Atuais barreiras são insuficientes para combater chineses, avalia Stellantis

Itupeva, SP – Os números apresentados por Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, comprovam que a companhia tem, ao menos por ora, demonstrado resiliência frente ao avanço dos veículos chineses no mercado brasileiro. Suas marcas ganharam participação no Brasil e encerraram 2025 com recorde de vendas na América do Sul, superando pela primeira vez a barreira de 1 milhão de unidades. É quase um quarto de tudo o que foi vendido nos países da região. No Brasil e na Argentina a participação das marcas chega a cerca de um terço dos mercados.

Esta escala alcançada pela companhia regionalmente, seu parque industrial e seu volume de produção, porém, estão conseguindo apenas combater por ora a invasão chinesa, segundo a avaliação do presidente da Stellantis. Questionado se todos estes ingredientes são suficientes para isto ele respondeu categoricamente:

“Não. Não é suficiente. Precisamos evoluir sempre, é algo claro. Hoje, no momento atual, conseguimos garantir um bom nível de competição e defesa de nossa participação de mercado no Brasil e na Argentina. Para os outros mercados da América do Sul, não”.

Uma das razões, em sua avaliação, é a falta de convergência regulatória nos mercados. O custo de desenvolvimento cresce para que os modelos atendam às diferentes regulamentações de países da região, especialmente para conseguir adequar as tecnologias à realidade destes mercados. Por isto o foco está no Brasil e Argentina que, juntos, representam mais de 50% das vendas.

Os chineses, com sua larga escala e capacidade de atender a demandas de exportação, por haver muito mais produção do que vendas internas, apesar do seu grande mercado doméstico, são mais competitivos e conseguem trazer seus veículos com preços baixos, possibilidade de oferecer mais tecnologia E não encontram barreiras nos países sul-americanos.

“Mercados mais maduros já perceberam e criaram barreiras para tentar se defender e privilegiar a indústria nacional. Esperamos que, aqui, o mesmo seja feito em breve”.

Barreiras brasileiras são insuficientes no longo prazo

No meio do ano o imposto de importação de eletrificados sobe a 35%. O mesmo ocorre com os impostos de importação para kits CKD e SKD. Para Zola ainda é insuficiente:

“Se os chineses de fato não localizarem boa parte da produção, a indústria nacional sofrerá muito. Enquanto o modelo envolver operação de montagem SKD e CKD, do jeito que está elaborada hoje, o negócio deles pode prevalecer, o que seria muito ruim para a indústria porque é um modelo facilmente replicável por qualquer empresa ocidental já instalada diante da capacidade ociosa que a China tem”.

Tanto é facilmente replicável que exemplos começam a aparecer. No fim do ano passado modelos 100% elétricos Chevrolet começaram a ser montados no Pace, Polo Automotivo do Ceará, mantido pela Comexport. Importados da China com o aval da General Motors.

A Stellantis mesmo se movimenta para algo semelhante, com a montagem de veículos eletrificados Leapmotor em Goiana. “É um primeiro movimento nosso alinhado com o dos outros chineses que têm vindo pra cá. Temos a possibilidade de usar nosso parque de fornecedores, mas só se for uma vantagem competitiva para nós”.

Zola não descarta localizar a produção gradualmente no futuro: todas as possibilidades ainda estão na mesa. Mas alerta:

“Se este modelo de negócio, CKD e SKD, for mais atraente, utilizaremos também. O objetivo de uma indústria é tornar seu futuro viável, ter rentabilidade e gerar mais investimento. Sem isso não tem futuro. E para ter esta rentabilidade e futuro precisamos utilizar as mesmas armas dos nossos concorrentes”.

Renova Ecopeças abre novo espaço com capacidade para desmontar 10 mil carros por ano

São Paulo – A Renova Ecopeças, uma das pioneiras no segmento de desmontagem veicular no País, registrou uma virada de chave nos últimos dois anos, com resultados recordes, o que motivou investimento em novo espaço para estabelecer capacidade de desmantelar até 10 mil carros por ano. Foi o que contou à Agência AutoData Daniel Morroni, diretor da Porto Serviço, unidade de negócios do Grupo Porto em que está inserida a Renova Ecopeças.

Daniel Morroni, diretor da Porto Serviço: “Há treze anos praticamos a economia circular do berço ao túmulo”. Foto: Divulgação.

