Volkswagen e Stellantis reduzem suas projeções de desempenho financeiro

São Paulo – O Grupo Volkswagen e a Stellantis anunciaram redução nas suas suposições de desempenho financeiro para o ano, citando aumento nos custos, queda na demanda global por veículos e aumento da competição com fabricantes chinesas em seus principais mercados. 

No caso do Grupo VW é o segundo corte do ano: em julho a companhia já fizera uma correção nos rumos, segundo o portal Automotive News. No fim do ano passado a expectativa era vender 9,2 milhões de veículos, faturar 322,3 bilhões de euros e registrar margem de 7%. Em julho corrigiu para 9,5 milhões de veículos, 338,4 bilhões de euros e margem de 6,5% a 7%. Na segunda-feira, 30, nova correção para cerca de 9 milhões de unidades, faturamento de 320 bilhões de euros e margem de 5,6%.

A diretoria já discute com o governo e o sindicato possíveis cortes de postos de trabalho na Alemanha, onde os custos crescem e as vendas, especialmente de elétricos, desaceleraram com o fim dos incentivos governamentais.

A Stellantis reduziu sua projeção de margem de lucro ajustada para 5,5% a 7%, contra uma expectativa de dois dígitos inicialmente divulgada. As razões, segundo o portal Automotive News, são as vendas menores na maioria das regiões e o aumento dos custos industriais.

“A dinâmica competitiva se intensificou devido ao aumento da oferta da indústria e também à maior concorrência chinesa”, disse a Stellantis em um comunicado.

Para reduzir os estoques a companhia disse que aumentará os descontos em seus modelos.

Juros para financiamento de veículos continuam subindo

São Paulo – Mais uma vez a taxa média de juros praticada pelas instituições financeiras em financiamentos de veículos 0 KM para pessoas físicas avançou de um mês para o outro, contrariando a expectativa do setor, que esperava redução no custo do crédito automotivo com a já interrompida, e revertida, sequência de cortes da Selic.

Em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central, os juros médios chegaram a 25,7% ao ano, 0,2 ponto porcentual acima dos praticados em julho. Em um ano, o período em que durou a sequência de corte na taxa básica pelo Copom, que chegou a 3,25 pp no total, os juros automotivos recuaram 0,5 pp.

No mesmo período a inadimplência, importante componente para calcular o spread bancário e o índice praticado nos financiamentos, recuou 0,8 pp. Encerrou agosto em 4,6%, de acordo com o BC.

Ainda que a inadimplência e a taxa Selic apresentassem trajetória descendente a última vez que o juro médio automotivo sofreu um corte foi de fevereiro para março. Depois se manteve estável ou subiu.

Após passar três meses em 10,5%, interrompendo uma sequência de cortes iniciada em 13,75%, a taxa básica de juros sofreu, em setembro, uma correção para cima, indo a 10,75%.

Marcopolo entrega o primeiro ônibus elétrico Attivi no México

São Paulo – A Marcopolo México entregou o primeiro ônibus elétrico Attivi, desenvolvido no Brasil e e que passou a ser produzido, também, na fábrica mexicana. A primeira unidade faz parte de um lote de 45 ônibus que será destinado ao transporte público de Monterrey.

Os 45 ônibus serão produzidos no México com chassi Yutong de piso baixo com 13 metros de comprimento e com ar-condicionado, câmara de monitoramento para segurança e rampa de acesso para garantir total acessibilidade. O Marcopolo Attivi possui autonomia de 250 quilômetros e o tempo de recarga das suas baterias é de quatro horas.

Hyundai chega aos 100 milhões de veículos produzidos globalmente

São Paulo – A Hyundai atingiu a marca de 100 milhões de veículos produzidos globalmente em sua operação de 57 anos. O veículo que simbolizou a marca foi o elétrico Ioniq 5, produzido na Coreia do Sul, entregue a um cliente durante evento para celebrar o marco na fábrica de Ulsan.

