Ford prepara novo investimento para Camaçari

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São Paulo – Fornecedores e trabalhadores receberam o recado de Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul, há cerca de duas semanas em Camaçari, BA: para tornar viável a produção de uma nova família de modelos ali é preciso a colaboração de todos no sentido de melhorar a competitividade da operação baiana: “Não estipulamos uma meta”, disse o executivo. “Mas eles entenderam a mensagem”.

 

A Ford não ameaçou fechar a unidade que, hoje, produz a família Ka e o EcoSport, mas a decisão tomada em São Bernardo do Campo, SP, em fevereiro, abre brecha para especulações, ainda que rechaçadas pela diretoria da companhia.

 

Watters citou alguns exemplos de falta de competitividade: a PLR, Participação nos Lucros e Resultados, paga a trabalhadores Ford e de fornecedores que atuam internamente em Camaçari é 35% superior à média da indústria, a despeito dos salários mais baixos pagos na comparação com outras regiões. Os custos de transporte são outra fonte de preocupação, dada a distância da Bahia para os principais centros consumidores e também de muitos fornecedores – Watters sinalizou vontade de usar o modal ferroviário.

 

O executivo não mencionou nada sobre incentivo fiscal ou redução de tributos, até porque a Ford é beneficiada, ali, pelo Regime Automotivo do Nordeste, renovado no ano passado de carona com o Rota 2030. Mas a Anfavea constantemente coloca a carga tributária na cesta que carrega as razões da falta de competitividade da indústria brasileira.

 

Recado dado o próximo passo é convencer a matriz a liberar dinheiro novo. Dearborn, segundo fontes, não deverá dificultar muito as coisas e a expectativa é a de que ainda no primeiro semestre seja feito o anúncio dos investimentos para uma nova família de veículos na fábrica de Camaçari.

 

Nenhum deles, porém, deve ser lançado ainda em 2020, apesar da promessa do presidente da Ford América do Sul de promover oito lançamentos no ano que vem. Um deles é conhecido: o SUV Territory, no primeiro momento importado da China, mas forte candidato a sair das linhas de montagem de alguma fábrica da região.

 

Watters afirmou, ainda, acreditar em crescimento de até 10% nas vendas do mercado brasileiro em 2020 e manutenção dos volumes registrados neste ano na Argentina.

 

Foto: Divulgação.