GWM confirma a produção de um SUV de sete lugares em Iracemápolis

São Paulo – Em encontro de seu fundador e chairman, Jack Wey, com a comitiva brasileira liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pequim, China, a GWM reforçou seu planejamento de investimentos e anunciou qual será o terceiro modelo produzido em Iracemápolis, SP, junto dos já confirmados SUV Haval H6 e picape Poer: o Haval H9, um SUV de sete lugares.

Conforme publicado pela Agência AutoData a inauguração da fábrica está prevista para julho – Wey fez, pessoalmente, o convite para Lula comparecer à cerimônia –, com capacidade de produção inicial de 50 mil unidades e geração de oitocentos empregos diretos. Este volume crescerá gradativamente até alcançar 100 mil veículos por ano, com 2 mil empregos, segundo Wey:

“Ao mesmo tempo o Brasil se tornará um centro de pesquisa e engenharia, impulsionando o desenvolvimento das respectivas cadeias locais de fornecimento”.

Comitiva brasileira se reúne com executivos da GWM em Pequim. Fotos: Ricardo Stuckert/Presidência da República.

A companhia confirmou, também, o segundo ciclo de investimentos, de R$ 6 bilhões, para o período de 2027 a 2032. Serão aplicados na expansão da operação e se somam aos R$ 4 bilhões da primeira fase, completando os R$ 10 bilhões anunciados em 2022.

BYD planeja oferecer mais de 150 carregadores rápidos até o fim do ano

São Paulo – A BYD planeja a instalação de mais de 150 carregadores rápidos, com potência de até 120 kW, em lojas da marca em todo o País até o fim do ano. Até o momento existem cinquenta eletropostos em concessionárias de São Paulo, Salvador, BA, Brasília, DF, e Florianópolis, SC.

De acordo com a empresa os equipamentos estão disponíveis para qualquer motorista de carro elétrico, independentemente da marca. Disse, ainda, em nota, que já forneceu 1,4 milhão de kWh e evitou a emissão de 215 toneladas de CO2. Por meio do aplicativo BYD Recharge localiza-se aparelhos, reserva-se vagas, monitora-se a recarga em tempo real e ainda calcula-se o impacto ambiental.

Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil e chefe comercial e de marketing da BYD Auto, a proposta da empresa vai além de vender veículos elétricos e híbridos: “Estamos ajudando a construir infraestrutura confiável para o Brasil avançar na transição energética, com foco na descarbonização do transporte. Cada carregador instalado é um passo a mais rumo a um futuro mais limpo e eficiente”.

Brasil precisa ampliar capacidade para 10 milhões de veículos para competir com a China

São Paulo — No quarto programa da série Linha de Montagem AutoData o professor Antônio Jorge Martins, coordenador da área de cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas e consultor empresarial, apresentou como as empresas brasileiras do setor automotivo devem se preparar para enfrentar um possível novo ciclo industrial que se iniciará no País a partir do crescimento cada vez maior da presença da indústria automotiva chinesa no cenário global.

Durante a entrevista o professor destacou a importância da melhoria da competitividade e do aumento da capacidade de produção como palavras-chave que devem guiar o setor automotivo brasileiro com força no futuro. Ele ressaltou que, para que o Brasil continue se destacando, é fundamental que atue nestas frentes.

“A indústria automotiva chinesa opera hoje com uma capacidade produtiva anual de 50 milhões de veículos e com um custo operacional imbatível. Para continuar sendo viável como produtor no futuro o Brasil precisa se posicionar rapidamente como provedor principal da América Latina e de parte da África, elevando sua capacidade produtiva para, no mínimo, 10 milhões de unidades anuais.”

O professor sugeriu que, no curto prazo, a colaboração com a indústria chinesa pode representar plano de negócios viável, oferecendo oportunidades de transferência de tecnologia e conhecimento que podem beneficiar o setor automotivo nacional, especialmente no que se refere à tecnologia eletrônica: “O Brasil é muito rico em terras raras, o que é especialmente relevante para a produção de baterias. Isso é de grande interesse para a indústria chinesa”.

Além disto Antônio Jorge sugeriu que o setor automotivo brasileiro deveria buscar acordos com a indústria da Europa e da Ásia, que também estão enfrentando desafios devido à forte presença da indústria chinesa. Essa colaboração poderia fortalecer a posição do Brasil no mercado global.

