Grupo Voges tem falência decretada

Imagem ilustrativa da notícia: Grupo Voges tem falência decretada
CompartilheEmpresa
09/08/2019

Caxias do Sul, RS -- Em processo de recuperação desde 2013 o Grupo Voges teve a sua falência decretada na quinta-feira, 8, pelo juiz da 3ª Vara Cível de Caxias do Sul, RS, Clóvis Moacyr Mattana Ramos. A decisão antecipa-se à nova assembleia de credores que estava programada para ocorrer até 15 de outubro.

 

Conforme a sentença, passados seis anos de tramitação do processo "absolutamente nada de positivo ocorreu". Ao contrário, cita o juiz, houve crescimento nas dívidas, fraudes e mais vítimas, sem que o grupo apresentasse plano efetivo de recuperação. Uma das empresas do grupo amanheceu fechada na sexta-feira, 9: a Metalcorte Fundição, que tinha a maior parte de seus negócios dedicados à indústria automotiva. Ainda cabe recurso à decisão do juiz.

 

Atendendo ao pedido feito pelo Ministério Público, acompanhado pelo administrador judicial Nélson Sperotto, o juiz ressalta na sentença que não existe solução plausível para o problema do grupo.

 

“É preciso que o Judiciário se convença de que, no presente caso, nunca será realizada uma assembleia geral de credores séria e respeitável, porque são conflitantes os interesses em jogo com o fato de o Grupo Voges estar quebrado e ao mesmo tempo ser ‘uma máquina de fazer dinheiro’. Quebrada e rentável. Quebrado para o Fisco e para os trabalhadores, rentável para Osvaldo Voges [proprietário do grupo] e para alguns credores. Rentável é modo de dizer, porque não existe a menor possibilidade de recuperação das empresas. O passivo é estratosférico, as fraudes vêm se avolumando e há informações de que será interrompido o fornecimento de energia elétrica da Metalcorte Fundição por falta de pagamento e de que os trabalhadores não estão recebendo seus salários;”

 

De acordo com a advogada do escritório do administrador judicial do grupo, Daiane Branchini, o decreto de falência foi a melhor alternativa, pois, após seis anos de tramitação do processo de recuperação, sem a definição de um plano de pagamento exequível e sem a contenção do passivo, não há mais condições para esperar: “Some-se a isso o fato de a Metalcorte ter que desocupar, imediatamente, o antigo prédio da Metalúrgica Abramo Eberle [que pertence à Prefeitura], sem que tenha lugar para ir e recursos para construir uma nova sede”.

 

Embora reconheça que a decisão não era a esperada o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região, Assis Melo, entende ser a decretação da falência a única alternativa que restava. Também atende às expectativas dos ex-trabalhadores, em torno de 2,5 mil, que há anos lutam para receber suas verbas rescisórias. Em assembleia realizada em fevereiro os trabalhadores aprovaram proposta de decretação da falência.

 

“Ninguém fica contente com o fechamento de uma empresa", disse Assis Melo. "Ainda mais em tempos de recessão, em que lutamos para fomentar a abertura de novos postos de trabalho. Mas creio que não existia outra opção, dadas às dificuldades que foram surgindo ao longo deste percurso.”

 

Foto: Divulgação.