Elétrico Leapmotor B10 chega às concessionárias com preço competitivo

São Paulo – O Leapmotor B10, apresentado no fim do ano passado mas ainda não oficialmente lançado, começa a chegar às concessionárias por R$ 182 mil 890 – e com condição especial de R$ 175 mil 990 para a troca por um usado, ambos acima do divulgado em novembro. O SUV amplia o portfólio da marca no País, que já contava com o C10 nas versões elétrica e híbrida REEV, e reforça a aposta da Stellantis no segmento de veículos eletrificados.

O B10 é movido por motor elétrico de 218 cv e 24,5 kgfm de torque, acelera de 0 a 100 km/h em 8 segundos e atinge velocidade máxima de 170 km/h. A bateria LFP de 56,2 kWh garante autonomia de 288 quilômetros pelo ciclo Inmetro. 

A Leapmotor destaca que 65% dos componentes do B10 são desenvolvidos internamente, incluindo o pack de baterias com tecnologia cell-to-chassis, o motor, o sistema Adas, câmeras, lanternas e o sistema de climatização. A empresa classifica a arquitetura como de verticalização industrial, com o chip Snapdragon como processador central. 

O veículo passou por validação técnica pelo centro de engenharia da Stellantis, com mais de cem configurações testadas em simuladores na Itália, no campo de provas Yan Cheng, na China, e no Tech Center South America, no Brasil.  O resultado, de acordo com a empresa, foi uma melhora de 15% no desempenho dinâmico em relação à versão original, com ajustes em molas, amortecedores, sistema de direção e buchas traseiras.

Ao volante

Na prática o B10 pode até ter sido tropicalizado, mas ainda retém fortemente seu DNA chinês. Para encontrar a posição ideal de dirigir exige-se uma ginástica pelos ajustes manuais do banco porque o volante fica sempre em uma posição elevada, junto com o cluster. O torque instantâneo dá até impressão de que ele entrega mais força, principalmente na estrada. A tração traseira ajuda a manter o SUV mais equilibrado e estável em acelerações mais vigorosas. A suspensão combina McPherson dianteira com multilink traseiro independente, com ajuste mais acertado ao conforto.

No interior o minimalismo prevalece: o painel digital LCD é de 8,8 polegadas e central multimídia Leap One de 14,6 polegadas com sistema operacional LeapOS, atualizações over-the-air e espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.  É por meio dela que o motorista ajusta retrovisores e outros comandos, o que exige familiaridade com o sistema e uma boa dose de paciência. 

O B10 ainda conta com 22 porta-objetos, teto panorâmico Skyview, carregamento sem fio e assentos com certificação Oeko-Tex.  O bom espaço no banco traseiro, com assoalho plano, é garantido pela distância entreeixos de 2,74 metros. O porta-malas tem capacidade de 365 litros (VDA) e o frunk dianteiro oferece 21,5 litros adicionais.

Por fora, embora o Leapmotor B10 e o C10 compartilhem o mesmo DNA visual minimalista, eles se posicionam de forma distinta. O C10 é um SUV médio-grande do segmento D, projetado com foco total na família e no conforto espacial, enquanto o B10 tem porte de SUV médio do segmento C, com uma proposta mais urbana e jovial.

O B10 é cerca de 22 cm menor em comprimento que o C10, medindo 4,51 m contra os 4,73 m do irmão maior, o que o coloca para competir diretamente com modelos como o BYD Yuan Plus. Apesar de ambos manterem as barras de LED contínuas, o B10 se diferencia pelas luzes diurnas em três faixas, que conferem um olhar mais agressivo.

Indústria de motocicletas bate recordes em março

São Paulo – Com a produção de 212,7 mil unidades em março a indústria brasileira de duas rodas, sediada no Polo Industrial de Manaus, AM, registrou o melhor resultado para o mês da história em meio às comemorações dos 50 anos da Abraciclo, que representa o setor no Brasil. O volume superou em 34,5% o resultado do mesmo mês de 2025 e em 29,6% o de fevereiro.

No primeiro trimestre foram 561,7 mil motocicletas produzidas, 12,1% acima dos primeiros três meses do ano passado. Foi o segundo melhor resultado do período na história, só ficando abaixo de janeiro/março de 2008. 

Em vendas o setor também registrou recordes: foram 221,6 mil motocicletas emplacadas em março, crescimento de 33,5% na comparação anual e de 29,2% na mensal. A média diária somou 10 mil 74 unidades. No trimestre foram registrados 571,7 mil emplacamentos, alta de 20,6% sobre janeiro a março do ano passado.

