Coronavírus é soco no queixo de indústria automotiva que saía de crise

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Foto Jornalista Redação AutoData

Por Redação AutoData

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20/03/2020

São Paulo –  Há poucas semanas, durante reunião mensal para apresentar os resultados da indústria automotiva, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, acendeu a luz amarela com a possibilidade de desabastecimento das linhas de montagem.

 

A imprensa noticiou, mas é verdade que nem a mídia e, talvez, nem os líderes do setor, esperavam um efeito tão devastador e tão rápido dessa escalada da pandemia do coronavírus no Brasil.

 

As ações agora são para reduzir a dispersão do Covid-19 pelo País. Dessa maneira, além do fechamento do comércio - parte dele até agora - as empresas começam a reduzir as atividades de suas fábricas.

 

General Motors e Mercedes-Benz já anunciaram férias coletivas a todo o chão de fábrica - embora a primeira não as tenha relacionado ao coronavírus, mas a "ajustes de estoque".

 

Para a Mercedes-Benz o motivo alegado foi a pandemia, assim como a Volkswagen, que oficialmente não confirma as férias mas que protocolou intenção no Ministério do Trabalho e avisou sindicatos e fornecedores.

 

Tudo leva a crer que a pandemia acertou um soco no queixo da indústria que ainda se recuperava de uma crise de proporções enormes nos últimos anos, resultado da própria situação econômica do País.

 

Segundo a Fenabrave até o fim da quinzena os resultados de vendas ainda não haviam sido influenciados pela situação, mas a tendência é, obviamente, de redução nos emplacamentos - afinal grande parte da população está em casa, sem sair.

 

A Fenabrave admitiu que revisará suas projeções de vendas para o ano. É inevitável que a Anfavea faça o mesmo. A crise, que poderia ser de abastecimento, tornou-se uma crise de demanda. A indústria nacional foi contaminada pela pandemia.

 

Não só aqui. A produção brasileira não será a única a sofrer: na Europa e nos Estados Unidos fábricas estão sendo fechadas para evitar a proliferação do vírus. Na Argentina, por enquanto, o ritmo segue normal - mas já podemos perguntar: até quando?

 

A indústria recupera. Marcos de Oliveira, presidente do Iochpe-Maxion, disse que a indústria automotiva tem capacidade de recuperar volumes não produzidos. Mas tem que haver demanda para isso.

 

Auditório vazio. Mais importante lançamento Chevrolet do ano o SUV Tracker foi apresentado a um auditório vazio. A poucos dias do evento a companhia precisou alterar a forma de divulgação e transmitiu tudo pela internet, via streaming.

 

Cancelados. Não foi a única a ter seus planos alterados: a Iveco cancelou um lançamento e a Fiat está estudando o adiamento da apresentação da nova Strada. Muito provavelmente para o segundo semestre.

 

Megatendências. A pedido da Anfavea a AutoData Editora adiou seu seminário Megatendências do Setor Automotivo: os Novos Desafios de 2020. A cautela sanitária exigida pelo momento impediu a presença dos presidentes palestrantes confirmados ao evento.

 

O topo. Objetivo da GM: tornar o Tracker o número 1 dos SUVs compactos. Pacote recheado de itens de segurança, entretenimento e conforto de série o credencia a alcançar os degraus mais altos do segmento.

 

Novo presidente. João Oliveira, da Volvo Cars, foi eleito em chapa única para presidir a Abeifa, associação que representa os importadores. Sucede a José Luiz Gandini, da Kia Motors.

 

Menos imposto. A principal plataforma de mandato do novo presidente da Abeifa é manter a luta para reduzir o imposto de importação de veículos dos atuais 35% para 20%, alíquota equivalente à TEC, Tarifa Externa Comum do Mercosul.

 

25 milhões. A Moto Honda da Amazônia alcançou a marca de 25 milhões de motocicletas produzidas em Manaus, AM. Nenhuma montadora brasileira tem números mais elevados.

 

Este texto foi publicado originalmente no UOL, onde AutoData mantém uma coluna publicada todas as sextas-feiras

 

Foto: Divulgação.