Vendas de veículos na Colômbia crescem 16%

São Paulo – As vendas de veículos, na Colômbia, somaram 31,5 mil unidades no primeiro bimestre, alta de 15,8% sobre iguais meses do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Andemos, entidade que representa o setor de veículos no país. Em fevereiro foram comercializados 17,1 mil veículos, volume 9,6% maior do que o registrado em igual mês do ano passado e 18,8% maior do que as vendas de janeiro.

No bimestre os SUVs representaram mais da metade das vendas, com participação de 53,8% e 16,9 mil unidades. Os hatches aparecem em segundo lugar com 7,9 mil vendas e participação de 25,2%, e as picapes ficaram na terceira colocação com 2,4 mil unidades e market share de 7,6%.

No ranking por marca a disputa ficou aquecida por Renault e Kia: a primeira vendeu 4,5 mil unidades até fevereiro e a segunda 4,3 mil. Em terceiro lugar ficou a Toyota com 3,2 mil.

GAC e Santander fecham parceria para financiamento de veículos

São Paulo – A GAC Motor anunciou que fechou parceria com o banco Santander para que os carros da marca, que começarão a ser vendidos no Brasil no segundo trimestre, possam ser adquiridos por meio da Santander Financiamentos.

O primeiro lote com cerca de trezentos veículos de três modelos de sua submarca GAC Aion, vindos da China, deverá desembarcar no País em meados de abril.

A montadora planeja investir US$ 1 bilhão ao longo dos próximos cinco anos, o que inclui instalar fábrica no País. No ano passado a GAC comercializou 2,5 milhões de veículos em mais de setenta países.

Blindagem de veículos bate recorde e setor investe em novas fábricas

São Paulo – A indústria de blindagem veicular bateu recorde no Brasil no ano passado, pela quarta vez em sequência: segundo a Abrablin, Associação Brasileira de Blindagem, foram 34,4 mil veículos blindados, crescimento de 17,5% sobre 2023. O quinto ano consecutivo de recorde, em 2025, é esperado pelo setor, que se prepara para atender à forte demanda crescente pelo serviço.

Para Michel Haddad, diretor de relações com OEMs do setor automotivo e de inteligência de vendas da blindadora Carbon, a expectativa é avançar mais de 10% em 2025. Em entrevista exclusiva à Agência AutoData ele disse que, após investir R$ 75 milhões em 2024 e crescer 40%, a empresa já possui um novo ciclo de investimento em andamento:

“Serão aplicados R$ 50 milhões em 2025 para ajudar na ampliação de nossas operações e para uma nova fábrica de vidros. O valor também será usado para elevar o volume de veículos blindados no ano, aumentando o nosso faturamento de R$ 470 milhões em 2024 para R$ 600 milhões em 2025”.

A expectativa da Carbon é blindar 6 mil veículos em 2025, uma expansão de 25% sobre o volume do ano passado.

A nova fábrica de vidros, citada pelo executivo, ficará instalada em Jarinu, SP, com previsão de iniciar suas operações ainda no primeiro semestre, unindo-se às outras duas instaladas em Atibaia e Mogi das Cruzes, também no Estado de São Paulo. A fábrica de blindagem da empresa está instalada em Barueri, SP.

Michel Haddad, diretor da Carbon

Segundo o diretor hoje a Carbon é líder do mercado de blindados. Ele disse que o grande diferencial da empresa para conquistar novos clientes está no prazo da blindagem, que no seu caso leva cerca de 22 dias úteis, enquanto as demais empresas precisam de dois meses.

As expectativas da Carbon para o mercado seguem em linha com as da Abrablin, que não espera um recuo em 2025 e acredita que o mercado pode crescer, mas depende de alguns fatores, segundo o seu presidente, Marcelo Silva:

“Depende da economia do Brasil: se ela crescer e a venda de veículos novos for representativa o mercado de blindagem acompanha e cresce, como acontece historicamente. Uma projeção neste momento não é possível, mas acreditamos que o setor não oscile para baixo, em razão da cultura de blindagem já estar bem presente na mente das pessoas, para além de questões de segurança”.