O surgimento recente de empresas concorrentes pavimentou este segmento e estimulou a maior procura, tanto por mecânicos quanto por pessoas físicas, em busca de peças usadas de carros. Prova disso é que, em 2024, a empresa desmontou 2,5 mil veículos e reinseriu no mercado 62 mil peças. E, no ano seguinte, os números foram ampliados em 32% e 13%, respectivamente, para 3,3 mil veículos e 70 mil peças. O faturamento expandiu 23% no ano passado, para R$ 70 milhões. 

Diante da crescente demanda a empresa anunciou, no ano passado, que em outubro iniciaria as obras de um novo espaço no lote vizinho, em Osasco, SP, capaz de abrigar o novo cenário. Morroni contou que estão sendo aportados, somente na construção R$ 5 milhões – fora equipamentos, aluguel e manutenção, valores que preferiu não divulgar.

“A desmontagem de 3 mil carros por ano já estava no limite. Então, no espaço que deverá ficar pronto até o fim do mês, sendo apresentado em meados de abril, esperamos trabalhar com até 4 mil veículos este ano, sendo que nossa capacidade total será de 10 mil unidades.”

Na história da Renova, que nasceu vendendo itens usados tanto para segurados quanto para não segurados da Porto, mais de 30 mil veículos já foram desmantelados e 1 milhão de peças reinseridas no mercado: “Há 13 anos praticamos a economia circular do berço ao túmulo”.

Plano é que estoque armazene 40 mil peças usadas

A matéria-prima, que tem como fonte majoritária automóveis, comerciais leves, utilitários e motocicletas de clientes que deram perda total, também recebe outras unidades não seguradas. Quanto às peças, que têm selo de rastreabilidade, hoje há 20 mil delas em estoque, e o plano é, até o fim do ano, armazenar 40 mil, com oferta mais diversificada tanto de veículos populares quanto de premium.

Os itens são comercializados por meio do site próprio, em marketplaces e também na unidade física da Renova e, geralmente, têm preços até 70% menor se comparados a um novo. 

Borracha vira grama sintética

O que sobra é vendido como resíduo a outras indústrias. “Damos a destinação correta a tudo. Por exemplo, quando desmontamos o chicote do carro separamos o plástico do cobre e vendemos como sucata. A borracha, por vezes, é comercializada para empresas de grama sintética e, quanto aos metais ferrosos, temos grandes parceiros que os utilizam como matéria-prima para fazer vergalhões.”

Em 2024 foram endereçadas a estas finalidades 2,9 mil toneladas de sucata, e 3,3 mil no ano passado, avanço de 13,8%. Para 2026 a perspectiva é alcançar 3,6 mil toneladas, ou seja, alta de 9%.

Mover ajuda a tornar a atividade mais popular

Hoje a Renova Ecopeças emprega 104 funcionários, e o plano é ampliar o quadro em 15%, para dois turnos, com a inauguração do novo espaço e o aumento do volume de trabalho.

“Com maior escala e mais eficiência ampliamos o uso de IA para ajudar a identificar qual carro é mais relevante para o negócio e também para precificar o serviço, uma vez que concorro com várias empresas em um segmento que só cresce.”

Morroni reconheceu que o Mover, Programa de Mobilidade Verde e Inovação, tem contribuído com a maior popularidade da atividade, o que deve ser expandido assim que o decreto que prevê as normas de reciclabilidade for publicado: “O Mover incentiva a cadeia da economia circular, recicladoras e desmontadoras. Vem ajudar as empresas a se estruturarem melhor. E com as montadoras tornando-se parceiras só temos a ganhar. Conseguiremos reinserir mais peças por preços menores”.

Para 2026 os planos são de continuidade no ritmo de crescimento orgânico do faturamento, na casa de 20% a 25% ao ano. 

Caoa investe mais R$ 5 bilhões em Anápolis com a Changan

Anápolis, GO – Para incorporar a operação de produção e vendas da Changan no Brasil a Caoa adicionou R$ 5 bilhões ao investimento que fará até 2028. O programa de R$ 3 bilhões anunciado em 2024 terminou dois anos antes do previsto, pois as ambições da empresa também cresceram no período, disse o presidente do grupo, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, na cerimônia de inauguração da nova fábrica que começou a produzir o Uni-T, primeiro carro da marca chinesa montado no País.

