São Paulo – Em movimento diametralmente oposto ao das empresas fabricantes de caminhões, que amargaram tombo de 37,5% na produção em 2023, a RAV Correntes, fabricante de peças e componentes para implementos rodoviários, principalmente graneleiros e de carga seca, expandiu seu faturamento em 37%, para R$ 9 milhões.
Em parte o crescimento amortece a queda registrada em 2022, quando a receita alcançou R$ 6,6 milhões, 14,3% a menos do que em 2021, quando o faturamento atingiu R$ 7,7 milhões. A escassez de materiais e o aumento dos preços dos insumos, à época, justificou o mau desempenho. Para 2024, entretanto, o plano é crescer de 20% a 30% sobre o resultado positivo.
Segundo a diretora comercial da RAV Correntes, Camila Brezolin, um dos motivos a que se pode atribuir esta perspectiva é a decisão de internalizar a produção e verticalizar processos antes terceirizados, em busca de custo menor e logística facilitada. Por exemplo: foram incorporadas atividades de corte a laser, galvanização e montagem de alguns produtos. Para este ano mais uma máquina a laser foi adquirida, processos de furação e montagem que ainda estão com terceiros serão feitos pela companhia e o portfólio de peças será ampliado.
“Pensamos em começar a oferecer partes em alumínio, como proteção de ciclistas, suporte de para-lamas e a própria grade inteira pronta, pois hoje trabalhamos com as peças que compõem a grade da carreta mas gostaríamos de produzir a tampa completa.”

Para melhor comportar a expansão da produção a empresa comprou terreno, ainda à espera da liberação da matrícula, para poder iniciar a construção de fábrica em local próprio. Hoje, no galpão alugado, a área é de 1,4 mil m2. A ideia é, inicialmente, ampliar o tamanho do espaço em 50% e, posteriormente, dobrá-lo.
A RAV Correntes, como o próprio nome diz, começou sua história em 2017 com a produção de correntes de elo soldado em São Marcos, RS. Com o passar do tempo, entretanto, foi incorporada a fabricação de peças como pinos, dobradiças, grampos fixadores, engates fêmea e ganchos.
Quase a totalidade da produção é dedicada ao setor automotivo: 90%. Deste índice 65% são fornecidos a fabricantes de implementos rodoviários e os 35% restantes ao mercado de reposição. Os outros 10% vão para o ramo agrícola.
Para manter o ritmo de crescimento da RAV Correntes, que já forneceu para a Rodofort e hoje é cliente da Guerra, Brezolin contou que está certificando a companhia com o ISO 9001, e a expectativa é que tudo fique pronto até o fim de fevereiro: “Acreditamos que isso nos abrirá portas para outras fabricantes”.
Segundo a executiva o plano é também participar de importantes feiras do setor, como a Fenatran, Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, e dar continuidade a ações no Exterior iniciadas em 2022. Naquele ano a RAV Correntes expôs em feira no Chile e firmou parcerias.
Em 2023 expandiu seu comércio exterior ao exportar itens para a Bolívia e para o Paraguai. O próximo passo é aguardar as diretrizes do novo governo da Argentina para também negociar no país vizinho. Hoje em torno de 5% do faturamento provêm de exportações. O objetivo é, pelo menos, dobrar este porcentual em 2024.

Com operação enxuta, composta por apenas dezesseis funcionários, Brezolin contou que, com os planos de ampliação, três contratações estão engatilhadas e, até o fim do ano, serão somadas mais oito ou dez.
O diferencial, de acordo com a executiva, é a automatização da produção, o que deixa o processo mais constante e menos custoso, afirmou. Algumas máquinas, inclusive, foram projetadas por dois dos três sócios, sendo ela a terceira, mas que se dedica mais à parte administrativa e comercial.
“Um dos nossos pilares é a entrega rápida. Trabalhamos com estoque de produtos, este sempre foi um dos nossos diferenciais. Enquanto algumas empresas do nosso segmento trabalham com prazo de quinze dias, um mês e até dois meses, geralmente, mesmo nos períodos de maior demanda não ultrapassamos uma semana. E isto é algo de que não pretendemos abrir mão.”
