Vendas financiadas de veículos registram melhor janeiro desde 2008

São Paulo –  Foram financiadas as vendas de 616 mil automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas, novos e usados, em janeiro. De acordo com a Trillia, nova linha de negócios de dados da B3, o volume, que supera em 9,2% o registrado no mesmo período do ano passado, é o maior para o mês desde 2008. Segundo o levantamento da Trillia a maior parte dos veículos pagos a prazo é de seminovos, com 412 mil unidades, 8,8% acima do primeiro mês de 2025. Os 0 KM somaram 204 mil unidades, 10,1% mais do que no comparativo anual. 

Na avaliação de Daniel Takatohi, superintendente de produtos de financiamento da Trillia, o fato de o volume financiado em janeiro ter sido o maior para o mês em dezoito anos reflete a consolidação do crescimento do setor automotivo no País.

Considerando apenas os automóveis e comerciais leves adquiridos por meio de crédito houve avanço de 8,7% frente a janeiro do ano passado. Os novos avançaram 13,4% os seminovos 7,6%. 

O maior porcentual de financiamentos coube às motocicletas, que no comparativo anual cresceram 21,9%, sendo que nas 0 KM houve aumento de 23,5% e, nas seminovas, de 18%. 

Quanto aos veículos pesados foi observada queda de 3,2%, puxada pelo recuo de 25,1% dos novos, ainda que a venda a prazo de usados tenha aumentado 10,9%.

Preços ficam estáveis

De acordo com o monitoramento mensal da Tabela Auto B3, ferramenta de precificação de veículos desenvolvida pela B3 em parceria com a Bright Consulting, que lança mão de inteligência artificial para calcular valores mais próximos dos preços praticados no mercado, os preços dos veículos ficaram estáveis no mês passado.

Tanto modelos novos como usados apresentaram, na média, recuo de 0,3% frente a dezembro. No acumulado de doze meses a maioria dos segmentos seguiu em retração, especialmente SUVs, que perderam 9% no caso de usados e 7,2% nos novos, e picapes compactas, com recuo de 8% nas 0 KM e de 7,1% nos usados. 

Destaque também para a diminuição dos preços de picapes médias novas em 8,7% e de crossovers usados em 6,8%.

Ford revela bastidores do desenvolvimento de sua nova plataforma elétrica

São Paulo – Reduzir o custo, o peso e ampliar a autonomia. A incessante busca da indústria por veículos elétricos mais eficientes e que dependem de menos paradas para recarga, a preços cada vez mais próximos dos já tradicionais a combustão, ganhou um novo capítulo que foi, em parte, divulgado pela Ford em vídeo no YouTube. Nele engenheiros da companhia relatam parte do processo de desenvolvimento da plataforma universal de veículos elétricos Ford, que estreará em breve com uma picape média.

Apresentado pelo diretor executivo de desenvolvimento avançado de veículos elétricos da Ford, Alan Clarke, o vídeo traz as inovações aplicadas nas carrocerias, sistemas eletrônicos, materiais utilizados e, claro, na bateria: “A nossa grande aposta é a obsessão por extrair mais quilômetros de uma bateria menor e simplificar radicalmente o sistema para reduzir o número de peças, permitindo produzir uma nova família de veículos elétricos acessíveis para clientes de todo o mundo”.

Para o desenvolvimento da plataforma a Ford fez com que seus engenheiros pensassem de forma diferente, mais no todo do carro e menos nos componentes. Clarke lembrou que, historicamente, cada equipe trabalha de forma isolada, com foco em determinado componente ou sistema, para aprimorar ou reduzir o custo da peça em questão, sem olhar para o contexto.

“A equipe de aerodinâmica, por exemplo, sempre quer um teto mais baixo para reduzir o arrasto. A equipe de interior quer um teto mais alto para ampliar o espaço dos ocupantes. Geralmente esses grupos negociam até encontrar um meio termo, sob a liderança de um departamento encarregado de tomar decisões em nome do cliente.”