“O Mover [Programa Mobilidade Verde e Inovação] e a visão do governo para desenvolver a indústria nos incentivou a crescer, o mercado respondeu e nós decidimos dobrar a aposta”, disse Andrade Filho, ao lado de seu irmão Carlos Philippe, com quem hoje divide a direção da empresa fundada por seu pai, falecido em 2021.

Para a inauguração eles receberam a visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve pela primeira vez na fábrica de Anápolis, GO, em 2007, no seu segundo mandato, na inauguração da unidade. Desta vez ele veio acompanhado de seu vice e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de outras autoridades.

Philippe e Carlos com Lula no Uni-T, primeiro modelo Changan produzido pela Caoa no Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR.)

Segundo Andrade Filho o novo investimento será aplicado integralmente na operação da Changan, com a produção de novos modelos. De acordo com o diretor de marketing Jan Telecki o plano da marca no País, depois do Uni-T – modelo equipado com motor turboflex de 180 cv que chega este mês às concessionárias por R$ 170 mil –, contempla mais três SUVs este ano, todos produzidos em Anápolis. Já os modelos elétricos Avatr, marca de luxo da Changan, serão importados.

Sem ainda revelar quais serão os próximos modelos Telecki adiantou que um chegará ainda no primeiro semestre e dois no segundo, incluindo versões eletrificadas HEV, híbrido pleno, e PHEV, híbrido plug-in. E todos eles, inclusive o Uni-T, já nascem com motor flex bicombustível etanol-gasolina, com sistema fornecido no Brasil pela Bosch.

Todo o investimento é da própria Caoa e a Changan participa com licenciamento da produção local e transferência de tecnologia: “Ainda não acessamos recursos do BNDES mas estamos estudando”, afirmou Andrade Filho. “O que já acessamos é um financiamento da Finep para desenvolvimento do sistema híbrido flex aqui”.

O índice de nacionalização dos modelos Changan começa baixo: quase todos os componentes são importados da China, mas no regime peça-a-peça, pagando 4% de alíquota de importação para itens sem produção no País e de 14% a 18% para os que têm similares nacionais. Com exceção da estamparia todos os demais processos de manufatura são executados em Anápolis, incluindo armação e solda de carrocerias, pintura – a fábrica já conta com três cabines automatizadas – e montagem final.

Fábrica ampliada

“Todas as nossas linhas estão preparadas para produzir vários modelos de várias marcas”, disse Gabriela Delfino, gerente geral da fábrica de Anápolis, confirmando que os modelos Chery Tiggo 5x, 7 e 8 seguem em produção normalmente e a linha em que são produzidos também recebeu investimentos. Ela relatou que a planta passou por grande ampliação nos últimos dois anos, com modernizações, automação e aquisições de novos equipamentos, como a primeira linha completa de solda a laser do País.

A área construída original de 172,2 mil m2, de 2023, cresceu 21%, para 208,4 mil m2. No mesmo período o número de robôs saltou de 42 para 209 e os processos automatizados avançaram 365%. O número de empregados mais do que acompanhou o crescimento: avançou de pouco mais de 2 mil pessoas trabalhando em apenas um turno para os atuais 7,6 mil em dois turnos. Com tudo isso a capacidade de produção de 80 mil unidades/ano foi dobrada para 160 mil/ano.

Lula assina Uni-T produzido pela Caoa em Anápolis: rotina de inaugurações industriais. (Foto: Ricardo Stuckert/PR.)

Andrade Filho confirmou que o plano, até o fim do ciclo de investimento em 2028, é ampliar ainda mais a capacidade, para 200 mil unidades/ano: “Ainda temos de superar alguns gargalos, principalmente na pintura, mas queremos chegar lá”.

Se a produção crescer como os dois irmãos presidentes ambicionam a fábrica poderá até adotar uma linha de estamparia. Pelo que se vê ao circular pela planta de Anápolis, com máquinas e canteiros de obras, segue em curso a ampliação do sonho do doutor Carlos Alberto, com novas perspectivas de inauguração para o presidente Lula e seus ministros.

Alessandra Souza assume o marketing da Omoda Jaecoo

São Paulo – A Omoda Jaecoo contratou Alessandra Souza para ser sua diretora executiva de marketing no Brasil. Ela deixa o cargo de CMO da Stellantis, no qual estava desde janeiro do ano passado. Acumula mais de vinte anos de experiência no marketing: entrou na Peugeot em 2000 e passou por diversas funções até que, em 2021, foi nomeada responsável pela área de experiência e digital para a América do Sul.

