Antonio Filosa é um dos cotados à sucessão de Carlos Tavares

São Paulo – Após a inesperada renúncia de Carlos Tavares ao cargo de CEO da Stellantis um comitê executivo interino foi nomeado por John Elkann, presidente do conselho de administração e herdeiro dos Agnelli, família que ainda é a maior acionista da companhia por meio de sua holding Exor. Elkann preside também o comitê interino que, segundo a agência de notícias Reuters, tem entre seus integrantes alguns potenciais sucessores de Tavares.

Um deles é conhecido dos brasileiros: Antonio Filosa, que até o fim do ano passado presidiu a operação sul-americana da Stellantis, antes de deixar o cargo para Emanuele Cappellano para assumir a Jeep globalmente. Dentro do comitê interino ficará sob sua responsabilidade todas as marcas do antigo grupo Chrysler – Chrysler, Ram, Jeep, Dodge –, a América do Sul, América do Norte e a divisão de projetos estadunidense, incluindo a Maserati.

Filosa é, segundo a Reuters, cotado para o cargo, mas não o único: dentro do comitê existem outros nomes como Maxime Picat, diretor de compras e de qualidade com fornecedores, Jean-Philippe Imparato, responsável pela companhia na Europa, Douglas Ostermann, diretor financeiro da Stellantis, e Richard Palmer, que é conselheiro especial de Elkann.

O mercado financeiro especula ainda outros nomes ligados ou não à Stellantis, como o antigo CEO da FCA, Mike Manley, Edouard Peugeot, herdeiro da família, Luca de Meo, atual CEO da Renault, e José Munoz, recém-eleito CEO da Hyundai. Não está descartada, também, a contratação de alguém de fora da indústria automotiva.

Mercado caminha para alcançar a projeção da Fenabrave

São Paulo – Ao somar 2 milhões 377 mil 117 veículos emplacados de janeiro a novembro, crescimento de 15,4% sobre o mesmo período de 2023, o mercado brasileiro está mais próximo de atingir a projeção de vendas para o ano da Fenabrave do que a da Anfavea. A associação que representa o setor de distribuição corrigiu suas estimativas, pela segunda vez no ano, em outubro, elevando para 2 milhões 656 mil veículos, alta de 15,4% – na verdade foi uma pequena correção: em julho a projeção divulgada fora de 14,7% de crescimento, 2 milhões 648 mil veículos. Já a Anfavea fez sua última revisão em julho, para 2 milhões 560 mil unidades, alta de 10,9%.

Para alcançar a projeção da Fenabrave em dezembro, mês em que tradicionalmente as vendas são mais aquecidas, seriam necessários 279 mil emplacamentos. Já para chegar à da Anfavea o mercado precisaria licenciar 183 mil veículos no último mês de 2024.

A Fenabrave está mais próxima, portanto: em novembro foram comercializados 253,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo melhor volume para o ano, inferior apenas às 264,9 mil unidades de outubro, queda de 4,3%. Mas esta queda é revertida a crescimento quando comparamos as médias diárias: com dezenove dias úteis novembro registrou 13,3 mil licenciamentos/dia, contra 11,5 mil em outubro, crescimento de 15,7%.

Como dezembro costuma ser bem aquecido, apesar do ritmo menor na última semana por causa das festas, é bem possível que, se não passar, ao menos as vendas cheguem bem perto do que a Fenabrave estimou em julho.

Por segmento

As vendas, no mês passado, cresceram em todos os segmentos na comparação com novembro do ano passado e recuaram com relação a outubro, devido à menor quantidade de dias úteis.

Em automóveis e comerciais leves foram emplacados 241,1 mil unidades, alta de 19,6% na comparação anual e recuo de 3,5% na mensal. No acumulado do ano são 2 milhões 242 mil unidades vendidas, avanço de 15,4%: “O crédito tem um papel importante nestes números”, disse o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior. “Tanto as vendas do varejo como as corporativas vem sendo positivas e acima das nossas expectativas iniciais, o que indica que devemos alcançar as nossas projeções e fechar o ano com mais de 2,5 milhões de unidades emplacadas”.

No segmento de caminhões foram vendidas 10 mil unidades em novembro, crescimento de 11% sobre o mesmo mês de 2023 e queda de 16% com relação a outubro. No ano foram 110,9 mil emplacamentos, avanço de 18,1%.