A partir daí foi criado um sistema de recompensa: o custo de cada item está atrelado à autonomia e ao custo da bateria. Assim as equipes de interiores e aerodinâmica, por exemplo, puderam trabalhar em conjunto e compreender que adicionar 1 mm à altura do teto poderia significar em US$ 1,30 em custo da bateria ou 0,088 km de autonomia. Só nos retrovisores, destacou Clarke, o corpo do novo espelho, 20% menor do que um convencional, resulta em 2,4 km a mais de autonomia.

O vídeo traz outros exemplos, como o trabalho para reduzir em 1,2 quilômetro o tamanho dos chicotes elétricos, tirando 10 quilos do peso, comparado cum uma picape elétrica de outra geração.

“Sabemos que haverá céticos, assim como houve quando a Ford introduziu o turbo na F-150. Outras empresas dirão que já tentaram isso antes. Mas a física não é proprietária: estamos criando uma plataforma de veículo elétrico verdadeiramente integrada e não uma única peça que possa ser facilmente copiada. Se tudo der certo teremos uma família de veículos que competirá em preço com os melhores do mundo, incluindo veículos a gasolina.”

Assista o vídeo:

Queda nas vendas faz GM abrir PDV em São Caetano do Sul

São Paulo – Frente à desaceleração nas vendas de veículos a General Motors realizou PDV, programa de demissão voluntária, na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, encerrado no início de fevereiro. De acordo com informações do sindicato dos metalúrgicos local houve a adesão de 198 profissionais da manufatura e dez da ferramentaria, quantidade pretendida pela montadora. 

“O motivo da abertura de PDV é a queda nas vendas, por causa da oscilação do mercado”, assinalou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão.

Robusto, o pacote de demissão voluntária consistia em sete salários adicionais, um carro Onix 1.0 ou R$ 85 mil e mais 24 meses de convênio médico ou o pagamento de R$ 48 mil, de acordo com o sindicalista.

Segundo a General Motors a iniciativa “faz parte de processo contínuo de adequação operacional da companhia às atuais condições de mercado e aos níveis de demanda”. Da fábrica do ABC Paulista, onde hoje trabalham 7,1 mil profissionais, saem os modelos Tracker, Spin e Montana.

O PDV ocorre em meio a ciclo de investimentos de R$ 7 bilhões de 2024 a 2028, sendo R$ 5,5 bilhões para as fábricas do Estado de São Paulo, com foco no desenvolvimento de novas tecnologias, modernização das fábricas e renovação do portfólio de veículos. 

Terceiro lugar é mantido, mas distância para segundo aumenta

Em janeiro, segundo dados da Fenabrave, a GM deteve fatia de 9,9% na venda de automóveis e comerciais leves, com 16,1 mil emplacamentos, na terceira posição e a uma distância considerável do segundo lugar, da Volkswagen, com 15,8% e 25,7 mil unidades. Um ano atrás, embora nas mesmas colocações, a participação de mercado era de 12,3% e 13,2%, respectivamente, e o volume comercializado, de 19,6 mil e 21,1 mil unidades. No período as vendas dos carros da marca Chevrolet recuaram 17,8%.

No fechamento do ano passado a GM ficou na terceira posição com participação de 10,8% e 276 mil emplacamentos. A segunda colocada, a Volkswagen, teve fatia de 17,1% e 436,3 mil veículos vendidos.

Em 2024 o market share da GM foi 12,7%, com 315 mil unidades comercializadas. O da Volkswagen, 16,1%, refletia a venda de 400,4 mil unidades. Em 2025 os emplacamentos da GM caíram 12,4%.

Na primeira quinzena de fevereiro a GM ficou na quarta posição, superada pela Hyundai em volume de emplacamentos.

Fábrica de Gravataí, RS, prepara-se para receber o novo SUV compacto Sonic. Foto: João Alves.

Gravataí tem lay-off até o fim de fevereiro

Em dezembro a fábrica da General Motors em Gravataí, RS, adotou layoff para 650 funcionários até o dia 23 de fevereiro. De acordo com o sindicato local a ferramenta foi lançada a fim de adequar as linhas à produção de novo modelo, o Sonic, SUV compacto que chegará no terceiro trimestre para competir com Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian.