Em 2022 tornou-se diretora global da área para a marca Fiat, com base na Itália. Retornou no ano passado, para sua antiga função.

Em sua nova empresa será responsável por conduzir os planos de marketing e comunicação, como campanhas, eventos, presença digital, branding, experiência do cliente e relações públicas. Sua proposta é a criação de uma equipe local forte, diversa e de alto desempenho.

Alessandra Souza passa a responder a Roger Corassa, vice-presidente executivo da empresa.

Eletrificação avança no Brasil com suporte da indústria e mais confiança do consumidor

São Paulo — O mercado de veículos eletrificados no Brasil segue em ritmo acelerado de crescimento, impulsionado por novos modelos, avanço tecnológico e mudança no comportamento do consumidor. Este foi o cenário apresentado no painel Panorama da Mobilidade Elétrica no Brasil durante o Ituran Press Summit, realizado na quarta-feira, 25, em São Paulo.

Dados transmitidos no painel apontam que atualmente o País soma cerca de 650 mil veículos eletrificados licenciados, considerando modelos 100% elétricos e híbridos. Apenas em 2025 foram 223 mil unidades, em um movimento que, segundo especialistas, coloca o segmento como daqueles que mais crescem. O avanço já impacta diretamente o mercado: os eletrificados superaram 16% de participação no mix total de vendas de veículos nos últimos meses, indicando transição em curso na indústria de veículos.

Um dos destaques do painel foi o desempenho comercial recente de modelos elétricos. Segundo Pablo Toledo, diretor de comunicação e branding da BYD, o Dolphin Mini liderou o varejo em fevereiro, com 4,8 mil unidades, e deve se aproximar de 6 mil unidades em março, um crescimento de cerca de 50%: “A gente está vivendo uma febre de Dolphin Mini, muito voltada para a confiança”.

De acordo com Toledo parcerias como a ajustada com a Localiza ajudam a reduzir a percepção de risco do consumidor e impulsionam a adoção: “Isso leva confiança ao consumidor. Você pode instalar o carregador e usar com mais segurança”.

Toledo também destacou o avanço da produção nacional como fator-chave para a consolidação do mercado. Ele disse que a fábrica da montadora em Camaçari, BA, já opera com ritmo de um carro por minuto, o equivalente a 420 veículos por dia. A unidade conta com cerca de 2,9 mil funcionários, 90% deles baianos, e tem apoio de profissionais chineses na transferência de tecnologia e processos produtivos.

No campo da infraestrutura o Brasil já conta com cerca de 17 mil carregadores públicos, número que contribui para reduzir uma das principais barreiras à adoção: o receio com relação à autonomia. Este ponto foi reforçado por Amit Louzon, CEO da Ituran Brasil, que destacou o papel da tecnologia na experiência com veículos elétricos: “Carro elétrico é um carro tecnológico. A Ituran encaixa bem neste cenário”.

Segundo ele a empresa tem investido em soluções digitais para reduzir a chamada ansiedade de autonomia. Uma das iniciativas é o aplicativo da Ituran que integra dados de diferentes modelos e permite ao usuário planejar rotas com base no nível de bateria: “O cliente pode colocar todos os destinos, e o app faz a roteirização completa, indicando quanto precisa carregar, onde parar e garantindo que chegue com pelo menos 20% de autonomia. Conseguimos quebrar o medo”.

Outra frente de inovação está no seguro. Louzon adiantou, sem muitos pormenores, que a Ituran prepara o lançamento em maio de um modelo inédito que permitirá ao cliente pagar parte da apólice com créditos de carbono.

“É realmente uma revolução.”

Ituran aposta em carro conectado para continuar crescendo

São Paulo — A Ituran fechou 2025 com resultados recordes e reforçou seus planos de expansão baseados em conectividade e serviços. O CEO Amit Louzon destacou que o grupo atingiu um marco inédito ao ultrapassar US$ 1 bilhão em valor de mercado.

“A Ituran fechou 2025 com o melhor resultado. Isto mostra que nossos investidores confiam na Ituran não só pelo passado: o valor da empresa está combinado pelo futuro, porque sabem que temos um horizonte muito claro.”