A unidade de Ulsan iniciou suas operações em 1968, marcando o início da produção em massa independente de um veículo no país. Atualmente é tratada pela Hyundai como um centro para eletrificação: no local está sendo construída unidade de produção que será dedicada apenas a veículos elétricos.

Demanda de chineses poderá fazer crescer investimentos de R$ 50 bilhões das autopeças

São Paulo – O valor de R$ 50 bilhões de investimentos anunciado pelo Sindipeças até 2028 poderá ser ampliado após o início da produção local das montadoras chinesas recém-chegadas ao Brasil, como BYD e GWM. Segundo o presidente do Sindipeças, Cláudio Sahad, estas empresas passarão a demandar itens de fornecedores locais nos próximos dois a três anos, seguindo cronograma apresentado à entidade.

Sahad contou que o estabelecimento das atividades das empresas segue três fases: a de importação, a atual, quando começam a estruturar cadeia de concessionários e a divulgar a marca. A ela se segue o início da produção em CKD, previsto para o ano que vem nas duas empresas. A terceira, que ele calcula para 2026 ou 2027, será a de contratação de fornecedores locais.

“Será quando eles buscarão parcerias com empresas já estabelecidas aqui ou atrairão novos fornecedores. Existe um tempo de maturação no mercado antes de desenvolver uma cadeia local, conforme eles colocaram para nós, do Sindipeças. Nós dissemos que apoiamos todos que decidirem produzir aqui, porque defendemos a indústria nacional.”

Segundo o presidente do Sindipeças no México os chineses já estão na terceira etapa, implantando fornecedores para a produção local.

Sahad participou de evento na Anfavea no qual foi divulgado o estudo de cenários da descarbonização do setor de transportes no Brasil. Para ele foi importante a apresentação do que chamou de “Norte para direcionar todo o setor de mobilidade para 2040”. Da parte dos fornecedores, garantiu, os esforços serão direcionados para que se alcance o cenário mais otimista de redução de CO2.

Estes esforços, garante, ajudarão também a inflar os R$ 50 bilhões anunciados de investimentos das autopeças: “Nosso setor trabalha sob demanda: se há investimento das montadoras vamos atrás. Então é claro que este número poderá subir se houver demanda”.

Linha 2025 do Audi Q7 chega ao mercado em novembro

São Paulo – Ao completar 30 anos no mercado brasileiro a Audi começa a renovar seu portfólio como novos modelos e atualização da linha atual. Como é o caso do Q7, que chega na linha 2025 em versão única, após a empresa ouvir dos clientes o que eles gostariam de encontrar no modelo.

O Audi Q7 chega ao Brasil até o começo de novembro com preço de R$ 692 mil, mas já está em pré-venda. Teve o seu visual renovado, com nova grade frontal, novo para-choque traseiro, difusor e saídas de escape reais, pois na linha anterior as saídas eram ilustrativas. A volta das saídas reais de escapamento foi uma das alterações para atender ao desejo dos clientes.

Outro item que atende a demanda dos clientes é a suspensão adaptativa, em função da sua faixa de preço. No caso, a partir da configuração padrão da suspensão, é possível elevar em 60 mm a distância do solo ou reduzi-la em 30 mm.

O motor do SUV segue o mesmo 3.0 TFSI de 340 cv de potência, acoplado a câmbio automático de oito marchas. A lista de série do Q7 é bem grande, com itens como luzes internas customizáveis, park assist, piloto automático adaptado com função para e anda, teto solar elétrico panorâmico, câmera 360º, tração quattro, faróis full led matrix, quadro de instrumentos virtual, kit multimídia, ar-condicionado automático e de zona dupla, sistema de segurança Audi pré-sense, rodas aros 22.

