São Paulo – A Nissan começou a ampliar a distribuição internacional do Kait produzido em Resende, RJ: após as primeiras unidades enviadas ao Paraguai por transporte terrestre o modelo passa a ser exportado também para Colômbia e Costa Rica, agora por via marítima, a partir do Porto do Rio de Janeiro. RJ.
O SUV integra o plano de investimento de R$ 2,8 bilhões da Nissan no País e é o segundo modelo lançado dentro deste ciclo, que já havia apresentado anteriormente o Nissan Kicks, também já incluído no projeto de exportação.
A operação logística envolve o transporte dos veículos da fábrica até o porto, de onde seguem em navios para os novos destinos. A expectativa da montadora é expandir a presença do modelo para mais de vinte países da América Latina.
São Paulo — A Stellantis alcançou a marca de 17 milhões de transmissões produzidas no Polo Automotivo de Betim, MG, um dos principais complexos industriais do grupo na América do Sul. A linha de transmissões faz parte de uma estrutura industrial mais ampla dedicada a powertrains. O complexo reúne atividades de usinagem, tratamento térmico e montagem, com capacidade superior a 1,6 mil unidades/dia e cerca de seiscentos funcionários envolvidos diretamente na operação.
Ao longo do tempo a escala produtiva foi acompanhada por números relevantes: a unidade já processou mais de 425 milhões de peças e volumes expressivos de matérias-primas, como aço, ferro fundido e alumínio, evidenciando o porte da operação instalada em Minas Gerais.
Além das transmissões Betim concentra a produção de motores e abriga o maior centro de powertrain da Stellantis na América Latina. A planta é responsável pelas famílias Firefly e GSE Turbo, utilizadas em diferentes modelos incluindo aplicações com tecnologia híbrida flex.
São Paulo – Sem grandes surpresas Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, anunciou que a produção da Leapmotor em Goiana, PE, será iniciada com o B10 e o C10, os dois que compõem o atual portfólio nacional. As obras para receber as linhas já foram iniciadas e o início de produção está agendado para o primeiro trimestre de 2027.
A operação começa pelo modelo SKD, com evolução progressiva para CKD à medida que sua localização avançar. Os veículos fabricados no Brasil se enquadram no regime de desenvolvimento regional do Nordeste, com os mesmos benefícios fiscais aplicáveis às demais montadoras instaladas na região.
O diferencial tecnológico da produção nacional é a motorização flex. A Leapmotor será a primeira marca a oferecer a tecnologia REEV com motor flex fabricado no Brasil, substituindo os motores de origem chinesa utilizados nos híbridos importados. Zola afirmou que a localização da motorização representa um avanço significativo em termos de competitividade além de um benefício do ponto de vista de emissões, por causa do etanol.
Sobre a possibilidade de ampliar o índice de componentes nacionais ele sinalizou que operações como as de estamparia podem ser integradas à produção local dependendo do volume, sem estabelecer um prazo definido.
A Leapmotor também confirmou a chegada do C16, SUV de maior porte que será comercializado como importado, sem data divulgada. A rede de concessionárias, que encerrou 2025 com 36 lojas em 29 cidades, deverá dobrar para setenta unidades em sessenta cidades até dezembro.
Eletrificados disparam
O contexto de mercado reforça a urgência deste plano. Dados da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, indicam que o Brasil vendeu 270 mil veículos eletrificados em 2025, alta de 52,4% sobre o ano anterior, com 118 mil BEVs, crescimento de 33,8%.
No segmento C-SUV a participação de eletrificados saltou de 27,9% em 2025 para 46,8% no acumulado de 2026. Projeções internas da Stellantis indicam que eletrificados devem representar 25% do mix total de veículos vendidos no Brasil em 2026 e 67% em 2030.
Globalmente a Leapmotor registrou 144 mil unidades vendidas em 2023, 293 mil em 2024 e 596 mil em 2025, com projeção de superar 1 milhão em 2026. A marca ocupou a primeira posição dentre as startups de veículos elétricos na China em fevereiro de 2026, segundo a classificação da publicação Automakers China.