Apesar de colocar a cereja no bolo do cinquentenário da Abraciclo, celebrado em 2 de abril, o desempenho do trimestre não fez com que as projeções para o ano fossem revistas: a entidade mantém 2,3 milhões de motocicletas vendidas, alta de 4,6% sobre 2025, e a produção de 2 milhões 70 mil unidades, avanço de 4,5%.

“Março foi muito positivo, puxado pela quantidade de dias úteis”, afirmou o presidente Marcos Bento. “Mas, quando olhamos para fora e o contexto internacional, e para dentro, com Copa do Mundo, eleições, preferimos manter as projeções que, ao nosso ver, estão realistas. E são números bem positivos.”

Também são boas as notícias relacionadas às exportações: no trimestre foram embarcadas 11,4 mil unidades, alta de 18,6% sobre janeiro a março do ano passado. Em março foram 4,6 mil unidades, 13,9% de aumento na comparação anual e 29,1% na mensal.

“A Argentina voltou a comprar motocicletas brasileiras e recuperou o posto de maior destino. Estamos com boa demanda nos principais mercados, como os Estados Unidos.”

Para o ano a expectativa é enviar 45 mil motocicletas para o Exterior, crescimento de 4,4% sobre 2025. 

Reação em março reduz ritmo de queda da produção argentina no ano

São Paulo – A produção de veículos na Argentina ao longo de dezoito dias úteis apresentou recuperação em março: as 41,7 mil unidades de automóveis e comerciais leves ficaram 40,8% acima de fevereiro, que contou com quinze dias úteis e somou 29,6 mil veículos, e avançaram 0,4% frente ao mesmo mês do ano passado, com 41,5 mil unidades, praticamente estabilidade.

Desta forma o desempenho do primeiro trimestre cresceu e a queda com relação a 2025 foi amenizada, de 30% no primeiro bimestre para 19% agora, totalizando 92,3 mil veículos. Foi o que apontaram os dados divulgados pela Adefa, entidade que representa as montadoras baseadas no país.

Na avaliação do presidente da Adefa, Rodrigo Pérez Graziano, isto indica que, para consolidar a tendência de alta e transformar a recuperação em crescimento sustentável, a chave é continuar trabalhando na agenda de competitividade.

“Estamos trabalhando com toda a cadeia de valor e com o governo para reduzir custos estruturais, otimizar processos e tornar as operações mais eficientes. Para que este esforço dê frutos o comprometimento deve ser total”, afirmou Graziano, para quem províncias e municípios devem contribuir reduzindo a carga tributária e os impostos locais que pesam sobre o processo produtivo de toda a cadeia e penalizam as exportações.

Boa parte da reação de março, no entanto, também pode ser creditada às exportações, que cresceram 66,6% frente a fevereiro e 9,7% diante do mesmo mês do ano passado, somando 26,6 mil unidades. No acumulado do ano as 52,4 mil unidades embarcadas ainda estão 9,5% abaixo do primeiro trimestre de 2025.

“Não estamos sozinhos. O cenário internacional nos apresenta um campo de atuação complexo. Os excedentes de produção global e a entrada de novos participantes estão pressionando ainda mais o nosso setor, que está imerso em um processo competitivo de transição para novas fontes de energia e na definição de novos projetos”, disse Graziano. “O potencial existe mas precisamos fortalecer o trabalho e o comprometimento de cada elo da cadeia de valor e a parceria público-privada.”

Quanto às vendas no mercado argentino, conforme publicado no Autoblog Argentina, foram registrados 48,9 mil em março, alta de 16,5% com relação a fevereiro e de 1,2% quanto a março. No trimestre, que somou 157,4 mil unidades, ainda há recuo de 3,1% frente ao mesmo período de 2025.

Venda de usados cresce 23% e sustenta início de ano positivo

São Paulo — O mercado de veículos usados manteve ritmo aquecido em março e ajudou a consolidar um início de ano positivo para o segmento. Dados da Fenauto apontam que as vendas cresceram 22,8% na comparação com fevereiro, somando 1 milhão 670 mil unidades no mês.

Apesar do avanço expressivo na base mensal o indicador por dia útil mostrou estabilidade, com leve alta de 0,5%, sinalizando manutenção da demanda em patamar elevado. Na comparação anual o crescimento foi de 21,5%.

O desempenho de março puxou o resultado do primeiro trimestre. De janeiro a março foram negociados 4,4 milhões de veículos seminovos e usados, volume 12,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

A avaliação da Fenauto, no entanto, é de cautela para os próximos meses, diante de fatores que podem interferir no ritmo de negócios ao longo do ano.