A receita global chegou a US$ 359 milhões, alta de 7% na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa operacional somou US$ 88,6 milhões. Louzon também destacou a baixa alavancagem da empresa: “O grupo quase não tem dívida. Ao longo de trinta anos foram poucas as vezes em que precisamos captar recursos. Isso mostra que a empresa cresceu com capital próprio”.

Outro destaque foi o avanço da base ativa global, que adicionou mais de 221 mil novas plataformas e alcançou cerca de 2,6 milhões de veículos conectados no mundo.

Ituran no Brasil

No Brasil a operação atingiu um recorde de mais de 800 mil veículos conectados, o equivalente a mais de 30% da base. Louzon destacou o cenário: “O Brasil é um mercado importante para o grupo, mesmo com desafios como tributação. O País tem uma força significativa e, por isto, a sede decidiu ampliar os investimentos na região”.

A operação brasileira também manteve a recuperação veicular como principal frente de negócios. Em 2025 foram recuperados R$ 615 milhões em bens, elevando o total acumulado para mais de R$ 7,4 bilhões.

No segmento de seguros a empresa intermediou R$ 312,7 milhões em prêmios emitidos, com mais de 247 mil apólices, gerando R$ 21,3 milhões em comissões. Apenas nessa frente R$ 120,4 milhões em bens foram recuperados.

IturanMob

Já a IturanMob, braço de mobilidade e novas tecnologias do grupo, avançou em ritmo mais acelerado. De acordo com o CEO Paulo Henrique Andrade a unidade cresceu mais de 80% em 2025: “A IturanMob tem cumprido o papel de impulsionar o grupo. Estamos construindo uma plataforma de mobilidade conectada com escala global”.

A empresa ampliou parcerias internacionais, incluindo acordos com a Rhenus, na Europa, envolvendo mais de trezentos veículos elétricos, além de projetos com a Movida em Portugal e expansão da atuação nos Estados Unidos. Também avançou em soluções para carros conectados e em testes com montadoras e fabricantes de duas rodas, como Leapmotor e Yamaha.

Para 2026 a companhia aposta na consolidação do carro conectado como padrão da indústria, segundo Louzon: “Carro conectado já é realidade. Todas as montadoras estão neste caminho. A Ituran consegue integrar diferentes fabricantes em uma única plataforma”.

Dentre as apostas estão a expansão de serviços integrados, como conectividade embarcada e seguros atrelados à tecnologia, além do avanço de soluções de telemetria com vídeo e inteligência artificial. Esses sistemas permitem monitorar o comportamento do motorista, gerar alertas de risco e ampliar a segurança, inclusive em veículos que ainda não contam com esses recursos de fábrica.

O projeto também passa pela redução de custos para ampliar o acesso, “pois conseguimos democratizar a solução e diminuir o preço. Em 2026 aceleraremos ainda mais”.

Jeep Renegade ganha sobrevida com adoção de sistema MHEV de 48v

Itupeva, SP – Quando o Jeep Renegade estreou no mercado brasileiro, há quase onze anos, a marca contabilizava seis concorrentes diretos. Agora passaram a 24. Ainda assim o SUV produzido em Goiana, PE, mantém sua resiliência: somou em 2025 44,8 mil emplacamentos, o que o mantém no Top 10 do segmento que, no passado, chegou a liderar. E, embora muitos decretassem o fim da linha do Jeep que mudou a história da marca no mercado brasileiro, o modelo passa pela maior evolução desde o seu lançamento.

Foi nele que a Stellantis introduziu a segunda etapa do seu projeto Bio Hybrid, que mistura a eletrificação com motores flex. O sistema MHEV nele instalado adota a tensão de 48V, superior a de 12V já presente nos Fiat Pulse e Fastback e Peugeot 208 e 2008. Ainda não traciona o veículo, conforme explicou o vice-presidente de engenharia Márcio Tonani:

“O sistema híbrido, composto pelo motor elétrico, a bateria de íon lítio e o conversor de 48V dão assistência ao torque do motor T270 turboflex de 176 cv. Ele funciona como auxiliar do motor a combustão nas etapas em que mais há emissão de CO2, garantindo mais eficiência energética”.

O que ganha o consumidor?