Em ônibus o mercado cresceu 18,8% na comparação anual, apesar da queda de 26,4% na mensal, para 2,3 mil unidades. De janeiro a novembro foram 25,1 mil unidades vendidas, alta de 10,3%.

Locação e crédito salvam o ano sem benefício ao consumidor

O emplacamento de 2 milhões 204 mil automóveis e utilitários leves de janeiro a novembro praticamente consolida o cenário de um ano bastante acima das expectativas de doze meses atrás, quando os fabricantes de veículos esperavam um desempenho modesto, com crescimento na casa dos 5%, projeção que saltou para 11% no meio de 2024 e agora avança para 15%.

Locadoras comprando mais e crédito disponível – mesmo que caro – explicam o crescimento acima do esperado, que não traz nenhum benefício direto ao consumidor final pois os veículos novos, com preço médio de venda acima dos R$ 150 mil, continuam inacessíveis para a grande massa de viventes no País.

Ainda assim a praticamente confirmada expansão das vendas em torno de 15% significará a soma de cerca de 2,5 milhões de veículos leves zero-quilômetro emplacados até o fim deste ano – o que confirmará a projeção da associação dos concessionários, a Fenabrave, recalculada no início de outubro de 12% para 15%, com o sentimento de quem está “com o umbigo no balcão”, como vem dizendo o presidente da entidade, José Maurício Andreta Júnior.

Este resultado confirma duas afirmações: existe demanda reprimida por carros no País e o volume de vendas poderia ser bem maior se os preços e juros não fossem tão altos.

Mais crédito

O crescimento acima do esperado consolida a velha máxima do mercado: o que vende carros, nesta ordem, é emprego e crédito. A taxa de desemprego na casa dos 6%, o menor nível em uma década, significa maior renda disponível e confiança dos consumidores para tomar empréstimos e dos bancos para concedê-los.

Não à toa o volume de automóveis e comerciais leves vendidos por financiamento já cresceu 25% este ano até outubro, segundo acompanhamento da B3, e no mesmo período, de acordo com o Banco Central, as concessões para pessoas físicas avançaram 38%, alcançando quase R$ 20 bilhões só no mês de outubro, o maior valor mensal de 2024.

O desempenho ocorre a despeito da alta do juros dos financiamentos de veículos, que segundo o mesmo levantamento do BC alcançou a média de 25,9% ao ano em outubro, a maior taxa dos últimos doze meses. O que comprova outra máxima: não importa o tamanho do juro se a prestação couber no bolso.

A expansão do crédito para a compra de veículos por pessoas jurídicas, as empresas, é bem mais tímida: ainda segundo o BC foram concedidos R$ 5,8 bilhões em outubro, que apesar de ser o maior valor mensal de 2024 é 3,5 vezes menor do que o concedido a pessoas físicas no mesmo mês.

O crescimento das concessões de financiamentos a empresas este ano alcança 14%, menos da metade do desempenho dos financiamentos a pessoas físicas, mesmo com juro bem mais baixo a pessoas jurídicas, que pagam taxa média de 17% ao ano.

Esta grande diferença aponta que a maior concessão de crédito explica o crescimento de pouco mais da metade do mercado de veículos, as compras nas concessionárias por pessoas físicas, que de janeiro a novembro representaram 54,6% das vendas, ou 1 milhão 220 mil unidades, segundo levantamento da consultoria Bright.

Este volume resulta em crescimento de 23,8% dos negócios fechados no varejo sobre os mesmos onze meses de 2023, porcentual que ficou bastante acima da expansão média do mercado este ano.

Locação puxa vendas diretas

Outra metade do crescimento do mercado brasileiro de veículos em 2024 foi puxada pelas vendas diretas, modalidade na qual o fabricante fatura o carro diretamente ao consumidor final, sejam empresas ou pessoas físicas, com ou sem intermediação das concessionárias.

Este instrumento é utilizado atualmente não só para vendas a empresas ou locadoras mas, também, vem crescendo bastante o faturamento direto a pessoas físicas com intermediação de uma concessionária. É uma forma de não comprometer o caixa do concessionário com estoques e sustentar descontos da fábrica.

Segundo dados da Bright de janeiro a novembro as vendas diretas representaram 45,4% dos emplacamentos, ou pouco mais de 1 milhão de unidades, em crescimento modesto de 6,5% sobre o mesmo período de 2023, mas esta porção cresceu bem mais nos últimos meses, chegando ao recorde de 51,8% em novembro, o que sinaliza que empresas e locadoras estão aumentando substancialmente suas compras na reta final do ano.