Marcelo Silva, presidente da Abrablin

A cultura da blindagem citada pelos executivos se refere ao público que entra no segmento e não sai mais. Em alguns casos o cliente pode até comprar um carro mais barato do que o anterior mas mantém a blindagem em busca de mais segurança.

O Brasil é uma referência global em blindagem veicular. O mercado cresce ano a ano porque quem blinda o seu primeiro veículo em tese não deixa de blindar os seguintes. A blindagem tem avançado para além do Sudeste, com demandas crescente no Sul e no Nordeste, afirmou o presidente da Abrablin.

A entidade calcula que a frota blindada em circulação no País gira em torno de 400 mil unidades.

Demanda pela blindagem nacional no Exterior

A blindagem da Carbon levantou o interesse da Volvo Cars, que atualmente é parceira global da empresa e oferece seus veículos blindados de fábrica para os clientes no mundo todo. Parte dessa demanda é atendida pela Carbon, que já exportou modelos Volvo para diversos países.

Novos projetos com outras montadoras em formato parecido estão em negociação pela empresa, que busca avançar também com vendas externas uma vez que no Brasil já detém varias parcerias comerciais. Neste caso as montadoras mantêm a garantia de fábrica do veículo após a blindagem realizada pela Carbon.

Vendas globais da ZF recuam 11%

São Paulo – As vendas da ZF no ano passado alcançaram € 41,4 bilhões, queda de 11% com relação a 2023, € 46,6 bilhões. De acordo com a empresa o resultado foi influenciado pela desvinculação da linha de produtos de montagem de eixos de carros de passeio e sua transferência para a joint venture ZF Foxconn Chassis Modules a partir de 30 de abril, o que corresponde a um efeito único de € 2,6 bilhões.

Ajustadas para efeitos de fusões e aquisições e influências cambiais as receitas de vendas orgânicas caíram cerca de 3%. Disse o CFO Michael Frick que “o desenvolvimento econômico continua fraco e estamos vendo volumes mais baixos tanto no segmento de carros de passeio como, ciclicamente, no segmento de veículos comerciais”.

No entanto a maioria das divisões superou o mercado. A divisão ZF Aftermarket se beneficiou particularmente de menores negócios de veículos novos e maiores demanda de serviços. Suas vendas aumentaram 12%, para € 3,6 bilhões em 2024. Do ponto de vista regional a Europa continuou sendo a região com as maiores vendas, respondendo por 47%, seguida pela América do Norte, com 27%, e pela região da Ásia-Pacífico, com 23%.

O EBIT ajustado do Grupo ZF totalizou € 1,5 bilhão, enquanto que no ano anterior foi de € 2,3 bilhões, o que corresponde a uma margem EBIT ajustada de 3,6% frente à de 5,1% de 2023. O fluxo de caixa livre ajustado para atividades de fusões e aquisições totalizou € 305 milhões enquanto que um ano antes estava em € 1,3 bilhões.

As elevadas provisões para custos de reestruturação de cerca de € 600 milhões conduziram a resultado líquido de menos € 1 bilhão. Como resultado a dívida aumentou para € 10,4 bilhões no fim de 2024. No ano fiscal de 2024 a ZF liquidou dívidas de € 2,3 bilhões e criou segurança de planejamento com várias transações de financiamento. 

“Embora estejamos no meio de nossa faixa de previsão ajustada em setembro em termos de receita, EBIT e fluxo de caixa, naturalmente não podemos estar satisfeitos com os resultados financeiros em um ano de transformação como este.”

O executivo enfatizou que as medidas iniciadas são necessárias para que a empresa se reposicione para o crescimento futuro. A ZF está seguindo consistentemente seu curso de programas de desempenho e realinhamento estratégico em que embarcou há dois anos para abrir áreas de negócios individuais para parcerias, permitindo alcançar melhores oportunidades de crescimento.

O CEO do Grupo ZF, Holger Klein, disse que objetivo é reduzir a dívida da companhia. Foto: Divulgação.

“2024 deixou claro o quanto estão sob pressão a nossa indústria e nossa empresa”, disse o CEO do Grupo ZF, Holger Klein, na apresentação do relatório anual em Friedrichshafen, Alemanha. “Estamos enfrentando estes desafios com um plano de ação estratégico claro. O objetivo é reduzir a dívida da ZF e transformar a empresa em uma líder em tecnologia mais ágil e lucrativa.”