Além de contribuir com o meio-ambiente e reduzir em 8% a emissão anual de CO2, de acordo com cálculos apresentados por Tonani, o Renegade MHEV consome menos combustível. Com etanol são 8,3 km/l no ciclo urbano, nota C no PBEV do Inmetro – a anterior fazia 7,1 km/l.

Outros atributos foram destacados por Hugo Domingues, chefe da marca Jeep para a América do Sul, como o desconto ou isenção de IPVA em alguns estados e poder circular livremente na zona de rodízio da cidade de São Paulo.

Mudanças visuais 

Embora a tendência visual dos SUVs, sobretudo aqueles que chegam da China, seja de linhas mais suaves e arredondadas, o Renegade manteve seu visual quadradão. O grande impacto visual está nas novas grades frontais, ainda com as sete fendas mas agora mais alinhadas às linhas de design Jeep. Os pára-choques dianteiro e traseiro também são novos, bem como as rodas de liga leve de 17 ou 18 polegadas, dependendo da versão.

O interior mudou bastante e chama a atenção pela adoção de materiais mais refinados. A central multimídia de 10,1 polegadas, o quadro de instrumentos digital, o ar-condicionado digital dual zone e a partida por botão passam a ser de série em todas as versões. Outra grande mudança foi a do console central, agora mais elevado e que traz nova manopla de câmbio e saída de ar traseira.

Preços e versões

O sistema híbrido leve está presente nas versões intermediárias do Renegade, Longitude e Sahara. A Altitude, de entrada, permanece exclusiva a combustão, bem como a Willys, 4×4 topo de linha. Segundo Domingues foi uma decisão mercadológica: tecnicamente é possível oferecer MHEV com tração integral.

A Altitude, de entrada, vem bem completa, com a novidade da chave presencial, ar-condicionado dual zone e central multimídia de 10,1 polegadas. Oferece itens ADAS como frenagem automática de emergência, monitoramento de mudança de faixa e detector de fadiga. O teto pintado em preto também é de série.

Jeep Renegade Altitude – R$ 141 mil 990
Jeep Renegade Longitude MHEV – R$ 158 mil 690
Jeep Renegade Sahara MHEV – R$ 175 mil 990
Jeep Renegade Willys 4×4 – R$ 189 mil 490

Volkswagen limpou o pátio na virada do ano

São Paulo – Ao menos por enquanto a Volkswagen segue superando a concorrência dos veículos chineses e, mesmo sem entrar em guerra de preços, continua a contabilizar crescimento de vendas acima da média de mercado no Brasil e na América do Sul. A empresa terminou 2025 praticamente sem carros para entregar, revelou o CEO Ciro Possobom: “Após as férias coletivas entramos em janeiro com o menor nível de estoque de nossa história, limpamos o pátio, e só não vendemos mais porque não conseguimos produzir o suficiente”.

As vendas da Volkswagen no Brasil totalizaram 436,3 mil unidades em 2025, em crescimento de 9% sobre 2024, porcentual mais de três vezes superior à média do mercado brasileiro, de 2,6%. Com isto a marca ganhou 1 ponto porcentual de market share, chegando a 17,1%. E no primeiro trimestre deste ano, mesmo com o pátio quase vazio, o avanço continua, afirmou Possobom: “Vamos continuar aumentando nossa participação este ano”.

O executivo avaliou que a Volkswagen adota tática acertada para encarar a concorrência dos veículos chineses, que chegam com preços mais baixos: “Estamos no jogo certo, lançamos novos produtos de sucesso e crescemos sem entrar em guerra de preços”.

No momento, ele disse, a demanda pelos carros da marca acima da oferta está sustentando as vendas e protege os preços da linha de produtos da marca, o que garante maior valor residual de revenda “e faz o cliente voltar à Volkswagen na hora de trocar o carro por um novo”.

Força dos SUVs

A principal força da Volkswagen no mercado brasileiro é a ampla linha de SUVs, com cinco modelos – três nacionais e dois importados do México –em uma elástica faixa de preços que vai de R$ 100 mil a R$ 300 mil. No seu topo a gama está sendo completada este ano com a chegada ao Brasil da terceira geração do Tiguan, apresentado na terça-feira, 24, à imprensa e concessionários.

