Indústria dividida sobre desenvolvimento de elétricos

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28/08/2018

São Paulo – Enquanto o Rota 2030 segue em tramitação para que o tornem lei, e o governo, de forma paralela, trabalha para finalizar o Plano Nacional de Eletromobilidade, setores envolvidos na eletrificação de veículos discutem quais caminhos de políticas setoriais devem seguir para que o País se integre ao contexto global dos veículos elétricos.

 

Durante o seminário de eletromobilidade promovido pela Anfavea na terça-feira, 28, em São Paulo, representantes das empresas fabricantes de veículos, de autopeças e do governo mostraram que há convergência de interesses quando o assunto é desenvolver veículos elétricos. A direção a seguir, no entanto, não é compartilhada de forma unânime.

 

A Anfavea acredita que o histórico nacional de geração e aplicação de biocombustível não deve ser abandonado no processo. Para seu presidente, Antonio Megale, o Brasil precisa ter a posição de um competidor global no fornecimento de tecnologias verdes:

 

“Mesmo que o mundo esteja caminhando para a eletrificação, devemos mostrar ao mercado global no que somos mais fortes. São anos de desenvolvimento do combustível, que é sustentável, que não podem ser descartados”.

 

Margarete Gandini, diretora do departamento de indústria e mobilidade e logística do MDIC, endossou o comentário da Anfavea sobre o tema, acrescentando que o Brasil deve escolher o seu caminho rumo à eletrificação levando em consideração o seu perfil diferente dos países que optaram por incentivar a produção e o uso dos veículos elétricos:

 

“China, Estados Unidos e países da Europa são os maiores emissores de poluentes do mundo, por isso aceleraram políticas de adoção do elétrico. O Brasil tem um caminho diferente, pois não temos, necessariamente, que seguir o caminho dos outros países em função do nosso histórico. Temos caminhos adicionais em termos de tecnologia para motorização”.

 

A visão da cadeia de autopeças, por outro lado, é divergente quanto ao caminho a indústria deve seguir. Gábor János Déak, conselheiro do Sindipeças, disse que o Brasil deveria focar seus esforços no campo da eletrificação para que não perca uma “oportunidade que não voltará mais”, citando que a frota de veículos movidos a etanol no mundo representa cerca de 4% do total:

 

“No horizonte previsivel e estável proposto pelo Rota 2030 seriamos capazes de nos inserir na cadeia global de autopeças, que corre no sentido da eletrificação, com o surgimento de novos componentes para o powertrain elétrico. O caminho que estamos escolhendo pelo Rota, no entanto, é um caminho de continuismo do que foi feito. Só que, infelizmente, representamos de 3% a 4% da produção mundial enquanto que os outros 97% caminham para outro lado”.

 

Foto: Divulgação.