A importância da sustentabilidade como diferencial competitivo e o papel da inovação na adaptação da indústria brasileira também foram temas da conversa. O professor enfatizou que a capacitação da mão de obra é crucial para lidar com as transformações trazidas pela crescente presença da indústria chinesa.

A entrevista completa está disponível no programa Linha de Montagem AutoData, oferecendo uma visão aprofundada sobre as perspectivas e desafios que o setor automotivo brasileiro enfrentará nos próximos anos.

Acompanhe a entrevista em vídeo:

Receita da Randoncorp cresce com impulso da reposição e dos negócios externos

São Paulo – A receita líquida da Randoncorp chegou a R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta de 25,8% na comparação com iguais meses do ano passado, segundo balanço divulgado pela companhia. O Ebitda ajustado no período foi de R$ 425,1 milhões, 22,5% maior na mesma base comparativa. 

De janeiro a março a Randoncop registrou avanço dos negócios na reposição, representando a maior parte da receita líquida, com participação de 45,7%. Este crescimento foi fundamental para ajudar na expansão, uma vez que houve redução dos negócios ligados ao agronegócio no Brasil e, no mundo, a guerra tarifária pressionou os negócios da companhia. 

As receitas internacionais, que consideram os negócios em outros mercados e as exportações a partir do Brasil, quase dobraram de tamanho no primeiro trimestre, com alta de 99,4% com relação ao período de janeiro a março de 2024. O valor total gerado com negócios externos foi R$ 184,5 milhões, puxado pela aquisição de empresas no México, Estados Unidos e Reino Unido:

“A boa demanda do mercado de reposição e a ampliação das nossas receitas internacionais foram fundamentais”, disse o diretor financeiro, Paulo Prignolato, “para mitigar os impactos desse cenário macroeconômico desafiador do momento.”

Kia amplia prazo de garantia e revisões do Bongo em nova versão

São Paulo – A Kia anunciou a chegada do Bongo K2500 4×4 ano modelo 2025/2026 nas concessionárias, com um ano a mais de garantia, passando de três para quatro anos ou 100 mil quilômetros rodados. Outra novidade é o intervalo maior para realizar as revisões, que antes era a cada 10 mil quilômetros e que teve um aumento de 50%, passando para 15 mil quilômetros.

De acordo com o diretor técnico da Kia no Brasil, Gabriel Loureiro, estas mudanças foram possíveis por causa das melhorias que o motor do Bongo recebeu, com nova calibração e componentes de maior durabilidade. O executivo acredita que as novidades terão peso positivo para os frotistas.

Juros altos puxam queda de 4% nas vendas de implementos rodoviários

São Paulo – As vendas de implementos rodoviários somaram 48 mil unidades no primeiro quadrimestre, queda de 3,7% na comparação com idêntico período do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Anfir. A retração foi maior do que a registrada nas vendas de caminhões, que recuaram 0,4% de janeiro a abril

A menor demanda foi puxada pelo segmento pesado, de reboques e semirreboques, que registrou 24,4 mil vendas, volume 19,1% menor do que o comercializado no primeiro quadrimestre do ano passado. O segmento leve, de carroceria sobre chassis, apresentou alta de 19,8%, 23,6 mil implementos. 

O novo aumento da taxa Selic, para 14,75%, traz preocupação para o presidente da Anfir, José Carlos Sprícigo:  “Juros altos afastam investimentos e, sem aportes aos negócios, as empresas não renovam nem ampliam suas frotas. Com o novo aumento na taxa de juros fica difícil estimar quando o desempenho do segmento de reboques e semirreboques apresentará melhora, porque as empresas não querem se endividar”.

As exportações apresentaram crescimento de 20,3% de janeiro a abril, 895 unidades.

Vendas financiadas de veículos recuam 1% no primeiro quadrimestre

São Paulo – No acumulado dos quatro primeiros meses de 2025 as vendas financiadas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas novos e usados somaram 2 milhões 245 mil unidades, o que configurou recuo de 1,1% em comparação ao mesmo período no ano passado, equivalente a 25 mil veículos.