A unidade fabrica hoje o hatch Onix e o sedã Onix Plus e, com a suspensão temporária dos contratos de trabalho, está operando em um turno, com o ritmo de produção reduzido de seiscentas para trezentas unidades diárias. Trabalham na unidade 1 mil 650 profissionais.

Phinia projeta ampliar em até 7% receita líquida em 2026

São Paulo – A Phinia divulgou receita líquida global de US$ 3,48 bilhões em 2025, avanço de 2,4% em relação ao ano anterior. Para este ano, a projeção é de que os valores alcancem cifra de US$ 3,52 bilhões a US$ 3,72 bilhões, o que representará incremento de 1% a 7%.

Quanto ao lucro líquido foram registrados US$ 130 milhões, com margem líquida de 3,7%, alta de US$ 51 milhões e de 140 pontos-base na comparação anual. O EBITDA ajustado de US$ 478 milhões ficou estável em relação ao ano anterior. A margem de EBITDA ajustado foi de 13,7%, redução de 40 pontos-base, principalmente em razão do efeito dilutivo das recuperações tarifárias.

Para este ano a perspectiva é que o lucro líquido alcance de US$ 165 milhões a US$ 195 milhões, e o EBITDA ajustado de US$ 485 milhões a US$ 525 milhões, com margem líquida projetada entre 4,7% e 5,2% e margem de EBITDA ajustado entre 13,7% e 14,3%.

Dentre os pontos que sustentam o otimismo da Phina, destacam-se a extensão de contratos relevantes com fabricantes de caminhões e o forte crescimento no segmento de reposição, com a adição de 5,8 mil novos códigos de produtos ao portfólio.

Além disso, novos contratos com distribuidores de motores de partida e alternadores na América do Norte, a conquista de participação junto a distribuidores de sistemas de abastecimento a gasolina nos Estados Unidos e na América do Sul, e novo programa de eletrônica veicular na França também reforçam as perspectivas positivas.

Grupo Renault amplia vendas globais em 3% em 2025

São Paulo – O Grupo Renault comercializou 2,3 milhões de veículos em todo o mundo no ano passado, avanço de 3,2% com relação ao resultado de 2024 — o mercado avançou 1,6%. Considerando somente os veículos da marca Renault em mercados internacionais houve alta de 11,7%, puxada por seus mercados-chave como América Latina, com acréscimo de 11,3%, Coreia do Sul, 55,9% e Marrocos, 44,8%.

O grupo pretende, em 2026, pôr em prática planos de resiliência em ambientes complexos para acelerar seu crescimento fora da Europa, graças ao SUV Boreal na América Latina e na Turquia, o SUV Duster na Índia e o SUV Filante na Coreia do Sul – cuja exportação para o Brasil está marcada para o ano que vem.

Além disso nova picape é aguardada para o segundo semestre, baseada no conceito Niágara, produzida na Argentina para concorrer com a Fiat Toro. Ela utilizará a nova plataforma RGMP, permitindo motorização híbrida e inovações em conectividade, marcando uma nova fase da marca.

Faturamento do grupo avançou 3% em 2025

De acordo com balanço do grupo, em linha com sua previsão financeira, em 2025 foram atingidas fortes rentabilidade e geração de caixa livre. O faturamento de € 57,9 bilhões apresentou avanço de 3% frente a 2024, que chega a 4,5% com taxas de câmbio constantes.

A companhia atribui o resultado ao crescimento de suas três marcas automotivas complementares, à implementação do International Game Plan, plano estratégico para fortalecer sua presença global fora da Europa até 2027, e à eletrificação de gama de produtos.

A margem operacional do grupo, de € 3,6 bilhões, representou 6,3% do faturamento. O resultado líquido de participação, no entanto, ficou negativo em € 10,9 bilhões, segundo a empresa, por causa dos impactos da Nissan, sendo € 9,3 bilhões em perdas não monetárias associadas à evolução do tratamento contábil da participação do grupo na montadora e € 2,3 bilhões em contribuição das empresas associadas. Sem os impactos da Nissan o valor líquido foi positivo em € 715 milhões.

