Receita da Marcopolo cresce 5,5% até setembro

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Foto Jornalista Roberto Hunoff

Por Roberto Hunoff

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05/11/2019

Caxias do Sul, RS – A Marcopolo registrou alta de 5,5% em sua receita operacional líquida neste janeiro-setembro na comparação com igual período do ano passado, chegando a R$ 3,1 bilhões. O resultado, segundo balanço divulgado na terça-feira, 5, decorre da venda de 11,4 mil carrocerias, mercado interno e negócios no Exterior, volume 0,5% maior do que em 2018. Os dados divulgados mostraram, também, que a produção total foi de 11,8 mil 799 unidades, alta de 0,5%.

 

No Brasil a receita líquida dos nove meses avançou 16,9%, chegando a R$ 1 bilhão 651 milhões. O mesmo ocorreu com o desempenho das unidades instaladas no Exterior, que tiveram alta de 18,3%, para R$ 777 milhões. O baque foi sentido na receita com as exportações, que recuou 22% somando R$ 692,5 milhões. O Ebtida, lucro antes de impostos e amortizações, caiu 20,5% chegando a R$ 226,3 milhões. O lucro líquido, no entanto, avançou 18,2%, para perto de R$ 141 milhões.

 

As vendas de carroçarias somaram 9,7 mil unidades, volume que representa recuo de 3,4% na comparação com o janeiro-setembro de 2018. Desse total o mercado interno absorveu 7,8 mil unidades, com alta de 4%, enquanto as exportações cederam 26%, para perto de 2 mil. A participação da Marcopolo no mercado doméstico foi de 49,2% no acumulado de nove meses, recuo de 7 pontos.

 

A queda foi atribuída, principalmente, ao volume de carrocerias urbanas, que teve aumento de 48% na produção nacional, enquanto a Marcopolo apurou alta de somente 1,8% neste segmento. A produção de modelos Volare não é considerada para efeitos de representatividade, segundo o balanço divulgado pela companhia.

 

Atípico – Tradicionalmente, o terceiro trimestre concentra o maior volume de produção na indústria de ônibus. Este ano, no entanto, foi diferente. A Marcopolo apurou desaceleração no nível da atividade produtiva, especialmente nas fábricas instaladas no Brasil. De acordo com o relatório financeiro, a receita líquida no julho-setembro caiu 1,8% na comparação com igual período do ano passado, chegando a R$ 1 bilhão e 81 milhões.

 

No terceiro trimestre o mercado interno apurou recuo de 6% ns vendas, com 2,8 mil unidades comercializadas. As exportações, por sua vez, caíram 19%, somando 511 carrocerias embarcadas. A receita com as exportações, no entanto, cresceram 3%, somando R$ 188,7 milhões. A produção consolidada no Brasil e no exterior, de 3 mil 926 unidades, foi 18,6% inferior à do mesmo período do ano passado.

 

Projeções – A diretoria trabalha com a expectativa de um quarto trimestre melhor do que o terceiro, disse o CEO, James Bellini: “Já percebemos a retomada em outubro, o que nos faz crer em um quarto trimestre melhor. Há um ambiente propício para renovação de frotas e para a realização de investimentos em transporte público de qualidade, com a taxa básica de juros em seu menor nível histórico associada ao esperado crescimento econômico”.

 

Um dos principais fatores que refletiram de forma negativa nos resultados do terceiro trimestre foi o desempenho do segmento de ônibus rodoviários. As vendas recuaram 26,9% sobre igual período de 2018. Clientes teriam antecipado as compras em razão da entrada em vigor da norma de acessibilidade nesses modelos em outubro do ano passado.

 

As vendas de modelos para fretamento cairam por causa das indefinições a respeito da obrigatoriedade da instalação de elevador nos veículos. Com a publicação de decreto em 6 de setembro, que excetua a instalação de elevadores no transporte de fretamento e turismo até janeiro de 2020, a expectativa da diretoria é de recuperação da trajetória de crescimento dos volumes de rodoviários no quatro trimestre.

 

A empresa também acredita na continuidade do crescimento de urbanos, com destaque para o mercado paulistano, que deve alavancar as vendas a partir da finalização da nova licitação. De acordo com José Valiatti, diretor financeiro e de relações com investidores, a companhia deverá intensificar suas ações comerciais no segmento no qual tem pouca participação.

 

Com relação às exportações as expectativas para 2020 são de manutenção do desempenho modesto em 2019, com redução de vendas nos principais mercados da companhia, em especial na Argentina, no Chile e no continente africano. Porém James Bellini acredita na recuperação a partir do ano que vem, especialmente na Argentina:

 

“O pior já passou. Temos a expectativa de que o novo governo volte a incentivar o transporte, como era no passado”.

 

Também citou que o mercado chileno dá sinais de retomada, ao mesmo tempo em que Peru e Bolívia deram respostas positivas surpreendentes.

 

Foto: Divulgação.