América Latina faz sorrir acionista FCA

Antonio Filosa fala sobre os resultados da FCA na América Latina

São Paulo – As operações da FCA na América Latina registraram € 501 milhões de lucro EBIT, sigla em inglês para lucros antes dos impostos e juros. A margem chegou a 5,9%, o que a colocou como a segunda região mais lucrativa da companhia – foi superada apenas pela América do Norte, com € 6,7 bilhões em lucros e 9,1% de margem.

 

“Temos um plano de investimento de R$ 14 bilhões em andamento e o lucro gerado para o caixa da empresa certamente dá conforto para os nossos acionistas”, disse Antonio Filosa, presidente da FCA para a região, na quarta-feira, 12. “Os demais mercados regionais estão em retração. Apenas Nafta e América Latina cresceram.”

 

O lucro EBIT da FCA em 2020 foi de € 6,7 bilhões, com margem de 6,2%. A região Ásia-Pacífico fechou o ano com déficit de € 36 milhões e a EMEA, que representa Europa, Oriente Médio e África, registrou € 6 milhões de prejuízo. Ainda contribuiu de forma negativa no negócio da companhia o resultado da Maserati, € 199 milhões no vermelho.

 

Lucrativa, a América Latina respondeu por cerca de 8% do faturamento da FCA –  € 8,5 bilhões de uma receita total de € 108,2 bilhões. Em volume de vendas foi a que mais cresceu, especialmente pelo bom resultado do mercado brasileiro, onde a FCA ganhou 1,1 ponto porcentual de participação de mercado, 0,6 ponto porcentual com a Fiat, 0,5 ponto porcentual com a Jeep, somando 18,7%.

 

Filosa projeta leve alta de 1,5% nas vendas da América Latina para 2020, após recuo de 5% no ano passado. O Brasil deve puxar o crescimento com avanço de 6% nas vendas e a Argentina, na sua visão, terá nova retração, na casa de 10% a 15%. Os demais mercados manterão estabilidade segundo as projeções do executivo.

 

Por aqui a esperança é na retomada do varejo a partir do segundo semestre, quando os sinais de queda do desemprego e redução das taxas de juros levará as famílias de volta às lojas: “A venda direta crescerá também, mais acelerada no primeiro semestre”.

 

A confiança com o segundo semestre coincide com os planos da Fiat para o mercado. Nas próximas semanas a nova geração da Strada será lançada, o primeiro grande resultado do plano de investimento anunciado pelo ex-CEO Sergio Marchionne ainda em 2018. Produzida em Betim, assim como os futuros motores Firefly Turbo, que chegam em dezembro, e os dois SUVs “democráticos” Fiat, prometidos para 2021.

 

Da fábrica mineira começaram a sair, para a Europa, os primeiros motores de uma leva de 260 mil unidades encomendadas, o que deverá contribuir para os negócios em um cenário de câmbio desvalorizado. Serão produzidos, no total, 1,1 milhão de motores e transmissões em Betim em 2020, que deverá entregar, também, 400 mil veículos – ainda bem longe de sua capacidade total, de 650 mil unidades/ano, mas perto do que Filosa considera volume ideal, 450 mil veículos/ano.

 

A expectativa do executivo é entregar à matriz lucros, mais uma vez. Quem sabe mais do que os € 500 milhões deste ano: em seu balanço financeiro a FCA projetou lucro de € 7 bilhões em 2020: “Não fosse a desvalorização cambial, em praticamente todos os países da região, e a situação da Argentina o nosso resultado poderia ter sido melhor em 2019”.

 

Foto: Paulo Bareta/Divulgação.