O fluxo de caixa livre da divisão automotiva, de € 1,5 bilhão, foi alavancado pelo desempenho operacional do grupo, parcialmente compensado pela variação negativa das necessidades em capital de giro. O fluxo de caixa livre inclui € 300 milhões dividendos recebidos da Mobilize Financial Services. A posição líquida financeira da divisão automotiva foi recorde: € 7,4 bilhões em 31 de dezembro de 2025.

Planejamento estratégico será apresentado em março

Quanto às perspectivas financeiras para 2026 a meta é que a margem operacional seja de cerca de 5,5% do faturamento do grupo e o fluxo de caixa livre da divisão automotiva chegue a € 1 bilhão, incluindo os € 350 milhões de dividendos recebidos da Mobilize Financial Services. 

“O foco da companhia estará na redução dos custos”, acentuou nota da empresa, “para manter resultados financeiros robustos e resilientes de forma perene no médio prazo.”

Em 10 de março será apresentado planejamento estratégico do grupo. Com o objetivo de ampliar a oferta de produtos e a experiência do cliente há a previsão de lançar uma segunda gama de produtos na Europa e de tornar-se concorrente de primeiro plano em mercados com forte potencial, como América Latina e Índia.

Eaton nomeia Gustavo Orrú para a diretoria de operações Mobility

São Paulo – Após decidir separar a divisão Mobility e criar uma nova empresa a Eaton escolheu Gustavo Orrú para a diretoria de operações do Grupo Mobility para a América do Sul. Ele se reportará a Gustavo Schmidt, presidente da divisão e corporativo da Eaton na região, e a Hareesh Kallumath, vice-presidente global da Mobilty.

Orrú ingressou na Eaton em 2000, nas áreas de manufatura e materiais. O engenheiro mecânico formado pela Unicamp, com MBA em gestão de negócios pela FIA, foi diretor industrial da unidade de Valinhos, SP, e, mais recentemente, diretor da unidade de negócios aftermarket do grupo Mobility na América do Sul.

Fernando Piton

Em seu lugar assume Fernando Piton, acumulando a gerência de vendas do aftermarket na região. Piton, formado em administração pela FGV com MBA em gestão comercial pela FGV, está na Eaton desde 1998 com passagens por aftermarket, serviços de campo e manufatura.

Cor preta lidera buscas por carro 0 KM e branca nos usados

São Paulo – Em 2025 a cor de veículo 0 KM mais procurada foi a preta e, em carros usados, a branca. Foi o que apontou levantamento do Webmotors Autoinsights, ferramenta que forneceu dados com base nas buscas realizadas na plataforma de janeiro a dezembro do ano passado. 

Nos carros novos, segundo mediu a Webmotors em seu site, 28% dos acessos procuravam por modelos pretos. Em segundo lugar, com 23,3%, os cinzas e, para fechar o pódio, com 20,8%, os brancos. Na sequência os azuis, com 9,4%, pratas, com 9,1%, vermelhos, com 5,5%, verdes, com 2,1%, laranjas, com 0,7%, amarelos, 0,5%, e beges, 0,3%.

No mercado de usados a liderança ficou com os veículos brancos, com 22,2% e, quase empatado com eles, os pretos, com 22,1%. Em terceiro lugar apareceu o prata, com 18,1%. E depois cinza, com 17,8%, azul, com 7,4%, vermelho, com 7,1%, verde, com 2,1%, marrom, com 1%, bege, com 0,91%, e amarelo, 0,89%. 

São Paulo sanciona lei que libera a instalação de carregador de veículos em edifícios

São Paulo – O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou lei que assegura a proprietários instalar carregadores para veículos elétricos em suas vagas privativas de condomínios, em estabelecimentos comerciais ou residenciais. Para tanto regras de segurança e normas técnicas de instalação devem ser cumpridas e o custo do carregador ser responsabilidade do condômino.