Este movimento sempre acontece quando o crédito a pessoas físicas começa a ficar mais caro, o que reduz as vendas de varejo e faz os fabricantes correrem para a vendas corporativas.

Mais da metade das vendas diretas foram para locadoras, que segundo a ABLA, associação que reúne empresas do setor, deverão encerrar 2024 com a compra de 620 mil novos veículos, 5% acima do que compraram em 2023, absorvendo cerca de um quarto das vendas de automóveis e comerciais leves no País.

Ainda segundo a ABLA a frota das locadoras no País deverá somar 1 milhão 650 mil veículos ao fim deste ano, superando em 80 mil unidades o número de 2023. Deste total 880 mil, ou 53%, são locações de longo prazo, a maioria para de frotas de empresas. Neste número já estão incluídos 180 mil carros locados em programas de assinatura, em contratos de um a três anos.

A frota de carros por assinatura divulgada pelas locadoras cresceu 44% este ano e aprofunda uma mudança em curso no mercado brasileiro: a transição da posse pelo uso do bem, ou a troca da compra do automóvel pelo aluguel de médio e longo prazo, que em meio às modalidades de locação é a que mais cresce.

Mas o número da ABLA aparentemente é menor do que o real volume da frota de locação por assinatura, pois só considera as locadoras que têm esta oferta. Existem mais jogadores neste jogo, como diversas empresas das próprias fabricantes criadas nos últimos quatro anos especificamente para alugar carros em programas de assinatura, ou até mesmo concessionárias que oferecem planos próprios com suas frotas.

Não deixa de ser uma opção para quem precisa de um carro para rodar todo dia e não tem o dinheiro da entrada. O valor das parcelas do financiamento é parecido com as da assinatura, com a diferença que ao fim do contrato o locador devolve o carro e não tem o valor do bem usado para dar de entrada no novo. Seja lá qual for a opção o resultado é o mesmo: o mercado está crescendo com preços que em nada beneficiam o consumidor final.

Nissan Kicks registra o melhor ano de vendas desde seu lançamento

São Paulo – No acumulado de janeiro a novembro o Nissan Kicks bateu recorde histórico de vendas anuais ao emplacar 56 mil 63 unidades. O número é maior do que os balanços dos anos fechados desde seu lançamento, em 2016.

Até então o melhor desempenho registrado fora em 2019, com 56 mil 58 unidades. Se comparado com o mesmo período do ano passado as vendas do modelo cresceram 22%.

Fabricado no Complexo Industrial da Nissan em Resende, RJ, o Kicks continuará em linha mesmo com a chegada de sua nova geração em 2025, como parte do investimento de R$ 2,8 bilhões.

Ao todo a Nissan comercializou, de janeiro a novembro, 80 mil 656 automóveis e comerciais leves, incremento de 24% frente aos onze meses de 2023, com 65 mil 145 unidades. No ano passado a marca avançou em 35,2% as vendas de veículos em comparação a 2022.

Aramco conclui aquisição de participação de 10% no capital da Horse

São Paulo — A Aramco, empresa saudita de energia, concluiu a aquisição da participação de 10% no capital da Horse Powertrain, fabricante de motores a combustão interna e sistemas híbridos da Renault e da Geely. Desta forma foram concluídos os acordos definitivos assinados em 28 de junho de 2024, o que valorizou a empresa em € 7,4 bilhões.

Com a operação, que se insere no plano de ruptura da Aramco para oferecer novas soluções de mobilidade com o objetivo de reduzir as emissões associadas ao setor de transportes, o Grupo Renault e a Geely mantêm participação de 45% cada na Horse.

O investimento da Aramco deve acelerar os esforços da Horse para desenvolver motores de combustão interna e híbridos de nova geração, bem como tecnologias complementares, a exemplo de combustíveis alternativos e hidrogênio. 

BMW inicia a produção do X5, primeiro híbrido plug-in nacional

São Paulo – O primeiro modelo híbrido plug-in produzido no Brasil e na América do Sul já entrou no processo de manufatura em Araquari, SC: o BMW X5 desde a sexta-feira, 29, sai da linha de produção para as concessionárias, de acordo com seu diretor geral, Otávio Rodacoswiski:

“A produção local de um modelo eletrificado é o início de uma nova era para o Grupo BMW. O BMW X5 é o modelo em série mais sofisticado, tecnológico e potente já produzido na América do Sul”.

