GM convoca reunião com fornecedores

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São Paulo – Os fornecedores da General Motors Mercosul estão sendo convocados pelo presidente Carlos Zarlenga a uma reunião na segunda-feira, 28, para conhecer qual “sacrifício” precisarão fazer para tirar do papel plano de investimento futuro da companhia na região. Alguns parceiros considerados estratégicos pelo executivo mantêm conversas individuais na quarta-feira, 23, e quinta-feira, 24, e os demais conhecerão as propostas na semana que vem.

 

A cadeia de fornecedores foi um dos quatro pilares elencados pela direção da empresa para colaborar com seu plano de investimento, pré-aprovado pela matriz com uma condição: que dê lucro. Zarlenga bateu também à porta do governador de São Paulo, que sinalizou ajuda por meio de liberação de créditos de ICMS, da rede de concessionários, que concordou em cortar um ponto porcentual de sua lucratividade, e dos trabalhadores, com quem abriu negociação na terça-feira, 22.

 

Cada pilar precisará contribuir de alguma forma, cortando na carne. Não se sabe exatamente o que Zarlenga pedirá às fabricantes de autopeças, embora imagine-se que envolva redução de custos e de perdas por falta de qualidade.

 

Ex-executivo da GM que pediu para não ser identificado disse a AutoData que a relação das fabricantes com seus fornecedores nunca foi fácil, mas sempre chega-se a um denominador comum. No caso da GM essas relações tradicionalmente são mais complicadas, o que pode dificultar um entendimento entre as partes nas reuniões que estão sendo solicitadas pelo próprio Zarlenga.

 

O último ciclo de investimentos, que começa a ganhar corpo este ano em forma de produtos derivados da plataforma GEM, Global Emerging Markets, já provocou mudanças no grupo de fornecedores fisicamente próximos à fábrica de Gravataí, RS. A Continental e a Arteb, que forneciam o cockpit e lanternas em faróis para o Onix e o Prisma, saíram do parque de fornecedores para dar lugar a Reydel e a SL Automotive.

 

Aos trabalhadores de São José dos Campos, com quem a diretoria se reuniu na tarde de terça-feira, 22, foi apresentada uma proposta com 28 pontos, que inclui aumento de jornada de trabalho, adoção de banco de horas, terceirização em toda a fábrica, fim do transporte fretado, jornada intermitente e outros itens, segundo o sindicato dos metalúrgicos – que não gostou do conteúdo.

 

“Os trabalhadores ficaram indignados com a proposta”, disse o vice-presidente Renato Almeida. “Somos contra a retirada de direitos, continuaremos com o processo de negociação, mas a decisão final caberá aos trabalhadores”.

 

Por outro lado, fonte consultada por AutoData disse que as negociações com trabalhadores já estão bem adiantadas.

 

Essa mesma fonte afirmou que as possibilidades de fechar fábricas ou até mesmo sair da região não estão na mesa de negociações. A briga agora é por novos investimentos.

 

Colaborou Leandro Alves

 

Foto: Christian Castanho.