Pirelli investe para conectar produção

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DE FEIRA DE SANTANA, BA - A Pirelli anunciou na quinta-feira, 22, o planejamento traçado para transformar a unidade instalada em Feira de Santana, BA, em base de produção de pneus para veículos de alta gama, com foco em exportações, até 2020. Passarão a ser produzidos ali modelos destinados a SUVs já vendidos no País e outros que ainda serão lançados.

 

A primeira providência tomada pela companhia foi integrar a produção de doze das dezenove fábricas que possui no mundo, movimento que insere suas linhas no contexto da indústria 4.0. Foi desenvolvido sistema, já em funcionamento, por meio do qual são compartilhados dados referentes à produção de pneus em setores como mistura da borracha, manutenção e controle de qualidade.

 

Segundo Roberto Falkenstein, CEO da Pirelli do Brasil, a meta é conectar as linhas nos próximos três anos, exceto a da Venezuela, onde a empresa mantém fábrica em Guacara: “Ainda existem unidades que precisam ser conectadas, na América Latina e na Europa, e todas devem ser interligadas até 2020. A dúvida é a unidade venezuelana por causa dos problemas políticos no país”.

 

A modernização da produção das fábricas da América Latina consumiu parte dos 250 milhões de euro destinados à região nos próximos três anos, valor divulgado também na terça-feira pelo presidente mundial da companhia, Marco Tronchetti Provera. A maior parte do investimento será aplicada na produção brasileira como forma de transformar a operação local em plataforma exportadora de pneus para veículos premium, segmento que mais cresceu no mercado brasileiro em termos de vendas.

 

Hoje a Pirelli atende, no mercado interno, em regime OEM, a produção de veículos premium Audi, FCA, Land Rover e Volkswagen. E, de acordo com Falkenstein, as exportações para a América do Norte devem crescer nos próximos anos: “Temos uma demanda crescente nos Estados Unidos, principalmente, onde atuamos nas redes de distribuição e nas montadoras”.

 

A empresa evitou discutir as minúcias do investimento. Mas, afora a conectvidade, que deverá acelerar os processos de fabricação, o investimento anunciado para o triênio servirá para a compra de equipamentos e para custear a nacionalização de novos produtos.

 

O investimento, contudo, não será utilizado para a ampliação da capacidade produtiva, o que não deve gerar expansão da fábrica nem contratações. Davide Meda, diretor industrial da companhia na América Latina, disse que o mercado interno ainda passa por um momento de retomada e que a demanda é atendida com a atual configuração: “Nosso foco está em modernizar a produção e investir na capacitação dos trabalhadores que já estão contratados. Somos os mesmos de dois anos atrás, não aumentamos nem diminuimos de tamanho”.

 

Atualmente a fábrica da Bahia conta com 1,3 mil funcionários e trabalha em três turnos a plena capacidade: 10 mil pneus de passeio/dia. Na fábrica instalada em Campinas, SP, a situação é semelhante: três turnos, 30 mil pneus de passeio/dia. Apesar do esforço em aumentar o volume exportado o mercado interno ainda representa a maior fatia da produção. Em 2017 70% dos pneus fabricados no País atenderam ao Brasil, e os 30% restantes outros mercados. O executivo afirmou, no entanto, que esta margem deve aumentar.

 

Na esteira do crescimento das vendas de veículos do tipo SUV no País a fatia da participação dos pneus de alta gama da Pirelli no faturamento também aumentou nos últimos anos. Dados apresentados pela empresa mostram que, do volume total vendido em 2017, os pneus premium representaram 29,4% e os standard 11,4%. A evolução gerou o aumento de receita na América Latina: foram 916 milhões de euro, no ano passado, contra 824 milhões faturados em 2016.

 

Em 2017 o segmento premium representou 57,5% da receita da Pirelli no mundo, e a empresa tem planos de aumentar a fatia para 63% até 2020.

 

Construída em 1976 e ampliada em 2003 a fábrica de Feira de Santana é a mais nova das cinco que a Pirelli mantém na América Latina: Campinas, Gravataí, RS, e Feira de Santana, Merlo, Argentina, e Guacara, Venezuela. A produção de pneus de alta gama começou aqui em 2016 e também foi fruto de investimento similar ao anunciado na terça-feira – no último triênio, de 2014 a 2017, a Pirelli investiu 250 milhões de euro.

 

Foto: Divulgação.