Como opcionais os clientes podem adicionar eixo traseiro que esterça para ajudar em manobras de estacionamento, head-up display, sistema de visão noturna que reconhece pedestres e animais, laser nos faróis full led matrix que dobra a capacidade de iluminação e capa do retrovisor em carbono.

Audi promete vinte lançamentos a partir do Q6 e-tron

São Paulo – O SUV elétrico Audi Q6 e-tron, que está em pré-venda desde o começo de setembro, puxará uma série de novidades da marca, afirmou Daniel Rojas, CEO da Audi no Brasil: “Serão vinte lançamentos nos próximos três anos, a partir do novo Q6 e-tron, que mostra a nossa visão de futuro para a mobilidade”.

As primeiras unidades do Q6 e-tron estão previstas para desembarcar no Brasil em dezembro, marcando a chegada do primeiro modelo da Audi produzido na sua nova plataforma premium elétrica, PPE. Ela foi desenvolvida na arquitetura 800 volts, permitindo maior autonomia dos veículos e recarga mais rápida, com picos de até 270 kW em eletropostos rápidos. A linha também permite a produção de diversos tipos de veículos, como SUVs, sportbacks e station wagons.

O Audi Q6 e-tron está em pré-venda em duas versões, Performance quattro e Performance Black quattro, que já podem ser reservadas nas concessionárias com preço inicial de R$ 530 mil. As duas configurações possuem motor elétrico de 387 cv de potência e baterias de íon lítio com capacidade de 100 kW, e sua autonomia, de acordo com o Inmetro, é de 411 quilômetros.

Centro Tecnológico Randon expande portfólio com testes de segurança e de durabilidade

São Paulo – O CTR, Centro Tecnológico Randon, da Randoncorp, recebeu investimento de R$ 16 milhões para expandir o portfólio com novos serviços e foco em segurança automotiva, ativa e passiva. Parte do valor foi dedicado para melhorias e inovação em durabilidade acelerada para veículos completos em laboratório.

Com o aporte o CTR passa a oferecer soluções para testes de sistemas avançados de assistência ao condutor, o ADAS. Um novo laboratório foi construído para testes de segurança passiva, avaliando ancoragem, fixação dos cintos de segurança, isofix, impacto e resistência dos bancos. No ano que vem o local também oferecerá ensaios de proteção a pedestres.

Para melhorar os testes de durabilidade acelerada a base sísmica do laboratório estrutural foi ampliada em 60%, com a aquisição de novos atuadores, disse o gerente do CTR, Joel Ciapparini: “Com isto simulamos, de forma ainda mais fiel, as condições reais de utilização dos veículos e seus componentes e contribuímos para o ciclo de descarbonização nos testes de durabilidade e validação de produtos”.

Fiat Fastback alcança 100 mil unidades produzidas em Betim

São Paulo – O Fiat Fastback chegou à marca de 100 mil unidades produzidas em Betim, MG. Depois de aparecer pela primeira vez, ainda como conceito, no Salão do Automóvel de São Paulo, em 2018, o modelo foi lançado em agosto de 2022.

Parte do volume produzido até agora foi exportado para catorze países. Atualmente o modelo é o quinto mais vendido pela Fiat no Brasil, somando 31,8 mil unidades no ano. Em agosto o Fastback registrou 4,4 mil vendas, um dos seus melhores resultados mensais desde o seu lançamento.

Todas as versões do Fastback oferecem motorização turbo: a Turbo 200, de 130 cv de potência, na maioria delas, e a Turbo 270, de 185 cv, na Limited Edition Powered by Abarth e na Abarth.

Estudo da Anfavea dá as diretrizes para a condução da descarbonização do transporte

São Paulo – Os caminhos e condições foram estabelecidos: estudo em parceria da Anfavea com o BCG, Boston Consulting Group, apresentou um panorama do processo de descarbonização do setor brasileiro de transporte, com desafios e direcionamentos para toda a cadeia da mobilidade, incluindo governo, produtores de biocombustíveis e fornecedores de carregadores de elétricos.