São Paulo – O Leapmotor B10, apresentado no fim do ano passado mas ainda não oficialmente lançado, começa a chegar às concessionárias por R$ 182 mil 890 – e com condição especial de R$ 175 mil 990 para a troca por um usado, ambos acima do divulgado em novembro. O SUV amplia o portfólio da marca no País, que já contava com o C10 nas versões elétrica e híbrida REEV, e reforça a aposta da Stellantis no segmento de veículos eletrificados.
O B10 é movido por motor elétrico de 218 cv e 24,5 kgfm de torque, acelera de 0 a 100 km/h em 8 segundos e atinge velocidade máxima de 170 km/h. A bateria LFP de 56,2 kWh garante autonomia de 288 quilômetros pelo ciclo Inmetro.
A Leapmotor destaca que 65% dos componentes do B10 são desenvolvidos internamente, incluindo o pack de baterias com tecnologia cell-to-chassis, o motor, o sistema Adas, câmeras, lanternas e o sistema de climatização. A empresa classifica a arquitetura como de verticalização industrial, com o chip Snapdragon como processador central.
O veículo passou por validação técnica pelo centro de engenharia da Stellantis, com mais de cem configurações testadas em simuladores na Itália, no campo de provas Yan Cheng, na China, e no Tech Center South America, no Brasil. O resultado, de acordo com a empresa, foi uma melhora de 15% no desempenho dinâmico em relação à versão original, com ajustes em molas, amortecedores, sistema de direção e buchas traseiras.
Ao volante
Na prática o B10 pode até ter sido tropicalizado, mas ainda retém fortemente seu DNA chinês. Para encontrar a posição ideal de dirigir exige-se uma ginástica pelos ajustes manuais do banco porque o volante fica sempre em uma posição elevada, junto com o cluster. O torque instantâneo dá até impressão de que ele entrega mais força, principalmente na estrada. A tração traseira ajuda a manter o SUV mais equilibrado e estável em acelerações mais vigorosas. A suspensão combina McPherson dianteira com multilink traseiro independente, com ajuste mais acertado ao conforto.
No interior o minimalismo prevalece: o painel digital LCD é de 8,8 polegadas e central multimídia Leap One de 14,6 polegadas com sistema operacional LeapOS, atualizações over-the-air e espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. É por meio dela que o motorista ajusta retrovisores e outros comandos, o que exige familiaridade com o sistema e uma boa dose de paciência.
O B10 ainda conta com 22 porta-objetos, teto panorâmico Skyview, carregamento sem fio e assentos com certificação Oeko-Tex. O bom espaço no banco traseiro, com assoalho plano, é garantido pela distância entreeixos de 2,74 metros. O porta-malas tem capacidade de 365 litros (VDA) e o frunk dianteiro oferece 21,5 litros adicionais.
Por fora, embora o Leapmotor B10 e o C10 compartilhem o mesmo DNA visual minimalista, eles se posicionam de forma distinta. O C10 é um SUV médio-grande do segmento D, projetado com foco total na família e no conforto espacial, enquanto o B10 tem porte de SUV médio do segmento C, com uma proposta mais urbana e jovial.
O B10 é cerca de 22 cm menor em comprimento que o C10, medindo 4,51 m contra os 4,73 m do irmão maior, o que o coloca para competir diretamente com modelos como o BYD Yuan Plus. Apesar de ambos manterem as barras de LED contínuas, o B10 se diferencia pelas luzes diurnas em três faixas, que conferem um olhar mais agressivo.
São Paulo – Com a produção de 212,7 mil unidades em março a indústria brasileira de duas rodas, sediada no Polo Industrial de Manaus, AM, registrou o melhor resultado para o mês da história em meio às comemorações dos 50 anos da Abraciclo, que representa o setor no Brasil. O volume superou em 34,5% o resultado do mesmo mês de 2025 e em 29,6% o de fevereiro.
No primeiro trimestre foram 561,7 mil motocicletas produzidas, 12,1% acima dos primeiros três meses do ano passado. Foi o segundo melhor resultado do período na história, só ficando abaixo de janeiro/março de 2008.