Eronildo Santos retorna ao Brasil para chefiar operações comerciais da Scania

São Paulo — A Scania anunciou a troca na direção de suas operações comerciais no Brasil. Eronildo Santos assume como diretor geral a partir de 1º de maio sucedendo a Simone Montagna, que deixa a companhia após 25 anos.

Barros retorna ao País depois de dirigir a operação da montadora no Peru desde 2022. Com quase três décadas de trajetória na empresa o executivo acumula passagens por áreas de vendas, desenvolvimento de negócios e gestão da rede de concessionárias além de experiência na América Latina.

Ao longo da carreira Barros também liderou operações das concessionárias próprias da Volvo no Brasil e ocupou a diretoria de vendas de caminhões e ônibus.

João Petry é o novo diretor de serviços financeiros da Iveco

São Paulo — A Iveco anunciou João Petry como diretor de serviços financeiros para a América Latina. Segundo a empresa a indicação foi feita em momento em que o crédito mais restrito e os juros elevados aumentam a relevância das financeiras ligadas às montadoras no apoio às vendas de caminhões e ônibus.

Com passagem por multinacionais do setor automotivo, como Nissan, Renault, ExxonMobil e Volvo, Petry participou também da estruturação da Paccar Financial no Brasil.

“Neste primeiro momento meu foco será estar próximo dos clientes, entender suas necessidades e contribuir com soluções que apoiem seus negócios. Entendemos que a instituição financeira de uma montadora não atua apenas como um banco mas como uma parceira estratégica.”

Incertezas trazem alerta e mostram oportunidades

São Paulo – A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã trouxe ainda mais tensões ao cenário geopolítico, já atormentado pelo tarifaço repleto de vai-e-vem dos Estados Unidos, e coroou o cenário com incertezas até mesmo sobre pontos que o empresário brasileiro tinha como certo, tal qual a redução significativa da taxa Selic, hoje a 14,75% ao ano.

Durante a abertura do Congresso AutoData Megatendências 2026, o líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, apontou que o momento é propício para “surfar algumas grandes ondas”, a exemplo de enaltecer a matriz energética brasileira. É a velha história de dar atenção às oportunidades em meio à turbulência.

“Qualquer guerra atrapalha porque eleva custos. E o impacto não é só sobre o preço do diesel e dos demais combustíveis.”

Sobre a possibilidade de haver gargalo no fornecimento de algum produto relacionado, como o plástico, por ser derivado do petróleo, Roa ainda não vê problemas, mas deixa sinal de alerta para o momento: “A grande diferença desta vez é que não somos totalmente reféns, como na crise dos chips. Mas temos de manter a atenção”.

Ricardo Roa, líder do setor automotivo da KPMG no Brasil. Fotos: Bruna Nishihata.

Cenário interno também não está tranquilo

Internamente o cenário é bagunçado pela junção de fatores como Copa do Mundo, excesso de feriados com ponte, que reduzem os dias úteis, eleição presidencial e adoção progressiva da reforma tributária com o imposto seletivo.

“De um jeito ou de outro a pressão sobre os custos acaba levando à necessidade de rever a cadeia de suprimentos, lançar mão da criatividade e avaliar onde a empresa está concentrando e gastando seus esforços.”

E as mudanças não estão relacionadas apenas à questão de custos. Alianças tecnológicas também são cada vez mais bem-vindas para que as empresas sigam focando em seus produtos e unam-se a quem tenha a expertise a fim de não perder timing nem lucro tentando fazer algo do zero, e fora de sua área de atuação.

Sobre a possibilidade de companhias reverem seus investimentos em meio à nuvem de incertezas Roa avaliou que, até o momento, os planos seguem em pauta. Até porque ferramentas para impulsionar vendas internas, como os programas Carro Sustentável e Move Brasil, seguem vigorando e puxando o mercado.

Para reduzir custos e elevar valor terceirização e localização são opções

São Paulo – Aderir a uma logística mais inteligente, contratar fornecedor que tenha escala e esteja mais próximo à linha de produção de veículos são tendências identificadas no setor automotivo para reduzir custos e elevar o valor do produto ao cliente. Foi o que afirmaram durante o Congresso AutoData Megatendências 2026 os executivos Matthias Kaeding, vice-presidente de compras e cadeia de suprimentos da Mercedes-Benz na América Latina, e Márcio Alfonso, vice-presidente de produção, manufatura e inovação da GWM. 