O estudo é, na verdade, uma segunda etapa daquele divulgado em 2021, que apresentou os cenários e projeções para aquela ocasião. “Foi um bom passo para começar a discutir o tema no Brasil”, afirmou Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea. “Chegou a hora de revisitar: o cenário sofreu uma transformação, novas tecnologias chegaram, avançamos bem no tema do biocombustível e em termos regulatórios.”

Apresentado por Masao Ukon, diretor executivo do BCG, o estudo desenha quatro cenários que combinam dois vetores: eletrificação e biocombustíveis. O primeiro é a transição gradual para a eletrificação que, segundo Moraes, é o que a indústria segue no momento. Nele, em 2040, os eletrificados representariam 35% da frota circulante de veículos leves e 15% da de pesados. Depois vem o cenário de transição mais acelerada, com maior incorporação de eletrificados na frota. Neste caso nos leves pularia para 42% e nos pesados para 19%

A eles, em paralelo, haveria um aumento gradual de aplicação de biocombustíveis, com ampliação da mistura de etanol dos atuais 27,5% para 30% de gasolina em 2040, de 14% para 21% de biodiesel no diesel e de 0% para 3% do biometano no GNV, ou mais acelerado, 35% de etanol na gasolina, 25% de biodiesel no diesel e 10% de biometano no GNV.

Dentre todos estes cenários varia de aumento de 5% a redução de 8% na quantidade de CO2 emitido pela frota brasileira, incluídos veículos leves e pesados, tendo como base a medição do poço à roda.

“Como a frota crescerá aumentará também a emissão de CO2”, disse Henry Joseph Jr, diretor de sustentabilidade e de parcerias estratégicas e institucionais da Anfavea. “Mas com a introdução de tecnologias de forma mais acelerada, combinada com o maior uso de biocombustíveis, podemos evitar a emissão de mais de 280 milhões de toneladas até 2040.”

Este aumento de eletrificados na rota traz reflexões para a indústria automotiva e para toda a cadeia de mobilidade. Pelas contas da Anfavea em 2040, no cenário de crescimento gradual, a venda de elétricos leves, BEVs e PHEVs, saltaria para 1,8 milhão de unidades, ou 44% das vendas totais. No de transição mais acelerada 2,4 milhão de unidades, ou 61% do total. Em pesados seriam 45 mil, ou 23%, a 57 mil, ou 29%.

“Não seria um mercado abastecido apenas por importados. Este volume provocaria um colapso na balança comercial brasileira”, afirmou o vice-presidente Moraes. “Então é preciso investimento no parque industrial das montadoras e acompanhamento dos fornecedores, além do desenvolvimento de uma indústria de células de baterias no médio a longo prazo”.

Mais do que isso é preciso que toda a cadeia acompanhe, dos produtores de etanol às companhias elétricas. Para que 90% do mercado brasileiro seja de eletrificados em 2040 a demanda por energia subiria 50 mil GWh por ano, ou 8% do que os brasileiros consomem atualmente. Para que se eleve a mistura do etanol na gasolina seriam necessários mais 15 bilhões de litros de etanol, ou 40% da produção atual. De biodiesel mais 9 bilhões de litros, ou 60% da capacidade atual. 

“O avanço está condicionado ao desenvolvimento de um ecossistema que envolve base de fornecedores, infraestrutura de recarga e biocombustíveis, podendo significar investimentos significativos até 2040.”

Moraes afirmou também que seria possível evitar mais emissão de CO2 com um programa de renovação de frota aliado à inspeção veicular obrigatória: mais do que introduzir modelos menos poluentes é preciso tirar de circulação aqueles que poluem muito mais.

O estudo foi entregue ao governo no começo do mês e será apresentado na semana que vem a representantes de todos os ministérios envolvidos, para que o governo conheça as demandas para a descarbonização do transporte. O estudo completo está disponível no site da Anfavea.