É o que aponta levantamento realizado pela B3, que opera o SNG, Sistema Nacional de Gravames. Na avaliação do superintendente de produtos de financiamentos, Daniel Takatohi, o resultado reflete as altas taxas de juros:

“Já conseguimos perceber uma desaceleração no ritmo de crescimento, visto que a média de financiamentos por dia útil em abril foi menor em comparação com o mês anterior”.

Ao longo do mês passado foram financiadas as vendas de 567 mil veículos, 7,2% a menos do que em abril de 2024. Com relação a março, no entanto, foi registrado acréscimo de 3%.

No segmento de automóveis e comerciais leves houve baixa de 8,9% frente ao quarto mês do ano passado e alta de 3,4% frente a março. Quanto aos pesados a queda foi de 7,2% na comparação anual e de 0,9% na mensal. O segmento de motos foi o único a apresentar crescimento tanto com relação a abril de 2024, de 1,3%, quanto ao mês anterior, de 1,9%.

GAC amplia investimento e anuncia fábrica em Goiás

São Paulo – A GAC Motor anunciou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que faz uma viagem oficial a Pequim, China, investimento de US$ 1,3 bilhão, ou R$ 7,4 bilhões, para produzir veículos elétricos, híbridos e híbridos flex em Goiás. O valor supera em 30% o anunciado ao ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, há cerca de um ano.

O presidente da GAC Internacional, Wei Haigang, disse também que um centro de pesquisa e desenvolvimento será estabelecido na Região Nordeste. Segundo ele os planos da GAC são de fortalecer o desenvolvimento no Brasil, mercado prioritário para a empresa, quinta maior montadora da China:

“Nosso objetivo é atuar como um catalisador para o avanço tecnológico no gigante da América Latina”.

Comitiva brasileira se reúne com empresários chineses da GAC Motor em Pequim. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República.

A Lula foram apresentados os modelos Aion V, GS 4 e Ayon Y. Os três, mais o ES e Hyptec, serão lançados no mercado brasileiro em 23 de maio, em evento no Parque Anhembi, em São Paulo.

Os pormenores da operação goiana deverão ser divulgados também no evento. A GAC negou, porém, haver negociações com o Grupo HPE para comprar a fábrica de Catalão, GO, conforme veiculado pela imprensa brasileira durante a manhã de segunda-feira, 12.

Stellantis garante que Jeep Renegade seguirá em linha e lança série especial 10 anos

Goiana, PE – Para celebrar os dez anos de produção do Renegade no Brasil e a venda de mais de meio milhão de unidades desde 2015 a Jeep lançou uma edição especial estilizada do SUV compacto, numerada e limitada a 1 mil 10 unidades, com o mesmo pacote da versão topo de linha Willys e também o mesmo preço: R$ 186 mil.

“O Renegade é responsável por mais da metade dos mais de 1 milhão de Jeep vendidos no Brasil nos últimos dez anos”, justificou Hugo Domingues, vice-presidente da Stellantis responsável pela marca Jeep na América do Sul, que também garantiu a continuidade da produção do modelo no País. “Ele terá vida longa, haverá uma nova geração e um futuro promissor.”

Mesmo após a esperada chegada ao País um novo e mais barato Jeep, o Avenger – com fortes indícios de que deverá ser produzido em Porto Real, RJ, sobre a plataforma CMP – Domingues avalia que o Renegade tem qualidades para seguir no portfólio como opção complementar, por trafegar em categoria superior e ser o único SUV compacto à venda no País com opção de tração 4×4.

Este ano, até abril, o Renegade é o segundo Jeep mais vendido no País e figura em vigésimo na lista geral de todos os modelos à venda, com 13,6 mil emplacamentos em quatro meses, volume que representa queda de 8% na comparação com o desempenho do mesmo período de 2024.

A edição comemorativa do Renegade tem adesivos na coluna C e no capô com logotipo alusivo aos dez anos de produção do modelo em Goiana, PE, além de bordados caracterizados no encosto dos bancos dianteiros e soleiras. Cada uma das 1 mil 10 unidades produzidas tem sua numeração sequencial gravada no carro. Também são exclusivas as novas rodas de 17 polegadas.

No mais o pacote é idêntico ao da versão topo de linha Willys: motor 1.3 turboflex de 176 cv, câmbio automático, tração 4×4, pneus off-road ATR+, teto solar, central multimídia com tela de 8,4 polegadas com espelhamento sem fio, quadro de instrumentos digital de 7 polegadas colorido e configurável, ar-condicionado automático de duas zonas, seis airbags e tecnologias de condução semiautônoma.

