Justiça declara falência da Guerra

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O administrador judicial Cristiano Arnt Franke deu início na manhã da quinta-feira, 9, às medidas legais para cumprimento dos termos da sentença da juíza Maria Olivier, da 4ª Câmara Cível de Caxias do Sul, RS, de decretação da falência da Guerra S. A. Implementos Rodoviários, formalizada na quarta-feira, 8. Na avaliação do administrador a decisão foi “a mais acertada diante da difícil situação da companhia, que parou a produção em 16 de maio e liberou seus funcionários sem pagamento dos direitos, sequer com a integralidade dos salários de abril”.

 

Os rumos da fabricante de implementos rodoviários, que por muito tempo foi a segunda maior do segmento no País, tornaram-se complexos a partir da rejeição, pela assembleia de credores de 5 de julho, da proposta de recuperação financeira da empresa. Desde a metade de 2015 a Guerra encontrava-se em recuperação judicial, mas nunca houve acordo que unisse os sócios majoritários e os minoritários para o encaminhamento de solução. Com a rejeição da proposta a decisão coube ao Poder Judiciário.

 

O administrador estima que a dívida atual da companhia, incluindo os débitos tributários, some perto de R$ 300 milhões. Na assembleia estavam sujeitos débitos de credores na ordem de R$ 120 milhões a R$ 130 milhões. De R$ 70 milhões a R$ 80 milhões não estavam incluídos.

 

O passivo trabalhista não somava R$ 1 milhão. Agora, com o período de seis meses sem pagamento de salários e folha mensal de R$ 2 milhões, a dívida deve incorporar, sem correções, algo como R$ 14 milhões. De acordo com o administrador em torno de duzentos funcionários ainda têm vínculo com a empresa, que já chegou a empregar 2 mil pessoas.

 

O advogado informou que centenas de processos têm chegado à Justiça do Trabalho, com condenações à revelia pela falta de representante legal da empresa nas audiências.

 

A juíza determinou prazo de quinze dias para que todos os credores habilitem seus créditos para pagamentos futuros a partir da apuração de recursos em leilões da empresa. O administrador destacou que houve o fechamento das unidades e início de levantamento dos bens patrimoniais. A Guerra é proprietária de três áreas, duas em Caxias do Sul e uma em Farroupilha, com edificações e equipamentos.

 

Conduta irresponsável – O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani, garantiu que não era desejo dos trabalhadores e da sociedade que este fosse o desfecho da Guerra, uma empresa tradicional, com 46 anos de atividades, fundada por Ângelo Guerra e comprada em 2008 pelo fundo de investimentos Axxon Group. Reconhece, no entanto, que a situação tornou-se insustentável.

 

“Os sócios não estavam produzindo ações para resolver os problemas, que só se avolumavam. Não se preocuparam com a recuperação judicial, foram irresponsáveis.”

 

Ele estima que as dívidas trabalhistas oscilem dos R$ 70 milhões a R$ 80 milhões. Desde a quinta-feira a assessoria jurídica da entidade trabalha no levantamento da situação de todos os empregados, e na de ex-empregados que deixaram a empresa sem receber suas indenizações.

 

Na sentença a juíza fixou prazo de cinco dias para que os sócios apresentem a relação atualizada de credores. Determinou a lacração dos estabelecimentos comerciais e a arrecadação dos bens da falida e o encerramento de contas bancárias. De acordo com o administrador judicial cabe recurso à decisão de decretação da falência.

 

Foto: Marcos Marasca