Em vendas o setor também registrou recordes: foram 221,6 mil motocicletas emplacadas em março, crescimento de 33,5% na comparação anual e de 29,2% na mensal. A média diária somou 10 mil 74 unidades. No trimestre foram registrados 571,7 mil emplacamentos, alta de 20,6% sobre janeiro a março do ano passado.
Apesar de colocar a cereja no bolo do cinquentenário da Abraciclo, celebrado em 2 de abril, o desempenho do trimestre não fez com que as projeções para o ano fossem revistas: a entidade mantém 2,3 milhões de motocicletas vendidas, alta de 4,6% sobre 2025, e a produção de 2 milhões 70 mil unidades, avanço de 4,5%.
“Março foi muito positivo, puxado pela quantidade de dias úteis”, afirmou o presidente Marcos Bento. “Mas, quando olhamos para fora e o contexto internacional, e para dentro, com Copa do Mundo, eleições, preferimos manter as projeções que, ao nosso ver, estão realistas. E são números bem positivos.”
Também são boas as notícias relacionadas às exportações: no trimestre foram embarcadas 11,4 mil unidades, alta de 18,6% sobre janeiro a março do ano passado. Em março foram 4,6 mil unidades, 13,9% de aumento na comparação anual e 29,1% na mensal.
“A Argentina voltou a comprar motocicletas brasileiras e recuperou o posto de maior destino. Estamos com boa demanda nos principais mercados, como os Estados Unidos.”
Para o ano a expectativa é enviar 45 mil motocicletas para o Exterior, crescimento de 4,4% sobre 2025.
São Paulo – A produção de veículos na Argentina ao longo de dezoito dias úteis apresentou recuperação em março: as 41,7 mil unidades de automóveis e comerciais leves ficaram 40,8% acima de fevereiro, que contou com quinze dias úteis e somou 29,6 mil veículos, e avançaram 0,4% frente ao mesmo mês do ano passado, com 41,5 mil unidades, praticamente estabilidade.
Desta forma o desempenho do primeiro trimestre cresceu e a queda com relação a 2025 foi amenizada, de 30% no primeiro bimestre para 19% agora, totalizando 92,3 mil veículos. Foi o que apontaram os dados divulgados pela Adefa, entidade que representa as montadoras baseadas no país.
Na avaliação do presidente da Adefa, Rodrigo Pérez Graziano, isto indica que, para consolidar a tendência de alta e transformar a recuperação em crescimento sustentável, a chave é continuar trabalhando na agenda de competitividade.
“Estamos trabalhando com toda a cadeia de valor e com o governo para reduzir custos estruturais, otimizar processos e tornar as operações mais eficientes. Para que este esforço dê frutos o comprometimento deve ser total”, afirmou Graziano, para quem províncias e municípios devem contribuir reduzindo a carga tributária e os impostos locais que pesam sobre o processo produtivo de toda a cadeia e penalizam as exportações.
Boa parte da reação de março, no entanto, também pode ser creditada às exportações, que cresceram 66,6% frente a fevereiro e 9,7% diante do mesmo mês do ano passado, somando 26,6 mil unidades. No acumulado do ano as 52,4 mil unidades embarcadas ainda estão 9,5% abaixo do primeiro trimestre de 2025.
“Não estamos sozinhos. O cenário internacional nos apresenta um campo de atuação complexo. Os excedentes de produção global e a entrada de novos participantes estão pressionando ainda mais o nosso setor, que está imerso em um processo competitivo de transição para novas fontes de energia e na definição de novos projetos”, disse Graziano. “O potencial existe mas precisamos fortalecer o trabalho e o comprometimento de cada elo da cadeia de valor e a parceria público-privada.”
Quanto às vendas no mercado argentino, conforme publicado no Autoblog Argentina, foram registrados 48,9 mil em março, alta de 16,5% com relação a fevereiro e de 1,2% quanto a março. No trimestre, que somou 157,4 mil unidades, ainda há recuo de 3,1% frente ao mesmo período de 2025.
São Paulo — O mercado de veículos usados manteve ritmo aquecido em março e ajudou a consolidar um início de ano positivo para o segmento. Dados da Fenauto apontam que as vendas cresceram 22,8% na comparação com fevereiro, somando 1 milhão 670 mil unidades no mês.
