Bosch volta a crescer na América Latina

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22/05/2018

Puxada pela recuperação da produção brasileira de veículos a Bosch fechou o ano passado com alta de 7% na sua receita da América Latina, que somou R$ 6,1 bilhões. Segundo o presidente Besaliel Botelho o resultado positivo reverteu dois anos de queda no faturamento: “Voltamos a crescer na região”.

 

O Brasil, responsável por 80% dos negócios latino-americanos, registrou R$ 4,9 bilhões em vendas. A área de mobilidade, na qual se inserem os negócios automotivos, é a mais relevante dentro do Grupo Bosch, que também atua na área de bens de consumo, tecnologia industrial, energia e tecnologia predial. Como representa 65% das vendas na região, a retomada da indústria automotiva no Brasil foi fundamental para essa retomada no crescimento.

 

“Começamos 2018 muito bem: fechamos o primeiro quadrimestre com crescimento superior a 20%.”

 

Segundo o presidente da Bosch as fábricas passaram por muitos ajustes nos últimos anos. A força de trabalho foi reduzida em 1,6 mil pessoas – hoje, a empresa emprega 8,3 mil pessoas no País: “Aumentamos a produtividade, mudamos o portfólio e buscamos novos negócios em outros segmentos, como o agronegócio. Mas mesmo na recessão investimos R$ 100 milhões por ano”.

 

Em 2017 o investimento foi maior, R$ 127 milhões, divididos em três partes: modernização das linhas e estrutura, no desenvolvimento do portfólio e em indústria 4.0. Outros R$ 162 milhões foram aplicados em pesquisa e desenvolvimento -- são 400 profissionais atuando na área, dos quais 360 focados em mobilidade.

 

Botelho afirmou que um dos poucos segmentos que apresentou queda no ano passado foi o de vendas externas, “que, por causa do câmbio, caíram para 28% do faturamento. Mas é um índice sadio e que em 2018 deverá crescer, pois temos competitividade nos Estados Unidos, Europa e Ásia”.

 

Desafio do diesel – Em um âmbito mais global o grande desafio da Bosch é preparar os motores a diesel para as novas normas de emissão na Europa, muito mais rígidas. Uma solução foi apresentada nas últimas semanas: um veículo movido a motor diesel com emissões equivalentes a um décimo dos propulsores atuais.

 

Botelho projetou que o motor diesel ainda terá seu espaço na indústria, mesmo com as soluções elétricas, híbridas e de células de hidrogênio. Segundo ele a discussão sairá do escapamento para toda a cadeia de produção de eletricidade – em alguns países com produção de energia a carvão, as emissões dos elétricos, em toda a cadeia, poderá superar a do motor diesel.

 

O Brasil, porém, deveria ter um papel à parte nessa discussão, de acordo com o presidente da Bosch. Embora Botelho admita que os híbridos e elétricos terão presença maior no País, ainda mais com os incentivos que deverão surgir junto com o Rota 2030, o etanol, na sua opinião, deveria ganhar um papel mais relevante aos olhos do governo.

 

Foto: Divulgação