Condições de financiamentos não agradam todos os segmentos

Imagem ilustrativa da notícia: Condições de financiamentos não agradam todos os segmentos

Todos os segmentos do setor automotivo têm mostrado números melhores mês a mês e até no acumulado do ano já é sentida a recuperação com relação ao ano passado. Com isso deveriam melhorar os financiamentos e a liberação de crédito para consumidores pessoas físicas e para empresas, visando a mais vendas, maior produção e padrão de exportações. Mas não é esse o cenário encontrado em todos os segmentos da indústria. 

 

A melhora nos números e índices do setor automotivo vem acompanhada de vários outros fatores, como a queda da inadimplência, física e jurídica, o aumento no índice de confiança do consumidor, a queda na taxa básica de juros, a sempre aguardada super safra. Isso tudo justificaria algumas liberdades na área do crédito.  Mas qual é a realidade prática?

 

No caso dos automóveis, por exemplo, as notícias são boas: segundo a Anef [Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras] a previsão de liberação de recursos para financiamentos de automóveis, este ano foram revisadas:

 

“Nossa expectativa era a de que o volume de recursos liberados aumentasse 5,5% este ano mas, com as melhorias do mercado, revisamos este crescimento para 10,2%. O valor liberado chegará a R$ 90 bilhões”, disse o presidente da entidade, Luiz Montenegro. “Esperamos que o último trimestre, e 2018, sigam com crescimento acentuado, até porque existe demanda reprimida e o momento para compra melhorou.”

 

O mercado ainda pode esperar boas notícias para o ano que vem, ele acredita: “A liquidez é alta e adequada para o volume de crescimento esperado para os próximos anos. Ou seja, os recursos financeiros que estarão disponíveis nos próximos anos serão suficientes para atender  demanda de crescimento”.

 

O segmento de máquinas agrícolas também tem um bom cenário, com boas notícias, mesmo dependendo de financiamentos oferecidos por programas ligados ao BNDES:

 

“Estamos no caminho da retomada. O plano Safra 2017/2018, em vigor desde julho, reduziu o prazo de pagamento do Moderfrota e do Pronamp para sete anos, um a menos do que o anterior, mas esse mudança não tem impacto sobre o produtor, que ao comprar um equipamento já calcula o valor total e final de seu investimento e o juro menor compensa o novo prazo”, notou Alexandre Garcia, que atua na área comercial do banco CNH Industrial. “Os programas de financiamentos oferecidos pelo BNDES ao segmento, Finame, Moderfrota e Pronamp, são bastante atrativos pelos baixos juros praticados e devem seguir dentro das regras que estão sendo praticadas desde o último Plano Safra.”

 

Somadas as condições de financiamentos que agradam ao setor outros fatores influenciaram a retomada do crescimento: “No ano passado a crise foi macroeconômica e política e, com isso, houve insegurança para investir em maquinário. Após o anúncio do Plano Safra 2017/2018 a confirmação da super safra, aliada à necessidade de renovar os equipamentos, à proximidade de nova safra e à reação da indústria ajudaram a estimular o investimento”.

 

Algumas facilitações para os produtores são realizadas pelos bancos das fabricantes, como o da CNH Industrial, que em agosto, durante a Exporinter, tornou flexível, por tempo limitado, o financiamento de até 100% do valor para pessoas físicas e jurídicas que se enquadram no Pronamp. Para quem não se enquadra o banco também oferece linhas como o Finame TJPL e CDC, ambos com boas condições.

 

Mas, mesmo com a recuperação nos emplacamentos de caminhões, que em janeiro caíram 33,3% e 11,1% em agosto, e o crescimento da produção as condições de financiamento e de liberação de crédito não devem mudar tão cedo e podem até piorar a médio e longo prazo.

 

De acordo com Orlando Merluzzi, presidente da MA8 Consultoria “os números apresentados pela indústria não serão suficientes para melhorar as condições de financiamento e aumentar a liberação de crédito. A curto prazo teremos uma recuperação do mercado, mas não será reflexo de financiamentos mais flexíveis e mais crédito e, sim de uma demanda reprimida que havia no mercado”.

 

A redução da perda nos emplacamentos está sendo influenciada por outros fatores: “Alguns empresários represaram os investimentos e renovações de frota e estão há tempos sem comprar caminhões. Agora, sentem o mercado mais estável e estão trocando por necessidade. Não existe um movimento de expansão de frota, mas de renovação”.

 

Enquanto o cenário dos financiamentos para carros e máquinas agrícolas em 2018 é bom os para caminhões não é animador: “Atualmente 70% dos financiamentos são realizados pelo Finame, porém o modo de operar do BNDES deve mudar a médio prazo, voltando a liberar crédito apenas a segmentos que estão diretamente ligados à geração de empregos, como agronegócio e operações industriais. Por isso acredito que o segmento precisa encontrar alternativas para os financiamentos­­­­ e não ser tão dependente do Finame”.

 

O consultor também acredita que alguns fatores trarão incertezas para o segmento de caminhões a curto prazo: “Teremos eleições no ano que vem e esse é um fato que criará impacto no setor de caminhões. Qualquer mudança radical, independente de quem assuma a Presidência, nos afetará. Verdadeira curva de retomada poderá começar após as eleições, quando recebermos um sinal claro do que acontecerá nos próximos anos”.

Foto: Fotos Públicas/Marcos Santos - Usp