Empregos diminuíram 4% em todo o mundo e também na Alemanha

No ano passado, a capacidade de pessoal na Alemanha foi reduzida em cerca de 4 mil postos de trabalho, principalmente por meio de aposentadoria parcial, flutuação, expiração de contratos de trabalho temporários e redução coletiva das horas de trabalho semanais.

Em 31 de dezembro de 2024 a ZF empregava 161,6 mil pessoas em todo o mundo, enquanto que em 2023 eram 168,7 mil, cerca de 4% a menos do que no ano anterior. Na Alemanha o número de empregados também diminuiu nominalmente cerca de 4%, para 52 mil.

Expectativa para este ano é seguir focada em sua reestruturação

As perspectivas para o ano fiscal de 2025 permanecem cautelosas, informou a empresa. Particularmente para a zona do euro e a Alemanha é esperado apenas um crescimento econômico fraco. O mesmo vale para os mercados de veículos que podem permanecer abaixo dos valores do ano anterior. Além disto, segundo a sistemista, a pressão da transformação continua forte, assim como as incertezas causadas por influências geopolíticas e protecionistas.

A ZF afirmou que continuará intensamente envolvida na reestruturação que já foi iniciada este ano. Neste cenário e assumindo taxas de câmbio estáveis, espera gerar vendas de mais de € 40 bilhões em 2025. Espera-se que a margem EBIT ajustada fique na faixa de 3% a 4%, e que o fluxo de caixa livre ajustado seja superior a € 500 milhões.

Igor Calvet é o entrevistado no novo Linha de Montagem AutoData

São Paulo — Linha de Montagem AutoData, programa que será veiculado quinzenalmente na Agência AutoData, faz sua estreia em um momento delicado da economia brasileira e da geopolítica global. Seu objetivo é dar voz aos principais executivos do setor automotivo e permitir que compartilhem suas opiniões sobre o futuro da indústria e sobre os rumos do Brasil e do mundo.

Neste programa de estreia Márcio Stéfani, diretor de AutoData, entrevistou Igor Calvet, eleito presidente executivo da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, numa conversa que abordou os desafios e as perspectivas para o setor automotivo brasileiro, tanto em nível nacional quanto internacional, em um cenário de instabilidade econômica e geopolítica.

Calvet destacou que, apesar das dificuldades, o objetivo de retomar a produção de 3 milhões de unidades no Brasil segue sendo uma meta possível, embora desafiadora. Ele também falou sobre o Mover, Mobilidade Verde e Inovação, política que visa a tornar a indústria brasileira mais competitiva, e se mostrou favorável à ideia de que veículos híbridos flex podem ser uma janela de prosperidade para o setor.

Sobre os números positivos registrados no primeiro bimestre de 2024, com crescimento nas vendas, produção e exportações, Calvet manteve a expectativa de crescimento para o ano, com projeções ainda otimistas, embora ciente dos desafios impostos pela inflação e pelos juros altos.

Ele também foi questionado sobre o risco de o Brasil perder parte dos investimentos anunciados no último ano, especialmente diante da instabilidade global. Sobre isto ressaltou que acredita que “principalmente em razão da previsibilidade e da estabilidade de mercado criado no Brasil após a instalação do Mover este risco não existe”.

A Argentina, um dos principais mercados do Brasil, também foi mencionada: o presidente da Anfavea acredita que a recuperação de mercado e das exportações para o país vizinho também estão sendo importantes para o bom desempenho da indústria brasileira neste início de ano.

A entrevista seguiu para a questão das importações, com Calvet apoiando a necessidade de antecipar a cobrança de alíquota de 35% sobre carros híbridos e elétricos chineses: “O governo brasileiro precisa responder com urgência a esta questão. Não responder gera insegurança para todos”.

Para encerrar Calvet falou sobre sua principal missão como novo presidente da Anfavea: “Fortalecer o diálogo com o setor público e buscar soluções estruturantes para os desafios do setor automotivo, com um olhar atento às transformações necessárias para garantir a competitividade da indústria brasileira”.

