi mantém fôlego e alcança 600 mil unidades vendidas

São Paulo — O Fiat Mobi atingiu 600 mil unidades vendidas no Brasil após dez anos do seu lançamento. O hatch foi um dos dez veículos mais vendidos nos últimos dois anos e alcançou o terceiro lugar no ranking nacional de vendas em fevereiro.

Ao longo de uma década o modelo passou por atualizações pontuais. Atualmente é oferecido nas versões Like e Trekking, ambas equipadas com motor 1.0 Firefly e itens de segurança e assistência à condução que se tornaram padrão na categoria, como controle de estabilidade, assistente de partida em rampa e monitoramento da pressão dos pneus.

Outro fator que contribui para a competitividade do modelo é sua elegibilidade ao programa Carro Sustentável, iniciativa do governo federal que prevê isenção de IPI para veículos compactos produzidos no País e com melhor eficiência energética.