Terceirizar a produção não significa, apesar da busca por diminuição de custos, que haverá maiores desembolsos logísticos. Usando o exemplo recente da Mercedes-Benz, que três anos atrás decidiu entregar a fornecedores externos a missão de fabricar alguns componentes, como o eixo dianteiro, a cargo da Suspensys, a medida possibilita à montadora, na avaliação de Kaeding, focar em seu negócio principal de integrar o produto na fábrica de São Bernardo do Campo, SP.

“O foco da discussão está também na agilidade. Com a terceirização estamos trazendo mais valor ao cliente, desde que o fornecedor consiga trabalhar com escala, pois ele é especializado em suas atividade principal de fabricar determinado componente.”

Matthias Kaeding, da Mercedes-Benz. Fotos: Bruna Nishihata.

Neste contexto de delegar algumas atividades a empresas competentes e que estejam perto da fabricante de veículos, a fim de tornar viável a logística, o nearshoring não necessariamente tem de ficar concentrado em uma empresa de cada ramo. Ao contrário, para Alfonso, o interessante é que haja mais de produtor homologado do mesmo componente a fim de diluir o risco.

No caso da GWM, que em agosto iniciou a montagem local em Iracemápolis, SP, embora grande parte das peças ainda seja importada, o plano é, o quanto antes, formar sua rede nacional de fornecedores. Com isto a companhia busca evitar a constante exposição ao câmbio, a demora e o custo das viagens de navios, que no trajeto da China para cá, sem intercorrências, leva mais de 45 dias.

“Precisamos diminuir estes prazos e estes custos”, disse Alfonso. “Queremos estudar caso a caso para ver o que faz sentido e o que não faz. O nearshoring é estratégico para evitar problemas de parada.”

Para ele é interessante trabalhar com fornecedores que têm a vivência em diferentes culturas, uma vez que parte significativa destas empresas é de multinacionais, e que é preciso apenas ter cuidado para que o ciclo de vida seja compatível para que atenda do início ao fim.

Márcio Alfonso, da GWM. Fotos: Bruna Nishihata.

Por isto o executivo da GWM ressaltou a necessidade de escolher com cuidado. Não faz sentido, por exemplo, que peças de grandes volumes, como sistemas de escapamento, para-choques e tanques de combustível, sejam transportadas de outro país. Sem contar que a nova parceria abre possibilidade para seguir com o desenho original ou lançar mão de algo novo, mas equivalente, desde que atenda à função, ao desempenho e ao custo competitivo.

“Trata-se de um trabalho extenso. E é sempre bom dividir e ter mais de um parceiro. Até porque nenhuma montadora é autossuficiente.”

Acordo Mercosul-União Europeia deve ter efeito gradual e abrir espaço para exportações

São Paulo — O acordo do Mercosul com a União Europeia tende a gerar impactos mais graduais do que disruptivos sobre a indústria automotiva brasileira, com oportunidades concentradas principalmente em exportações e cadeias globais de valor. A avaliação foi feita por Michael Münch, sócio da Mirow & Co, durante o Congresso AutoData Megatendências 2026.

Após 26 anos de negociações o acordo entra agora em fase de adoção, embora ainda existam incertezas operacionais: “Nós já passamos as discussões políticas e estamos indo para a fase de implementação. Mas ainda temos algum risco residual de o Parlamento Europeu e a Corte de Justiça poderem voltar atrás”.

Na prática, porém, os benefícios não devem ser imediatos: “No dia 1º de maio eu já posso gozar de tarifas reduzidas? Talvez ainda não. Estão faltando implementações administrativas dos dois lados”.

Combustão perde espaço, elétricos avançam com cautela

Münch destacou que o impacto será diferente conforme o tipo de tecnologia. Para veículos a combustão a relevância do acordo tende a ser limitada: “Nos próximos seis anos nada mudará neste segmento. As taxas serão 35%, como estão hoje. Depois disto a Europa já estará em fase de saída do motor a combustão. Então a janela é muito curta”.

Já para veículos elétricos haverá redução tarifária mais rápida e vantagem para produtos europeus. Ainda assim o efeito tende a ser contido. “Mesmo com esta vantagem, o carro elétrico importado ainda custará de 30% a 40% a mais do que na Europa. Isso me deixa bastante confiante de que não haverá avalanche de importações”.

Segundo ele a produção local seguirá relevante “e a localização continuará a ter papel muito importante”.

Brasil ganha força em novo cenário global

Para Münch o maior potencial do acordo está no reposicionamento do Brasil nas cadeias globais, especialmente diante das mudanças geopolíticas. Para ele está mudando “o setup dos fluxos globais e o Brasil está muito bem posicionado”.

Ele citou quatro fatores principais: estabilidade geopolítica, matriz energética limpa, menor dependência de importações de energia e custos competitivos.