Jeep completa 10 anos de produção no Brasil com promessa de novas tecnologias

Goiana, PE – A Jeep e a fábrica do Grupo Stellantis em Pernambuco completaram, no fim de abril, dez anos de operação com a produção de quase 1,3 milhão de unidades dos SUVs Renegade [660 mil], Compass [545 mil] e Commander [75 mil], pouco mais de 1 milhão deles vendidos no Brasil. Após o sucesso industrial e comercial da marca aqui um novo horizonte começa a ser desenhado com a adoção, no curto prazo, de uma plataforma com alternativas de propulsão eletrificada.

Não será tarefa fácil substituir a atual e bem-sucedida plataforma Small Wide, que além dos três SUVs Jeep também trouxe à vida as picapes Fiat Toro e Ram Rampage, que ao lado do Commander foram desenvolvidos no Brasil com carrocerias e powertrain próprios. Portanto esta base é parte indissociável da alta produtividade da planta de Goiana, PE, que há anos seguidos trabalha em três turnos no topo de sua capacidade produtiva anual, estendida a 280 mil unidades em anos recentes.

A questão é que, no Exterior, a Small Wide está sendo substituída pela mais mderna STLA Medium, que conta com mais tecnologia e opções de eletrificação, como é o caso do recém-lançado na Europa novo Compass, produzido em Melfi, Itália, em três versões eletrificadas: 100% elétrico 4×4 de 213 cv a 375 cv, híbrido leve com bateria de 48 V e motor de 145 cv e híbrido plug-in de 195 cv.

Família nacional eletrificada e aumentada

Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis América do Sul, evita confirmar o que será feito exatamente no Brasil, se a Small Wide será substituída pela STLA Medium ou se ambas conviverão na mesma linha de produção, o que pode prejudicar a produtividade. Mas ele dá uma pista: “Nossa engenharia já está trabalhando fortemente neste tema. O objetivo é preservar nossos ganhos de escala e, ao mesmo tempo, adotar novas tecnologias de eletrificação nos carros que produzimos em Goiana”.

De concreto até o momento existem R$ 13 bilhões em investimentos confirmados que serão destinados à fábrica de Goiana de 2025 a 2030, parte significativa do ciclo de R$ 30 bilhões anunciado pela Stellantis para suas operações no País até o fim desta década. No ano passado, ao anunciar o aporte, Cappellano disse que os recursos são destinados à modernização de linhas de produção e novos modelos a serem produzidos.

A família brasileira da Jeep deverá crescer em breve quando for confirmada a já esperada produção do Avenger, programado para ser o modelo de entrada da marca. Contudo, como o SUV compacto já é produzido sobre outra plataforma, a CMP herdada da PSA, todos os indícios apontam que a produção não será em Goiana e sim na fábrica de Porto Real, RJ, onde já são produzidos três Citroën sobre a mesma CMP. É aguardada para breve a confirmação da fabricação nacional do Avenger.

Pontapé da Jeep em Goiana

A Jeep foi a marca escolhida pela então FCA, Fiat Chrysler Automobiles, para inaugurar e nortear as operações da fábrica de Pernambuco sobre a plataforma Small Wide, tanto que a operação nasceu, em abril de 2015, com o nome de Polo Automotivo Jeep, e o primeiro modelo produzido foi o Renegade.

A partir de 2021 a operação foi renomeada como Polo Automotivo Stellantis de Goiana, logo após a fusão da FCA com a PSA que deu origem ao novo grupo empresarial. Mas o que nunca mudou é que, desde a inauguração, todos os veículos produzidos lá, inclusive os das outras duas marcas além da Jeep, compartilham a mesma plataforma, com os mesmos motores e caixas de câmbio, só alternando o tipo de carroceria.

Assim a Jeep puxou a produção de modelos tecnologicamente avançados – mais do que a média nacional – em um dos mais modernos e produtivos complexos industriais do mundo, atraído por benefícios fiscais a uma nova fronteira industrial do País, como atesta Cappellano: “Somos o único polo automotivo do Nordeste, o que significa desenvolvimento e empregos na região, mas que também movimenta insumos e tecnologia em todo o Brasil”.