Apesar do avanço expressivo na base mensal o indicador por dia útil mostrou estabilidade, com leve alta de 0,5%, sinalizando manutenção da demanda em patamar elevado. Na comparação anual o crescimento foi de 21,5%.
O desempenho de março puxou o resultado do primeiro trimestre. De janeiro a março foram negociados 4,4 milhões de veículos seminovos e usados, volume 12,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A avaliação da Fenauto, no entanto, é de cautela para os próximos meses, diante de fatores que podem interferir no ritmo de negócios ao longo do ano.
São Paulo — A Scania anunciou a troca na direção de suas operações comerciais no Brasil. Eronildo Santos assume como diretor geral a partir de 1º de maio sucedendo a Simone Montagna, que deixa a companhia após 25 anos.
Barros retorna ao País depois de dirigir a operação da montadora no Peru desde 2022. Com quase três décadas de trajetória na empresa o executivo acumula passagens por áreas de vendas, desenvolvimento de negócios e gestão da rede de concessionárias além de experiência na América Latina.
Ao longo da carreira Barros também liderou operações das concessionárias próprias da Volvo no Brasil e ocupou a diretoria de vendas de caminhões e ônibus.
São Paulo — A Iveco anunciou João Petry como diretor de serviços financeiros para a América Latina. Segundo a empresa a indicação foi feita em momento em que o crédito mais restrito e os juros elevados aumentam a relevância das financeiras ligadas às montadoras no apoio às vendas de caminhões e ônibus.
Com passagem por multinacionais do setor automotivo, como Nissan, Renault, ExxonMobil e Volvo, Petry participou também da estruturação da Paccar Financial no Brasil.
“Neste primeiro momento meu foco será estar próximo dos clientes, entender suas necessidades e contribuir com soluções que apoiem seus negócios. Entendemos que a instituição financeira de uma montadora não atua apenas como um banco mas como uma parceira estratégica.”
São Paulo – A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã trouxe ainda mais tensões ao cenário geopolítico, já atormentado pelo tarifaço repleto de vai-e-vem dos Estados Unidos, e coroou o cenário com incertezas até mesmo sobre pontos que o empresário brasileiro tinha como certo, tal qual a redução significativa da taxa Selic, hoje a 14,75% ao ano.
Durante a abertura do Congresso AutoData Megatendências 2026, o líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, apontou que o momento é propício para “surfar algumas grandes ondas”, a exemplo de enaltecer a matriz energética brasileira. É a velha história de dar atenção às oportunidades em meio à turbulência.
“Qualquer guerra atrapalha porque eleva custos. E o impacto não é só sobre o preço do diesel e dos demais combustíveis.”
Sobre a possibilidade de haver gargalo no fornecimento de algum produto relacionado, como o plástico, por ser derivado do petróleo, Roa ainda não vê problemas, mas deixa sinal de alerta para o momento: “A grande diferença desta vez é que não somos totalmente reféns, como na crise dos chips. Mas temos de manter a atenção”.
Ricardo Roa, líder do setor automotivo da KPMG no Brasil. Fotos: Bruna Nishihata.
Cenário interno também não está tranquilo
Internamente o cenário é bagunçado pela junção de fatores como Copa do Mundo, excesso de feriados com ponte, que reduzem os dias úteis, eleição presidencial e adoção progressiva da reforma tributária com o imposto seletivo.
“De um jeito ou de outro a pressão sobre os custos acaba levando à necessidade de rever a cadeia de suprimentos, lançar mão da criatividade e avaliar onde a empresa está concentrando e gastando seus esforços.”
E as mudanças não estão relacionadas apenas à questão de custos. Alianças tecnológicas também são cada vez mais bem-vindas para que as empresas sigam focando em seus produtos e unam-se a quem tenha a expertise a fim de não perder timing nem lucro tentando fazer algo do zero, e fora de sua área de atuação.
Sobre a possibilidade de companhias reverem seus investimentos em meio à nuvem de incertezas Roa avaliou que, até o momento, os planos seguem em pauta. Até porque ferramentas para impulsionar vendas internas, como os programas Carro Sustentável e Move Brasil, seguem vigorando e puxando o mercado.