Para acompanhar a entrevista na íntegra clique aqui ou confira abaixo:

Mercedes-Benz vende 70 ônibus para o Grupo Jal

São Paulo – A Mercedes-Benz vendeu setenta ônibus para o Grupo Jal, de São João do Meriti, RJ, que está renovando sua frota. Cinquenta unidades foram para a frota da empresa Flores e as outras vinte para a da Real Rio, que operam no transporte coletivo urbano da Baixada Fluminense. 

Todas as unidades são do chassi OF 1721, modelo mais vendido pela Mercedes-Benz no Brasil, produzido na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Estão em negociação mais mais dezesseis ônibus do modelo OF 1619.

Omoda Jaecoo é a nova associada da ABVE

São Paulo — A Omoda Jaecoo é a nova associada da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico. A empresa tem origem na China e inicia suas operações no Brasil a partir de 15 de abril, com a abertura de cinquenta concessionárias em dezessete estados.

Sua estreia será com duas linhas de produtos, sendo a Omoda dedicada a consumidores urbanos, com modelos eletrificados, e os Jaecoo são veículos robustos e preparados para o off-road.

O plano da empresa, que não vende na China, é apostar no Brasil em carros híbridos plug-in, híbridos, elétricos, híbridos flex e, no futuro, veículos a combustão.

Marcopolo Rail inicia entrega de composições no Chile

São Paulo – A Marcopolo Rail iniciou a entrega das três composições do modelo Prosper para a Ferrocarriles del Estado EFE Trenes, do Chile, responsável pela gestão da rede ferroviária. É uma das empresas públicas mais antigas do país, fundada em 1884.

As unidades foram produzidas na fábrica de Ana Rech, em Caxias do Sul, RS, que atualmente é dedicada à produção de composições para o segmento ferroviário.

Case IH aposta no etanol para descarbonização das máquinas agrícolas

São Paulo – A Case IH, fabricante de máquinas agrícolas do Grupo CNH Industrial, anunciou que sua grande aposta para reduzir as emissões de CO2 dos seus equipamentos é o etanol. A empresa iniciou os testes com uma primeira colhedora de cana-de-açúcar movida a etanol no fim de 2024 e, após os resultados positivos, voltará a usar o equipamento no início da safra deste ano.

O motor utilizado na colhedora Ausoft 9000 é um Cursor 13 de ciclo otto, o mesmo utilizado em motores flex, produzido pela FPT, que passou por diversos testes de bancada antes de ser aplicado no equipamento para os testes em campo. 

Christian Gonzalez, vice-presidente da Case IH para América Latina, disse que depois de alguns anos de estudo a empresa chegou à conclusão de que o etanol é a melhor opção para a descarbonização das máquinas agrícolas:

“Vimos que o etanol é a melhor solução, principalmente para o Brasil, e por diversos fatores: é um combustível produzido por nossos clientes e amplamente utilizado, e que não demanda novos investimentos em infraestrutura e logística por parte dos produtores”.

Aumento da Selic pressiona financiamentos de veículos

São Paulo – Razão para a Anfavea acender o sinal de alerta, os juros para financiamentos de veículos – que em janeiro alcançaram média de 29,5% ao ano, o maior índice da história recente de acordo com a entidade – tendem a receber mais pressão após o resultado da última reunião do Copom, Comitê de Política Monetária, com a decisão de elevar a taxa básica Selic para 14,25% ao ano, ajuste de 1 ponto porcentual.

Prejudicadas desde a pandemia, quando passaram a minoritárias dentro das vendas de veículos 0 KM, as compras financiadas voltaram a ganhar espaço e tornaram-se importante motor para o crescimento do mercado nos últimos meses. No ano passado quase empataram com compras à vista: 45% a prazo e 55% à vista, de acordo com a Anfavea, mas ainda longe da divisão de 70%-30% do passado.

E a tendência era seguir ganhando participação e impulsionando o mercado. Segundo a B3, que opera o sistema nacional de gravames, as vendas financiadas – aí somados todos os veículos, novos e usados – registraram o melhor resultado em dez anos no primeiro bimestre. 

