Honda inaugura fábrica em Itirapina

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27/03/2019

Itirapina, SP – Dois anos e alguns meses depois de finalizar a construção de sua nova fábrica de automóveis a Honda celebrou, na quarta-feira, 27, o início da produção de sua segunda unidade produtiva aqui, em Itirapina, SP – um mês após começar a faturar os primeiros Fit ali montados para a rede. O investimento superou o R$ 1 bilhão anunciado em 2013, quando a companhia tomou a decisão de erguer a nova fábrica.

 

Com este valor a Honda estaria credenciada a participar do IncentivAuto, programa de fomento à produção automotiva criado pelo governo do Estado de São Paulo que concede descontos de ICMS. O aporte, porém, foi anterior à criação do programa, fato lamentado pelo presidente da Honda South America, Issao Mizoguchi, que brincou: “Se pudesse construiria uma máquina do tempo”.

 

O governador João Dória, presente à cerimônia, sugeriu, então, que a Honda investisse um novo bilhão na fábrica. O presidente desconversou: “Primeiro preciso pagar esse investimento”.

 

A máquina do tempo de Mizoguchi seria útil, também, para retroceder a 2013, quando a companhia, embalada pelos bons volumes de um mercado brasileiro de 3,8 milhões de unidades, anunciou a construção da nova fábrica, que complementaria a produção de Sumaré, SP. Passados dois anos, com a unidade pronta para operar, o mercado caiu para 2 milhões.

 

A decisão da diretoria foi inusitada: manteve a fábrica, pronta porém inativa. Durante dois anos as linhas foram ligadas duas vezes por semana apenas para manter as máquinas e equipamentos funcionando. Até que, no ano passado, com o mercado dando sinais mais claros de retomada, foi decidido que a produção de Sumaré seria transferida para Itirapina.

 

Essa mudança será gradual: primeiro foi o Fit, ainda não em sua totalidade – por uma questão de prazo de validação de tintas são produzidos por enquanto apenas modelos em tons cinza, branco e preto, em ritmo de 90 unidades/dia. No segundo semestre será a vez do WR-V, seguido, no ano que vem, pelo HR-V.

 

Da plataforma compacta da Honda restará apenas o City em Sumaré, mas cuja transferência também está programada para mais adiante – assim como a do Civic, que é montado sobre outra plataforma. A capacidade de produção é a mesma da outra unidade: 120 mil veículos/ano em dois turnos. No ano passado, com horas extras, Sumaré produziu 138 mil automóveis.

 

Otavio Mizikami, diretor industrial da Honda Automóveis, contou que a linha de Sumaré não será desmontada: ali permanecerá, inativa. Não está descartada, portanto, a produção de apenas um ou dois modelos na unidade, complementando os volumes de Itirapina: “Por enquanto nosso plano é transferir todos os modelos”.

 

Na unidade inaugurada em 1997, que segue como sede administrativa da Honda South America, permanecerão a produção de motores, peças plásticas e ferramentaria, bem como engenharia e área de compras.

 

Dois mil dos três mil trabalhadores de Sumaré serão transferidos para Itirapina. Segundo a Honda o índice de aceitação está em cerca de 90% – todos receberão pacote de benefícios e ajuda de custo para a mudança. Em torno de 450 trabalhadores já foram transferidos e nenhum emprego, portanto, ainda foi gerado com a nova fábrica. Em 2021, quando deverá estar a todo o vapor, serão dois mil trabalhadores.

 

Expansão no Sul – Para seguir abastecendo toda a sua produção com energia limpa a Honda anunciou investimento de R$ 30 milhões em uma nova torre de geração de energia eólica no parque de Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul. Com isso serão dez os aerogeradores do empreendimento da Honda Energy, que ampliará sua capacidade de geração de 27,7 MW para 30 MW.

 

Ainda no campo de energia limpa Mizoguchi anunciou que trará para a região três modelos híbridos, ainda não definidos, até 2023: “Provavelmente serão importados. Ainda não vejo retorno para investimento em produção local”.

 

Fotos: Divulgação.