A fábrica emprega 5,5 mil pessoas e mais de 8 mil trabalham no polo para dezoito fornecedores instalados bem ao lado, mas também existem quarenta empresas em Pernambuco fornecendo componentes. Segundo Cappellano, a depender do modelo, de 30% a 35% das compras são feitas no próprio Estado, outros 35% a 40% são de empresas localizadas no Sudeste, principalmente Minas Gerais e São Paulo, e o restante são itens importados.

Coincidência histórica

A história da Jeep em Pernambuco começou muitos anos antes e, em uma peculiar coincidência histórica, foi este passado que pavimentou a instalação da fábrica de Goiana.

A Willys Overland começou a produzir os utilitários Jeep no Brasil em 1954 e, em 1966, instalou uma linha de montagem adicional em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha à Capital, Recife. A produção seguiu até 1983 e depois a pequena planta foi utilizada por algumas empresas, a última delas a fabricante de chicotes automotivos TCA, de origem argentina, que no fim dos anos 1990 ganhou incentivos do Regime Automotivo do Nordeste. Em 2009 o Grupo Fiat comprou a unidade para herdar estes benefícios e construir uma fábrica de carros no Estado, o que foi autorizado por um decreto presidencial no apagar das luzes de 2010. Até hoje a TCA funciona no mesmo local como subsidiária do grupo e produz chicotes para Goiana.

Àquela altura, no mesmo 2010, o então Grupo Fiat já havia comprado e salvo da falência o Grupo Chrysler, do qual a Jeep era uma das marcas, dando origem à criação da FCA. Houve então a decisão de construir a fábrica de Goiana para fazer modelos Jeep – mais caros e, portanto, mais beneficiados pelos incentivos tributários do Regime do Nordeste que vigora até hoje e foi estendido até 2032.

Foi dessa forma que a antiga e mirrada linha de produção da Jeep em Pernambuco tornou viável o investimento em uma das maiores fábricas do País.

Na crista da onda SUV

Mais do que introduzir uma nova fabricante de veículos no País a Jeep fez crescer – e muito – a onda de SUVs que hoje domina cerca de metade das vendas de automóveis no mercado brasileiro.

Focada 100% na produção de SUVs com grandes capacidades off-road a Jeep foi responsável por cerca de 30% do crescimento deste segmento no Brasil, aponta Hugo Domingues, vice-presidente da Stellantis responsável pela marca na América do Sul: “Há dez anos apenas SUVs simples eram produzidos no País [como Ford EcoSport e Renault Duster], e os mais sofisticados eram todos importados com preços inacessíveis. Existiam poucos modelos e pouca competição neste nicho. Isto até que o meteoro Jeep caiu em Pernambuco e tornou-se uma opção viável”.

Não só viável como também mais disponível, com três modelos nacionais e três importados à venda em 240 concessionárias espalhadas em quase todos os estados brasileiros, em uma sinergia de distribuição, pois boa parte da rede é formada por grupos que também são distribuidores oficiais de outras marcas do Grupo Stellantis.

Com mais de 95% de suas vendas no País lastreadas nos três modelos produzidos em Goiana, que trafegam na faixa de preços que começam em R$ 120 mil, o Renegade mais simples, e passa dos R$ 335 mil no caso do Commander topo de linha, mesmo com valores altos a Jeep é hoje a sétima marca de veículo mais vendida no Brasil e a única que já vendeu mais de 1 milhão de SUVs por aqui. Em anos recentes não era raro encontrar Renegade e Compass na lista dos dez carros mais emplacados do País.

Com o lançamento do compacto Renegade em 2015, seguido pelo médio Compass lançado em 2016 com inovações ainda pouco comuns no Brasil, como os sistemas eletrônicos de assistência ao motorista, até o sofisticado Commander de grande porte em 2021 – primeiro Jeep desenvolvido fora dos Estados Unidos – a marca conseguiu cobrir com sucesso todas as categorias de SUVs no mercado brasileiro usando uma só plataforma, aproveitando evidentes ganhos de escala.

São todos carros que mudaram pouco na aparência nos últimos anos mas que conservam bom desempenho comercial respaldado pela aura de marca aspiracional da Jeep, que há dez anos ganhou sua bem-sucedida porção brasileira.