Michael Münch, sócio da Mirow & Co. Fotos: Bruna Nishihata.

“Nós temos sol, vento e hidrelétrica. O esforço que eu preciso fazer na Alemanha para ter a mesma quantidade de energia limpa é muito maior.”

Esta característica ganha peso diante da pressão europeia por descarbonização pois ter matriz com baixa pegada de carbono ficará cada vez mais importante para a indústria europeia.

Oportunidade existe, mas exige estratégia

Apesar do cenário favorável Michael Münch ressaltou que os ganhos não serão automáticos: “Temos uma oportunidade real mas precisamos fazer o dever de casa. Isso não acontece sozinho. Mais: não devemos competir apenas por preço, não podemos cair na armadilha de seguir uma estratégia de commodity. Nesta briga perderemos”.

O caminho, segundo ele, é apostar em nichos de maior valor agregado, focar em segmentos nos quais a baixa pegada de carbono agrega valor. Também será essencial atender às exigências regulatórias europeias:

“Não é simplesmente esperar o acordo. Tem que se preparar com regras de origem, comprovar conteúdo local, atender a requisitos de descarbonização”.

Exportações devem ser principal vetor

Na visão do consultor o acordo tende a ampliar a participação do Brasil no comércio global automotivo e o País pode ocupar uma parte maior dentro do negócio global do que ocupa hoje. Ele também minimizou riscos de desindustrialização.

“Não acontecerá. A redução de tarifas é gradual e dá tempo para todo mundo se ajustar.”

Michael Münch destacou o potencial do País em tecnologias alternativas. “Nós temos na mão a oportunidade de nos tornarmos líderes em tecnologias de baixo carbono e biocombustíveis e temos que aproveitar o fato de sermos um gigante verde a nosso favor”.

5G avança ao lado do 4G e amplia aplicações na indústria e no carro conectado

São Paulo — A evolução da conectividade no setor automotivo passa menos por substituição tecnológica e mais por complementaridade de redes. Essa foi a avaliação de João Paulo Pereira, gerente de soluções e BD IoT & 5G da TIM Brasil, ao discutir o papel do 5G na nova arquitetura digital da indústria durante o Congresso AutoData Megatendências 2026, em São Paulo.

“A ideia não é que o 5G sobrescreva ou substitua o 4G. Basicamente elas atuam de forma complementar”. Segundo ele enquanto frequências mais baixas garantem maior cobertura, as mais altas entregam velocidade e menor latência, o que direciona o uso de cada tecnologia em diferentes aplicações. Esta lógica também se reflete no uso de redes públicas e privativas:

“Na indústria aplicações de missão crítica fazem mais sentido em redes privativas. Já em veículos, com necessidade de cobertura maior, faz mais sentido utilizar rede pública”.

Sobre o avanço do 5G Pereira, destacou a chegada do Release 17, que amplia as possibilidades de conectividade. “É possível, por exemplo, em uma região remota, falar direto com o satélite. É um caminho que pode fazer sentido para a realidade brasileira”.

João Paulo Pereira, gerente de soluções e BD IoT & 5G da TIM Brasil. Fotos: Bruna Nishihata.

Ele ressaltou, no entanto, que cobertura não é o único fator relevante: “Não se trata, apenas, da aplicação da tecnologia. O nível de qualidade, estabilidade e consistência do serviço faz muito sentido para esse tipo de aplicação”.

Na indústria a aplicação também avança na manufatura. Em unidade da Stellantis, em Goiana, PE, câmaras conectadas substituem inspeções manuais: “A própria câmara processa, analisa e aponta os erros para o operador”.

Ao olhar para o comportamento do consumidor, Pereira destacou uma mudança importante: o cliente não quer saber se precisa de 800 MB ou de 1 GB. Ele quer usar música, mapas, serviços. Esta transformação também impacta a experiência de uso e o executivo da Tim propôs modelos mais fluidos de contratação e uso. “Se os dados acabam antes do fim do mês há a frustração do cliente”.

Outro ponto é a integração dos sistemas digitais: “Alguns preferem que o carro se comporte exatamente como o celular. Outros querem tudo integrado ao veículo, com comando de voz, por exemplo”.

Por fim ele apontou o avanço da comunicação dos veículos com a infraestrutura: “A possibilidade de o veículo alertar a rodovia, ou a rodovia avisar o veículo, pode evitar acidentes”.

De acordo com João Paulo Pereira o futuro será resultado da convergência de indústria e usuário: “São duas forças: a visão da montadora e a expectativa do cliente, que já está acostumado com a experiência do smartphone”.