Na prática prédios do Estado de São Paulo não podem mais proibir, sem justificativa técnica, a instalação dos carregadores por parte dos proprietários de veículos elétricos. Convenções condominiais podem definir formas de comunicação, padrões técnicos e responsabilizações por eventuais danos ou pelo consumo, mas estão impedidas de proibir os equipamentos nas vagas privativas.

As estações de recarga precisam ser compatíveis com a carga elétrica, estar em conformidade com as normas da distribuidora local de energia e da ABNT e serem instaladas por profissionais habilitados. Uma comunicação formal prévia à administração do condomínio também é exigida.

“Parabéns aos que tornaram possível a publicação desta lei”, comemorou, em nota, o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. “A nova legislação dará segurança jurídica a todos os setores envolvidos no debate sobre eletromobilidade e proteção contra incêndios em edifícios comerciais e residenciais de São Paulo. É um grande avanço.”

A nova lei prevê, ainda, que projetos aprovados de empreendimentos imobiliários paulistas deverão prever em seus sistemas elétricos suporte à instalação de futuras estações de recarga para veículos elétricos.

Mesmo com Carnaval vendas de veículos avançam 9% na primeira quinzena

São Paulo – Nos onze primeiros dias úteis de fevereiro foram emplacados 97 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus. Os dados, preliminares do Renavam, englobam os registros até a quarta-feira de Cinzas, 18, e representam crescimento de 9% sobre a primeira metade de fevereiro do ano passado, período sem o reflexo do Carnaval.

Com relação a janeiro o avanço foi de 11%. A média diária, que no primeiro mês do ano foi de quase 8 mil unidades, subiu para 8,8 mil licenciamentos/dia.

No ano passado o feriado do Carnaval foi no início de março. Ou seja, o avanço na primeira quinzena do mês foi registrado mesmo diante do período em que as vendas costumam desacelerar, porque os consumidores viajam ou celebram as festas.

Relatório divulgado pela Bright Consulting na segunda-feira, 16, contabilizando os primeiros dez dias úteis, aponta que as vendas diretas ganharam peso, mas os emplacamentos via showroom ainda são majoritários. Para a consultoria este comportamento é esperado pela sazonalidade.

A Fiat Strada lidera o mercado, com 5,8 mil emplacamentos. Volkswagen Polo, com 4,3 mil, e Fiat Argo, com 3,4 mil, completam o pódio. Destaque para o BYD Dolphin Mini, 2,3 mil registros e presença no Top 10 da primeira quinzena.

A Fiat lidera dentre as marcas, com 21,3 mil unidades licenciadas, seguida por Volkswagen, com 16,4 mil, e Hyundai, 7,8 mil. A Chevrolet ficou fora do pódio da primeira metade de fevereiro.

Estandarte na Sapucaí, Omoda Jaecoo trabalha para crescer rápido no Brasil

Rio de Janeiro, RJ – A Omoda Jaecoo, ou O&J, marca chinesa cujo portfólio de veículos leva um desses dois nomes, é uma das mais recentes criações do Grupo Chery. Lançada oficialmente em 2023 tende a agrupar modelos mais ousados em termos de design e sofisticação para um público igualmente exigente, classificado segundo o presidente da Chery International, Zhang Guibing, como a “elite da moda”. Por isto fez todo o sentido levar seus principais representantes no País, o Omoda 7 e Jaecoo 7, para a passarela do samba na Marquês de Sapucaí, onde desfila a elite do carnaval do Brasil. Em ação de marketing os veículos apareceram como abre alas de todas as doze escolas de samba, nos três dias do carnaval no Rio de Janeiro.

De acordo com Roger Corassa, vice-presidente executivo da O&J no Brasil, a velocidade dos chineses impressiona e a decisão de colocar a marca como um dos patrocinadores do carnaval no Rio de Janeiro às vésperas do evento é uma demonstração. Corassa está há pouco mais de dois meses na O&J e teve que vender a ideia e receber a aprovação para colocar os dois carros na Marquês de Sapucaí em tempo recorde:

“Todos compreenderam como seria importante aproximar a marca a algo icônico no Brasil. Aproveitei o contato e proximidade junto à Liga das Escolas de Samba para fechar rapidamente esta ação”.

