São Paulo – Não se trata, no básico, de livro sobre os figurões que passaram pela General Motors do Brasil – e a companhia os teve de montão – mas daqueles profissionais que nem sempre tomavam as grandes decisões mas que sustentavam o andamento e a segurança dos negócios no seu nível de quadros médios. Ou seja: gente que carregava o piano, gente que sabia o que significa ter nas mãos as marcas do guatambu da indústria de veículos.
Mas os figurões os há. Pela ordem de entrada Brad Merkel, Rick Wagoner, Grace Lieblein, Isela Constantini, Jaime Ardila, José Eugênio Pinheiro, Luiz Carlos Lacreta, Luiz Moan, Peter Hazl, Ray Young, Ruth Évora, Volker Barth, Warren Browne.
As famílias de André Beer e de Antônio Romeu Neto também enviaram as suas impressões sobre os primeiros 100 anos da GêÊme.
O livro é o resultado de alguma ansiedade de seu coordenador, Pedro Luiz Dias, hoje também bacharel em teologia mas originariamente um profissional de relações públicas surgido em São José dos Campos, como estagiário, em 1978. Pedro se aposentou na condição de diretor do departamento de Relações Públicas em 2015. Sua ansiedade: como demonstrar o imenso prazer que teve ao trabalhar na companhia [geralmente] em tão boa companhia?
Pedro, ansioso, começou a conversar a respeito com outros companheiros e companheiras de jornada. O resultado de centenas de contatos é um livro, na forma de peça física muito bonita com direito a capa dura: belíssima ilustração na capa e lombadas secundárias num azul que se parece, mesmo, com o blue General Motors. A criação e a edição gráfica da capa é de Wagner Montes Clá Dias, que foi… designer da GM e que “se jogou de alma no projeto. Fez um estudo sobre os logos oficiais nos últimos cem anos e se desafiou a compor algo ligado a estas identidades passadas e uma visão de futuro e agilidade”, contou Pedro Luiz Dias.
A leitura do livro é animada desde o começo, com a introdução, pelo próprio ex-estagiário Pedro Luiz Dias, lembrando que “seu objetivo [do livro] é reconhecer grandes profissionais que tornaram a filial brasileira numa grande referência em várias áreas da produção automotiva”.
O livro tem dois prefácios. Um deles, do jornalista Silvestre Gorgulho, já lembra ao leitor que “houve um tempo em que a velocidade das estradas brasileiras era controlada pelos buracos”. Coisa de 1925, ano da fundação da companhia aqui. É o seu prefácio, assim, que faz o pano de fundo histórico desta leitura.
Seguem-se os depoimentos, apresentados por ordem alfabética, como convém, e com o uso bastante reduzido de adjetivos – também como convém mas condizente com a sisudez e a seriedade que a própria imagem da companhia refletiu durante tanto tempo, espelho de sua cultura interna.
Chamo a atenção para três depoimentos. Minha História na General Motors, de dom Rogério Augusto das Neves, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Região Sul, conta de seus quase onze anos na companhia, admitido como aprendiz do Senai. Estudou direito, à noite, de 1986 a 1990 e em 1992 pediu demissão e se encaminhou ao Seminário Diocesano de São José dos Campos “para iniciar os estudos e me tornar padre”.
Mais: “O meu trabalho na GM serviu para ajudar a formação do meu caráter e, também, ajudou a formar o meu ministério pastoral, porque tive a oportunidade de estar o mais próximo possível da vida do cidadão médio de nosso povo. Conheci muitas pessoas [de quem] jamais esquecerei. Ser padre é uma missão bem específica, mas ela não pode estar desligada da vida do povo. E eu me senti sempre parte do povo enquanto eu estive na GM”.
Outro depoimento é o de Volker Barth, talvez a melhor descrição à vista da gravura daquilo que o mítico Rick Wagoner encontrou quando voltou ao Brasil em 1991: “Em apenas dois anos a General Motors conseguiu passar de uma posição financeiramente fraca para a de uma força econômica notável”.
O terceiro é o de Warren Browne, que escreveu seu depoimento para que os netos soubessem que, no seu período de Brasil, “fez mais do que apenas dançar no carnaval”. De certa forma seu depoimento complementa o de Barth. Ele descreve as cenas que viveu na General Motors do Brasil acreditando que “um raio caiu três vezes no mesmo lugar”, na pessoa dos três presidentes a quem serviu, Rick Wagoner, Mark Hogan e Fritz Henderson.
E ele conta porque Hogan o chamava de Doutor Morte quando era necessário discutir o equilíbrio de custos e produção.
Serviço
Futuros 100 Anos da GM do Brasil
Obra coletiva, 67 colaboradores, coordenação de Pedro Luiz Dias, processada e impressa pela Ipsis em 2024
168 páginas
R$ 89,90
Pedidos para peterdaias@icloud.com
Pagamento por meio do pix peterdaias@icloud.com