Crise argentina leva Volkswagen a reorganizar produção no País

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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28/10/2019

São Paulo – A Volkswagen reestrutura a produção de suas fábricas locais em função da crise na Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na região. Na unidade Anchieta, a partir de janeiro, 1,4 mil funcionários entrarão em lay-off até maio, o que representa, na prática, o desligamento temporário do terceiro turno na unidade onde são produzidos o hatch Polo, o sedã Virtus e a picape Saveiro em baixos volumes.

 

A medida foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo, SP, na segunda-feira, 28. Parte da cadeia de fornecedores da montadora recebeu o aviso da Volkswagen nos últimos dias, que trazia dados a respeito da redução dos volumes de produção que, hoje, é sustentada basicamente pelo mercado interno: até outubro, as vendas da montadora cresceram 16,5% sobre igual período no ano passado.

 

A Volkswagen não confirma, mas também não nega, a adoção do layoff. Por meio de nota informou que "adotar ou não tal medida dependerá de como regirá o mercado argentino no ano que vem".

 

Em Taubaté, SP, onde são produzidos os modelos considerados de alto volume – up!, Gol e Voyage –, 1,2 mil funcionários entraram em férias coletivas na segunda-feira, 28, em função das exportações menores. Assim, a empresa deixa de funcionar em dois turnos e segue em apenas uma jornada pelos próximos vinte dias, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos regional. Segundo a entidade, cerca de 70% do que é produzido ali tem como destino o mercado externo.

 

A programação da Volkswagen para a unidade indica redução nos volumes a partir de janeiro. Segundo fonte ouvida pela reportagem, o ritmo deverá cair das atuais 910 unidades/dia para 770 unidades/dia no ano que vem. De acordo com o sindicato, a montadora está avaliando de forma mensal o volume de produção da unidade do Interior paulista. Trabalham ali 3,4 mil funcionários.

 

Na fábrica instalada em São José dos Pinhais, PR, empresa e trabalhadores conversam sobre a redução da produção na linha que, hoje, produz o compacto Fox, o hatch compacto Golf e o T-Cross, modelo SUV sobre o qual a fabricante tem depositado suas atenções, tanto em marketing de vendas quanto em esforço de produção – seu lançamento levou a companhia a reativar o segundo turno na unidade em abril.

 

No entanto, segundo fonte ouvida pela Agência AutoData, é possível que a fábrica retorne a operar em apenas uma jornada a partir de janeiro.

 

Com a redução nas linhas de montagem, haverá reflexos na produção de motores e transmissões na unidade mantida pela companhia em São Carlos, SP, que, desde setembro, segundo o sindicato dos metalúrgicos local, opera com baixos volumes. Desde então são promovidas férias coletivas para grupos formados por 85 funcionários mensalmente.

 

Hoje na unidade são 970 funcionários diretos trabalhando em dois turnos e meio. A unidade também é responsável pela produção de cabeçotes que são exportados intracompany para a fábrica de Chemnitz, na Alemanha. De lá também saem motores para operação VW no México e, no ano passado, um lote de virabrequins produzidos na unidade também foi exportado para a Alemanha.

 

Foto: Divulgação.