Ele se impressionou com essa velocidade e citou, durante conversa antes do segundo dia de desfile das escolas de samba no Rio, como “os chinseses prezam a agilidade” para ilustrar um pouco mais essa nova experiência: “No meu terceiro dia de trabalho tive que montar estratégia comercial para apresentar ao senhor Shawn Xu, o CEO global”.

Próximos passos

No ritmo acelerado do samba é que a Omoda Jaecoo pretende seguir crescendo no Brasil. O entendimento é que a oferta de modelos com a propulsão híbrida plug in deve ser o carro-chefe por aqui, apostando em tendência não apenas da China, mas de outros mercados: os preços de veículos com esta tecnologia estão muito próximos ao dos carros híbridos puros e até de modelos a combustão interna.

Outras marcas do Grupo Chery, como a própria Chery – em parceria com a Caoa no Brasil – e mais recentemente a Jetour, oferecem modelos com a mesma configuração: um motor a combustão 1.5 litro com um ou dois motores elétricos e algumas opções de bateria para o sistema híbrido plug in.

Corassa contou que o preço está caindo não apenas pela utilização da mesma tecnologia, a Kunpeng Super Hybrid do Grupo Chery para todas as suas marcas, mas pela versatilidade de sua utilização, predominantemente elétrico no perímetro urbano e combinado com a combustão na estrada, prometendo uma autonomia de 1 mil quilômetros ou mais. Considerando este raciocínio o executivo informou que a participação dos seus híbridos plug in no mercado brasileiro já chegou a 8,6% do segmento dos modelos de nova energia, ou NEV, em janeiro. E que em onze meses de operação no Brasil venderam mais de 10 mil unidades.

“Este ano a expectativa inicial é vender de 45 mil a 48 mil unidades. Mas estou confiante que é possível chegar a 50 mil. Temos o Omoda 5 como um dos híbridos com sistema fechado com preço mais competitivo do mercado. E teremos muitas outras novidades.”

Corassa quer imprimir agilidade aos seus negócios para atingir essa meta ousada. Por isto anunciou que está oferecendo um financiamento de 60 meses com taxa zero no Brasil.

“Faz mais de dez anos que ninguém tem um plano com taxa zero. Em celebração ao carnaval nossa rede está oferecendo essa taxa, com 60% de entrada e sessenta meses, que é uma condição realmente interessante.”

Fábrica no Brasil

Enquanto promete um sistema híbrido plug in flex para o ano que vem e tem no seu cronograma de lançamentos a chegada do Jaecoo 5 no primeiro semestre, do Jaecoo 8 e do Omoda 4 no segundo semestre, a O&J tem procurado um local para abrigar sua produção nacional.

Segundo Corassa a ideia é ter no Brasil, “carros a combustão, carros flex, elétricos e híbridos”. A O&J não descarta qualquer dessas opções para a produção nacional, mas a tendência é que seja um híbrido plug in.

Este processo envolve relacionamento com governos estaduais para compreender quais serão as melhores condições para a instalação de uma unidade produtiva. As opções de fábricas já consolidadas no Brasil e que estariam disponíveis, como a própria unidade da Chery em Jacareí, SP, parecem descartadas no momento. Mas nenhuma opção está totalmente fora da equação. Inclusive uma produção combinada com outras marcas do Grupo Chery.

No entanto Corassa descreveu que ocorreram conversas promissoras dos executivos da O&J com interlocutores de governos estaduais do Paraná, de São Paulo e Rio de Janeiro: “Temos boas possiblidades nestes Estados”.

O relógio corre acelerado na passarela do samba e também nos escritórios da O&J. Ao que tudo indica muito em breve teremos mais novidades sobre esta novata marca chinesa, que diz que veio desfilar em muitos outros carnavais.