O SUV marca uma nova fase da empresa: além do primeiro híbrido plug-in a BMW anunciou este ano investimento de R$ 1,1 bilhão, de 2025 a 2028, para produzir novos modelos e desenvolver tecnologias globais a partir da unidade brasileira. 

O BMW X5 híbrido plug-in tem motor a combustão movido a gasolina e um elétrico que, juntos, geram 489 cv de potência, com câmbio automático de oito marchas. Sua bateria é de 25,7 kWh, o que permite que rode até 79 quilômetros apenas no modo elétrico, de acordo com as medições do PBEV, Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.

Foton chega a 1 milhão de veículos exportados a partir da China

São Paulo – A Foton atingiu a marca de 1 milhão de veículos exportados a partir da China, onde mantém 23 fábricas. Os veículos enviados para diversos países do mundo são movidos a diesel, gasolina, híbridos, elétricos e até a hidrogênio.

Grande parte desse volume foi enviado para regiões como Europa e Ásia-pacífico, onde a empresa é uma importante fornecedora de ônibus elétricos. No Brasil, a Foton voltou a comercializar seus veículos em 2024, importando para o País caminhões semileves, leves e médios.

Marcus Vinícius Aguiar é reeleito presidente da AEA

São Paulo – Marcus Vinícius Aguiar, diretor de relações institucionais e governamentais da Renault no Brasil, foi reeleito na quarta-feira, 27, presidente da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, para o biênio 2025-2026. Seu vice-presidente, Everton Lopes, da Mahle Metal Leve, também foi reeleito.

A missão de Aguiar nos próximos dois anos é dar continuidade à política de fortalecimento da entidade em todos os fóruns automotivos, nacionais e internacionais.

Desta forma o executivo seguirá lutando para que o Brasil faça parte das grandes discussões que envolvem o setor automotivo atualmente, como a transição energética, descarbonização, neutralidade de emissões de carbono e novas tecnologias veiculares.

Funcionários do Grupo Volkswagen paralisam nove fábricas na Alemanha

São Paulo – Os funcionários do Grupo Volkswagen paralisaram nove fábricas na Alemanha por algumas horas na segunda-feira, 2, para protestar contra o fechamento de fábricas e o corte salarial sugerido pela montadora. O protesto é liderado pelo sindicato IG Metall, que representa os trabalhadores locais, segundo o portal Automotive News.

Além de se posicionarem contra o possível fechamento de algumas unidades na Alemanha, os trabalhadores também são contra o pleito da montadora que pede corte de 10% nos salários para reduzir custos e elevar sua lucratividade. Segundo a Volkswagen o movimento é necessário para defender sua posição de mercado contra a concorrência das marcas chinesas e contra a queda na demanda por veículos na Europa.

As unidades de Zwickau, Wolfsburg, Hannover, Emden, Salzgitter e Brunswick são algumas das que foram paralisadas.

Vendas crescem 19% em novembro, segundo melhor mês do ano

São Paulo – Em novembro as vendas de veículos somaram 253,5 mil unidades, o que representa crescimento de 19,2% sobre os 212,6 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus emplacados no mesmo mês do ano passado, de acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData. Com relação a outubro, 264,9 mil unidades, as vendas recuaram 4,3%, tornando novembro o segundo melhor mês do ano.

Com dezenove dias úteis a média diária, em novembro, chegou a 13,3 mil unidades, esta sim a melhor do ano. Superou a de outubro, 11,5 mil emplacamentos/dia, e a de dezembro do ano passado, 12,4 mil.

O movimento foi fortemente puxado pelas compras das locadoras. As vendas diretas representaram 54% do volume no mês, acima da média do ano, de 47%.

No acumulado do ano foram emplacados 2 milhões 377 mil veículos, crescimento de 15,4% sobre o mesmo período de 2023. A projeção da Anfavea, de 2 milhões 560 mil veículos vendidos, deverá ser superada, uma vez que dezembro é, usualmente, um mês com maior demanda – no ano passado registrou 248,6 mil licenciamentos.

O mercado tende, portanto, ficou mais próximo do que estimou a Fenabrave, 2 milhões 655 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.