Foi o que apontou Ricardo Roa, líder do setor automotivo da KPMG Brasil durante o Congresso Megatendências
São Paulo – A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã trouxe ainda mais tensões ao cenário geopolítico, já atormentado pelo tarifaço repleto de vai-e-vem dos Estados Unidos, e coroou o cenário com incertezas até mesmo sobre pontos que o empresário brasileiro tinha como certo, tal qual a redução significativa da taxa Selic, hoje a 14,75% ao ano.
Durante a abertura do Congresso AutoData Megatendências 2026, o líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, apontou que o momento é propício para “surfar algumas grandes ondas”, a exemplo de enaltecer a matriz energética brasileira. É a velha história de dar atenção às oportunidades em meio à turbulência.
“Qualquer guerra atrapalha porque eleva custos. E o impacto não é só sobre o preço do diesel e dos demais combustíveis.”
Sobre a possibilidade de haver gargalo no fornecimento de algum produto relacionado, como o plástico, por ser derivado do petróleo, Roa ainda não vê problemas, mas deixa sinal de alerta para o momento: “A grande diferença desta vez é que não somos totalmente reféns, como na crise dos chips. Mas temos de manter a atenção”.
Ricardo Roa, líder do setor automotivo da KPMG no Brasil. Fotos: Bruna Nishihata.
Cenário interno também não está tranquilo
Internamente o cenário é bagunçado pela junção de fatores como Copa do Mundo, excesso de feriados com ponte, que reduzem os dias úteis, eleição presidencial e adoção progressiva da reforma tributária com o imposto seletivo.
“De um jeito ou de outro a pressão sobre os custos acaba levando à necessidade de rever a cadeia de suprimentos, lançar mão da criatividade e avaliar onde a empresa está concentrando e gastando seus esforços.”
E as mudanças não estão relacionadas apenas à questão de custos. Alianças tecnológicas também são cada vez mais bem-vindas para que as empresas sigam focando em seus produtos e unam-se a quem tenha a expertise a fim de não perder timing nem lucro tentando fazer algo do zero, e fora de sua área de atuação.
Sobre a possibilidade de companhias reverem seus investimentos em meio à nuvem de incertezas Roa avaliou que, até o momento, os planos seguem em pauta. Até porque ferramentas para impulsionar vendas internas, como os programas Carro Sustentável e Move Brasil, seguem vigorando e puxando o mercado.