Possobom destacou que a Volkswagen segue liderando as vendas de SUVs no País, com 41 mil unidades já emplacadas no primeiro trimestre e viés de alta. O T-Cross segue sendo o SUV mais vendido do mercado brasileiro com 15 mil unidades emplacadas este ano. O Tera, lançado em 2025, vem logo atrás na segunda posição com 14 mil emplacamentos.

“Não vendemos mais porque não conseguimos produzir.”

O SUV compacto está sendo produzido em dois turnos na fábrica de Taubaté, SP, com horas extras e trabalho aos sábados. Apesar da demanda acima da oferta, no momento, não há intenção de adotar um terceiro turno: “Esperaremos para ver como a economia e o mercado se comportarão. É uma decisão difícil de tomar e, por enquanto, esta situação está protegendo o preço e o valor residual do Tera”.

Possobom também destacou o bom desempenho do campeão de vendas da Volkswagen no País, o Polo, que com mais de 18 mil emplacamentos no primeiro trimestre segue sendo o carro de passeio mais vendido.

“Pelo que já temos e pelo que ainda lançaremos [ainda faltam dez dos 21 lançamentos prometidos até 2028] a tendência é continuar crescendo e ganhar mais market share”, afirmou o CEO, ressaltando a chegada, em 2027, da picape média monobloco Tukan, que será o primeiro modelo híbrido produzido pela Volkswagen no Brasil, com índice inicial de nacionalização de 76%, e de 85% na versão flex.

Força da América do Sul

O bom desempenho no mercado brasileiro também garantiu um bom ano para a Volkswagen na América do Sul, única porção do mundo em que as vendas da marca cresceram dois dígitos, 15% sobre 2024, destacou Alexander Seitz, chairman executivo da fabricante responsável pelas operações na região SAM, South American Markets.

Segundo apontou o executivo, em 2025, pela primeira vez a produção de carros Volkswagen na região ultrapassou a média dos últimos dez anos, chegando a 583 mil unidades, 539 mil nas fábricas instaladas no Brasil e 46 mil na Argentina. O crescimento acumulado desde 2022 chega a 40%.

Seitz observou também que as vendas de veículos na América do Sul está prestes a superar os níveis pré-pandemia, chegando a 4,3 milhões em 2025, com uma fatia de 13,3% da Volkswagen. Com 569 mil unidades vendidas no ano passado a região representa o terceiro maior mercado global da marca, atrás da China [2 milhões] e da Europa [1,3 milhão].

“Talvez superemos a Alemanha este ano.”

ArcelorMittal conclui investimento em energia renovável

São Paulo – A ArcelorMittal concluiu aportes de R$ 5,8 bilhões em autogeração de energia renovável com a entrada em operação, em março, do parque solar no Complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova, BA. Com 365 mil painéis e capacidade instalada de 200 MW, que consumiu R$ 652 milhões, a estimativa da companhia é elevar o patamar de autogeração de energia renovável de 61% para 85% até 2030.

As placas solares foram localizadas no complexo, criado por meio de joint venture da ArcelorMittal com a Casa dos Ventos, para geração de energia eólica, que recebeu investimento total de R$ 4,2 bilhões e entrou em operação em setembro.

A partir de agora o Complexo Babilônia Centro, que passa a ter geração de eletricidade solar e eólica, conta com capacidade instalada de 753,5 MW. A maior parte da energia gerada, cerca de 90%, será enviada às unidades industriais da produtora de aço. O restante será vendido no mercado nacional de energia.

Também integra o pacote de R$ 5,8 bilhões em energia renovável o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, MG, que recebeu R$ 895 milhões em investimentos. Somadas, as três unidades acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à siderúrgica.

MG Motor confirma hatch elétrico MG4 Urban no Brasil

São Paulo — A MG Motor confirmou a chegada do MG4 Urban ao mercado brasileiro nos próximos meses. O hatch será mais uma aposta no portfólio local: um modelo com vocação para o uso urbano, combinando tecnologia embarcada e proposta acessível dentro da categoria.

O MG4 Urban tem bom aproveitamento de espaço interno e porta-malas competitivo, além de foco em conectividade e recursos de segurança. Ele deverá concorrer com o BYD Dolphin e o Geely EX2, também hatches pequenos com tecnologia 100% elétrica.

O modelo também será oferecido com duas opções de bateria, com promessa de autonomia das maiores do segmento.

Mais pormenores sobre versões, equipamentos e preços ainda não foram divulgados pela empresa.