O aumento do juro, porém, encarece a parcela e pode afastar consumidores do mercado de 0 KM, apesar do cenário de baixo desemprego. Para Sílvio Paixão, professor da Fipecafi e do Pecege, o aumento da Selic afetará o setor com intensidade. No caso dos pesados, avaliou, deverá mexer com as vendas ao longo de todo o ano.

“A comercialização de ônibus, por sua vez, tem uma particularidade. Pode avançar em algum momento a partir do segundo semestre, visto que o ano que vem, com eleições, deve apresentar maiores demandas por transportes coletivos.”

Crédito com custo mais baixo

Segundo o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, a grande questão é que o crédito automotivo ainda apresenta taxas mais baixas do que outros, como CDC, cartão de crédito e cheque especial. 

“Então, embora exerça impacto sobre as demais taxas de mercado, no financiamento automotivo é um pouco menor, uma vez que muitas empresas têm bancos próprios e, por vezes, conseguem redução de margem para oferecer crédito à compra do carro 0KM. O reflexo, portanto, será menor do que outros setores.”

No caso de caminhões e ônibus há, em sua avaliação, um fator que pesa mais do que a própria taxa de juros, que só vem para piorar o cenário. Ele acredita que a desaceleração econômica seja mais decisiva na hora de optar ou postergar a renovação da frota: 

“O Brasil cresceu 3,4% no ano passado, 3,2% em 2023 e a expectativa para este ano é de aumento de 2% a 3%. Há uma desaceleração, que não é tão forte assim, mas que reflete a redução da produção, da importação e, portanto, do frete. Precisamos pensar que o rodoviário é o principal modal de logística do país. A desaceleração econômica é talvez mais explicativa do que a Selic”.

Balistiero reconheceu, porém, que o cerco se fecha ainda mais se o banco da montadora não tiver folga suficiente para trabalhar nos juros, dado o elevado tíquete médio, ao lembrar que a Selic em seu “patamar proibitivo é apenas um piso, e que os custos para o financiamento podem chegar a 30% ou 40% ao ano”, ainda mais com a tendência de novos ajustes na taxa básica até dezembro, chegando aos 15% ao ano. 

“Talvez a locação surja como opção para o transportador renovar sua frota e melhorar seu desempenho e custos neste cenário”, frente à aguardada demanda do agronegócio pela super safra, além da maior procura pelo e-commerce e transporte urbano.

Juro sobe para controle dos preços dos alimentos

Segundo Balistiero o cenário econômico atual é muito diferente daquele de uma década atrás. À época havia uma situação de dominância fiscal, quando os juros podem subir o quanto for que não surte nenhum efeito diante da deterioração das expectativas inflacionárias ocasionada pelo desequilíbrio fiscal.

“Agora a situação é outra, pois o governo tem demonstrado esforços para buscar o equilíbrio fiscal. De 2023 a 2024 houve clara redução do déficit primário e só não tivemos resultado positivo no ano passado por causa da ajuda dedicada à reconstrução do Rio Grande do Sul”, disse o economista. “Isso embora a taxa de juros esteja bastante elevada, 14,25% ao ano. E, se pararmos para pensar, foi quase um milagre a economia crescer 3,4% com a Selic no patamar em que já estava.”

Para 2025 a expectativa é que haja crescimento menor da economia, uma vez que o Banco Central tem elevado os juros para afetar os preços livres, pautado pela oferta e procura, que é onde entram os veículos. “A ideia é desaquecer os preços livres para compensar as pressões vindas de alimentos, prejudicadas pelos efeitos climáticos”.

Do lado automotivo a esperança é que o spread seja reduzido conforme a lei do marco das garantias avance e reduza a pressão sobre o juro para o setor. Segundo o presidente Márcio de Lima Leite, da Anfavea, seu efeito ainda não foi totalmente absorvido pelos bancos e há espaço para reduzir mais o spread.

Ele lamentou também que a trajetória da taxa de juros esteja ascendente no momento positivo do mercado: “Não fosse a escalada da taxa Selic o mercado poderia retornar aos 3 milhões de veículos em 2025, um marco importante para a indústria. Não chegará a este patamar, mas o mercado e o Brasil continuarão crescendo”.